A MALÁRIA continua a ser um grande problema de saúde pública em Moçambique. O país mantém-se no 5.º lugar do “ranking” dos países com maior peso da doença no mundo, e o mosquito transmissor está a adaptarse aos insecticidas e a mudar de comportamento. O alerta foi feito por Pedro Aide, investigador e director científico da área de Malária do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), no contexto do Dia Mundial do Mosquito, assinalado a 20 de Agosto. A data serve para recordar que o insecto é o animal mais mortífero para o ser humano. Segundo Aide, esta é a realidade que coloca o país entre os que continuam a ter a doença como um grande problema de saúde pública. Moçambique segue entre os principais com casos clínicos e mortalidade.
Para o investigador, o problema já não é só o parasita, ajuntando que os mosquitos têm estado a adaptar-se à pressão que foi exercida ao longo dos últimos anos pelos insecticidas. Pior, admitiu, alguns passam a picar dentro de casa e a descansar no exterior. Com isso, reduzem a eficácia da pulverização intra-domiciliária e das redes mosquiteiras impregnadas com insecticidas. As alterações climáticas mudam a geografia da doença. Temperaturas mais altas, ciclones e cheias criam condições para a reprodução e já há relatos de ressurgência em zonas onde a malária tinha sido controlada. “Aquilo que é a geografia da malária ou a do mosquito transmissor da malária está a mudar”, alerta. Somam-se a isso a urbanização desordenada e habitações precárias.
“A maior parte das habitações é construída de forma não conveniente para a protecção contra os mosquitos”, refere o investigador. A resposta, segundo disse, não é só do Ministério da Saúde, mas uma questão que diz respeito ao país. Agricultura, urbanização, transporte e saneamento devem entrar na estratégia. A vacina R21, já administrada em quase todo o país, ajuda, mas sozinha não resolve. A eficácia é de 40 a 50 por cento. A adesão da população também é determinante. O uso correcto de redes e a aceitação da pulverização, segundo o CISM, estão a falhar.
Fonte: Jornal Notícias