Operadores do transporte público urbano de passageiros na cidade da Beira recebem desde ontem compensações financeiras instituídas pelo Governo para mitigar os efeitos do agravamento do preço dos combustíveis sobre a sua actividade.
Numa primeira fase, o apoio abrangerá 590 gestores de viaturas devidamente cadastrados na Associação dos Transportadores Colectivos de Passageiros, Táxis, Txopelas e Carinhas de Aluguer da Beira (ATABE), cujas contas bancárias passarão a receber os valores correspondentes à primeira tranche do subsídio.
O presidente da ATABE, Francisco Gale, explicou que o início dos pagamentos resulta de uma comunicação da Direcção Provincial dos Transportes e Comunicações, informando que as compensações, com efeitos retroactivos a 7 de Maio deste ano, começaram a ser desembolsadas desde ontem.
Em paralelo, decorre o licenciamento de 28 operadores do transporte semicolectivo que ainda não se encontram regularizados, com vista à sua integração no universo dos beneficiários da medida.
Segundo Gale, a associação está igualmente a desenvolver um trabalho de sensibilização junto dos transportadores que operam à margem da lei, incentivando-os a regularizar a sua situação para que possam beneficiar do apoio concedido pelo Executivo.
A expectativa é que a implementação das compensações contribua para travar a especulação de tarifas que se vinha verificando na cidade, prática adoptada por alguns operadores sob o argumento do aumento dos custos operacionais, nomeadamente combustíveis, manutenção e aquisição de peças.
Nos últimos meses o agravamento das tarifas cobradas de forma unilateral e o encurtamento de rotas provocaram transtornos aos passageiros, traduzidos em longas filas de espera, escassez de transportes e frequentes conflitos entre utentes e transportadores.
Face a este cenário, Gale apelou aos passageiros para recusarem o pagamento de tarifas não autorizadas e denunciarem quaisquer irregularidades às autoridades competentes.
Defendeu, igualmente, o reforço da fiscalização por parte da Polícia Municipal, lembrando que a legislação prevê multa de 25 mil meticais, bem como a apreensão da viatura e da carta de condução dos operadores encontrados em flagrante a especular tarifas ou a encurtar percursos.
O dirigente exortou, ainda, os transportadores a não se deixarem influenciar por informações que visam desacreditar a ATABE, reafirmando que a organização continuará a trabalhar em coordenação com o Governo na busca de soluções para os problemas que afectam o sector dos transportes urbanos.
O Governo decidiu atribuir um subsídio aos operadores de transporte semicolectivo de passageiros, vulgarmente conhecidos por “chapa”, com o objectivo de compensar o impacto da recente subida dos preços dos combustíveis e evitar um agravamento das tarifas cobradas aos utentes.
Para a implementação da medida, o Executivo orientou os governos provinciais, em coordenação com os municípios e as associações de transportadores, a proceder à actualização e validação da base de dados dos operadores elegíveis.
A decisão surge numa altura em que o aumento do preço do gasóleo e da gasolina elevou significativamente os custos de operação dos transportadores, gerando receios de paralisações e da revisão das tarifas. Com esta medida o Executivo pretende preservar a estabilidade do serviço e reduzir o impacto económico sobre milhares de passageiros que dependem diariamente dos transportes semicolectivos.
Fonte: Jornal Noticias