Avanço no diagnóstico revela casos mais graves de malária

by Telma Mandlate

A Melhoria da capacidade de diagnóstico e referenciação de casos de malária fizeram subir, nos primeiros cinco meses do ano, as admissões nas unidades sanitárias e o número de pacientes que necessitam de cuidados especializados.

De Janeiro a Maio, foram reportadas 66.497 hospitalizações contra 39.564 de igual período de 2025, um aumento de 26.933 casos, uma variação de 68,1 por cento.

Outros factores são as alterações na distribuição geográfica da transmissão, significando a mudança de zonas de risco, picos da doença fora da época e chuvas intensas e inundações, que elevam a degradação do saneamento.

Apesar deste novo paradigma, as análises preliminares apontam a inexistência de evidência epidemiológica ou laboratorial que sugira a circulação de uma eventual nova variante do parasita da malária.

Contudo, as autoridades sanitárias continuam a analisar outros factores que poderão estar por detrás do aumento dos internamentos. Dados partilhados pelo Programa Nacional de Combate à Malária indicam uma redução de casos e de óbitos causados pela enfermidade, de 6.153.214 episódios e 259 mortos, em 2025, para 4.788.816 e 240, neste ano, uma diminuição de 22 e 7,3 por cento, respectivamente.

Cabo Delgado teve a maior queda, de 794.148 casos para 311.756, mas a taxa de internamento disparou 155 por cento. Nampula, que continua com o maior número absoluto de casos mesmo após a queda de 50 por cento, dos anteriores 1.457.510 para 723.119, também viu as hospitalizações subirem 102 por cento.

A capital do país seguiu a mesma lógica, de 18.066 episódios para 8360, mas os internamentos passaram de 9,8 para 21,3 por cento. Ou seja, menos pessoas contraíram malária, mas as que adoeceram estavam em estado mais grave. Este cenário repetiu-se nas províncias de Maputo, Zambézia, Tete e Niassa.

Entretanto, nem todas as províncias seguiram esta tendência. Gaza, Inhambane, Sofala e Manica saíram dos 23.023 em 2025 para 61.071 este ano; de 186.486 para 322.811; 476 mil para 586 mil; e 691 mil para 790 mil, respectivamente, com a redução de internamentos.

Em face do cenário, as autoridades sanitárias continuam a intervir em prevenção – distribuição de redes mosquiteiras, pulverização intra-domiciliária e testagem rápida de pacientes com sintomatologia sugestiva –, diagnóstico e tratamento.

Outra estratégia é a quimioprevenção sazonal e perene da malária, que consiste na administração de antimaláricos em grupos vulneráveis constituídos por menores e mulheres grávidas, na época de maior transmissão, bem como a vacinação e promoção de medidas preventivas, como a eliminação de charcos e limpeza dos ambientes.

Fonte: Jornal Notícias

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