UE Moçambique queremos para o futuro? Esta é a questão sobre a qual o Estado, em todos os segmentos, deve reflectir com vista a encontrar os melhores caminhos para tornar o país mais forte e produtivo, reduzindo assimetrias sociais, assegurando a industrialização e diversificação da economia e oferecendo as mesmas oportunidades a todos. Considera-se que esta reflexão não deve ser adiada, tendo em conta que as decisões tomadas hoje vão reflectir-se no dia-a-dia das futuras gerações. Este foi o raciocínio consensual assumido ontem por diferentes intervenientes do Estado e parceiros de cooperação, nomeadamente académicos, pesquisadores, Banco Africano de Desenvolvimento, Banco Mundial e União Europeia, durante a Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, organizada pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento.
Na abertura do evento, em Maputo, com 500 participantes presencialmente, o Presidente da República, Daniel Chapo, explicou que as sociedades que alcançam o desenvolvimento são as que renovam constantemente a sua visão sobre o futuro, porque o progresso não ocorre ao acaso; depende da planificação que pressupõe colocar os interesses colectivos acima das dificuldades. Destacou que, entre 2000 e 2025, o país consolidou conquistas importantes como a paz; expandiu a rede escolar, sanitária, acesso à electricidade, telecomunicações, estradas e infra-estruturas essenciais. “Criámos melhores condições para o investimento e o crescimento económico.
Descobrimos recursos naturais capazes de transformar profundamente a nossa economia”, disse, observando que prevalecem desafios que limitam o desenvolvimento. “Persistem níveis altos de pobreza, desigualdades territoriais e sociais, limitações na produtividade, bem como dificuldades na industrialização, geração de renda e emprego digno para o nosso povo, principalmente para a juventude. Continuamos confrontados pelo efeito das alterações climáticas que ameaçam comunidades, destroem infra-estruturas e sector produtivo, agravando a pobreza no seio do nosso povo”, mencionou.
Neste evento de introspecção sobre os ganhos dos últimos 25 anos e projecção dos próximos, o estadista sublinhou que o desenvolvimento não tem fim, razão pela qual cada geração recebe um país inacabado, ficando com a responsabilidade de o melhorar antes de repassá-lo à seguinte. Por sua vez, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, disse que o maior risco não está em planificar com ambição, mas em deixar um fosso entre planificar, orçamentar, executar e melhorar. Neste sentido, disse que o Governo pretende contrariar este risco e fazer diferente.
Fonte: Jornal Notícias