Entre empregos temporários e sonhos adiados vivem as comunidades do gás na “terra da boa gente”

by Sérgio Tinga

O gás natural alterou a dinâmica económica de Inhassoro, mas os seus impactos continuam a ser vividos de forma desigual.

Nas comunidades próximas dos projectos surgiram novas oportunidades de negócio, um comércio mais activo e algumas infra-estruturas públicas.

No entanto, muitas famílias continuam sem emprego estável, empreendedores locais que enfrentam dificuldades para integrar a cadeia de fornecimento da indústria e activos que aguardam por um desenvolvimento compatível com a riqueza produzida na região.

Para quem vive na zona, o conteúdo local surge como um dos principais instrumentos para promover uma participação mais efectiva dos moçambicanos na economia do gás e impulsionar o desenvolvimento das comunidades.

Desde a descoberta e início da exploração do gás natural em Pande e Temane, na província de Inhambane, Moçambique tem olhado para este recurso energético como uma das principais plataformas para acelerar o desenvolvimento económico e reduzir as desigualdades sociais.

A entrada da multinacional Sasol, há cerca de duas décadas, transformou a dinâmica económica de distritos como Inhassoro e Govuro, criando expectativas de que a riqueza gerada pelo gás pudesse traduzir-se em empregos de qualidade, renda sustentável e melhores condições de vida para as comunidades circunvizinhas.

Contudo, anos depois do início da produção, permanece um debate sobre até que ponto o gás gerou uma verdadeira inclusão económica das populações locais.

É neste contexto que ganham força os comentários de residentes que reconhecem avanços, mas garantem que a exploração dos recursos naturais não beneficiou da mesma forma grandes e pequenos investidores, e grande parte das oportunidades continua inacessível para muitos.

A expectativa era que a indústria extractiva pudesse criar uma nova dinâmica económica, capaz de impulsionar a agricultura, a pesca, o comércio e a indústria de processamento. A criação de postos de trabalho para a população local, a transferência de conhecimento e a criação de oportunidades para as populações próximas dos projectos.

Melhorias a meio gás

A empreendedora Lúcia Justino Sanda, da localidade de Pambarra, no distrito de Govuro, entende que a chegada da Sasol representou uma oportunidade para o distrito, sobretudo para jovens que buscavam o primeiro emprego.

“A abertura da Sasol trouxe muitas vantagens para a população. Alguns jovens conseguiram emprego, outros abriram pequenos negócios associados aos projectos da empresa.

Em Pande conseguimos ver algum desenvolvimento através do Conteúdo Local. Não foi grande coisa, mas ajudou bastante para haver avanços.

Muitos deixaram de depender apenas da procura por emprego formal e começaram a criar pequenos negócios e serviços para responder às necessidades geradas pela presença da empresa”, afirmou Sanda. Para além do componente empresarial, dados investimentos liberaram algumas condições de vida das comunidades, como a construção de infra-estruturas, bloco de salas de aula e abertura de furos de água potável. Estes são exemplos apontados pela empreendedora como resultados positivos associados à presença da Sasol.

Fonte: Magazine Independente

You may also like

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00