Economia azul: Transição deve reduzir pressão sobre os recursos

by Biston Gule

A Transição para uma economia azul sustentável deve promover alternativas económicas capazes de reduzir a pressão sobre os recursos naturais, através da pesca sustentável, aquacultura, eco-turismo comunitário, restauração de mangais e outras actividades passíveis de gerar rendimento, proteger o ambiente e reforçar a segurança alimentar. A asserção é do Presidente da República, Daniel Chapo, falando ontem, em Maputo, na abertura da 3.ª Edição da Conferência Crescendo Azul, realizada sob o lema “Futuro Azul: Acelerando a Sustentabilidade Económica”.

O posicionamento surge numa altura em que se observam inúmeros desafios na gestão dos oceanos como a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, poluição, perda de biodiversidade, degradação de ecossistemas costeiros, acidificação e impacto das mudanças climáticas, os quais, segundo o Chefe do Estado, recordam que a prosperidade azul só será possível se houver resposta integrada e coordenada. “Não existe economia azul sem segurança azul – a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, o crime organizado, tráfico de pessoas e drogas, pirataria, terrorismo e ameaças às rotas marítimas exigem respostas coordenadas. Nenhum país conseguirá enfrentar, sozinho, estes males, por isso incitavas como o Centro de Coordenação da Monitoria, Controlo e Vigilância das Pescas na SADC, que inauguramos, possui relevância e significado”, disse.

O desafio actual, segundo Chapo, consiste em determinar com que rapidez se converterá o potencial dos oceanos em benefícios concretos para os povos, sendo essencial que a economia azul crie emprego, contribua para a redução das desigualdades, promova a industrialização, desenvolva cadeias de valor nacionais e fortaleça as comunidades. Com mais de 2700 quilómetros da costa, o país, segundo o Chefe do Estado, está posicionado num dos corredores marítimos estratégicos, ocupando posição singular na ligação entre África, Ásia, Médio Oriente e o resto do mundo, realidade que confere responsabilidade acrescida, mas também oportunidade de se afirmar como actor relevante na segurança marítima, integração regional e economia global.

“Na nossa caminhada rumo à independência económica, a economia azul ocupa um lugar central, não apenas como uma política sectorial mas como um instrumento estratégico de transformação económica e social, viabilizando o desenvolvimento sustentável e inclusivo que não deixa ninguém para trás”, vincou. Acrescentou que o país está a implementar o seu plano de ordenamento do espaço marítimo, instrumento estratégico que orienta a utilização sustentável do mar e ferramenta fundamental para conciliar o desenvolvimento económico, conservação e adaptação às mudanças climáticas. O presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Youssouf, destacou, por seu turno, como prioridades, uma governação duradoura para oceanos, investimento em infra-estruturas, inovação e tecnologias assim como mecanismos de financiamento robustos.

Fonte: Jornal Notícias

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