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| Relações político-diplomáticas entre Moçambique e África do Sul estiveram em alta, na semana passada, com a recepção, em Maputo, de Fikile Mbalula, secretário-geral do Congresso Nacional Africano (ANC), pelo seu homólogo da FRELIMO, Roque Silva. Os quatro dias de visita, tiveram como o momento mais alto, a audiência que o Presidente daRepública e da FRELIMO, Daniel Chapo, concedeu a Mbalula, incluindo a passagem pelo Centro de Interpretação da Matola e pela fábrica Moçambique Dugongo Cimentos, em Matutuíne, província de Maputo. Foi, de facto, uma visita que veio reafirmar a solidez das relações de cooperação entre as suas formações políticas em várias frentes de actuação, incluindo a nível dos dois Estados, actualmente focados na transformação da solidariedade histórica regional em projectos concretos, orientados para a prosperidade económica dos povos de Moçambique e da África do Sul. A visita de trabalho do secretário-geral do ANC, Fikile Mbalula, a Moçambique inscreve-se como um momento dereafirmação e actualização da aliança histórica entre a FRELIMO e o ANC, duas organizações políticas que partilham uma trajectória comum de luta contra o colonialismo e o apartheid. Actualmente, a FRELIMO, que lidera o Governo de Moçambique, e o ANC, no poder na África do Sul, procuram reorientar essa herança histórica para uma agenda centrada no desenvolvimento económico, na integração regional e na prosperidade partilhada. A visita de Fikile Mbalula começou na quarta-feira, com a deposição de uma coroa de flores na Praça dos Heróis Moçambicanos, seguida de uma recepção inesquecível na sede nacional do partido, na cidade de Maputo, caracterizada por uma moldura humana de militantes da FRELIMO. Aqui, o secretário-geral do ANC manteve conversações oficiais com Roque Silva, líder da máquina operativa da FRELIMO, nas quais houve concertações políticas e a expressão da vontade de transformar a relação histórica em mecanismos mais práticos de cooperação, com impacto directo nas economias e nas condições de vida dos povos dos dois países irmãos. Neste contexto, o diálogo entre as duas lideranças foi enquadrado como parte de um processo contínuo de aprofundamento das relações partidárias e institucionais, no qual a solidariedade histórica deixa de ser apenas simbólica e passa a ser traduzida em estratégias de governação e desenvolvimento, com uma agenda que reflecte uma preocupação comum com os desafios actuais da região, incluindo a necessidade de reforçar a estabilidade política, acelerar a integração económica e criar condições para uma maior inclusão social, num quadro em que a cooperação FRELIMO-ANC continua a ser apresentada como referência política na África Austral. Reformas para a estabilidade e desenvolvimento No quadro da visita de trabalho do secretário-geral do ANC a Moçambique e do reforço do diálogo político entre as duas organizações históricas de libertação, o secretário-geral daFRELIMO reforçou a necessidade de aprofundar reformas estruturais no Estado, como base para a consolidação da independência económica e para o fortalecimento da capacidade nacional de resposta aos desafios do desenvolvimento. O tema foi abordado como parte integrante da reflexão conjunta entre os dois partidos. As reformas em curso foram apresentadas como um processo orientado para a criação de maior eficiência institucional, melhoria da gestão dos recursos públicos e reforço da capacidade do Estado em responder às necessidades da população. Roque Silva, que falava em conferência de imprensa conjunta depois das conversações entre as delegações dos dois partidos, sublinhou que o desenvolvimento económico só pode ser sustentável quando assente em instituições estáveis e num sistema de governação capaz de transformar recursos nacionais em benefícios concretos para os cidadãos, reforçando assim a ligação entre governação interna e cooperação regional. Roque Silva acrescentou ainda que estas reformas não podem ser dissociadas do contexto de cooperação com parceiros estratégicos como o ANC. Por isso, defendeu que a troca de experiências entre os dois partidos pode contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e para a consolidação de modelos de governação mais eficazes e orientados para resultados. “Não podemos construir ou consolidar a independência económica sem paz e estabilidade. Por isso, temos de trabalhar todos juntos e unidos para consolidar a paz e a estabilidade”, enfatizou, acrescentando que a consolidação da estabilidade política, económica e social exige compromisso e engajamento colectivo de todos os segmentos da sociedade, principalmente dos actores políticos, instituições do Estado e da sociedade em geral. Para sustentar, o secretário-geral da FRELIMO destacou que a cooperação com o ANC reforça a importância de uma visão partilhada de desenvolvimento assente na experiência histórica comum dos dois movimentos de libertação e na necessidade de responder aos desafios actuais com maior coordenação estratégica. “Como tem transmitido o camarada Presidente Daniel Francisco Chapo, conquistámos as nossas independências, mas a tarefa ainda não terminou. É preciso criar prosperidade para os nossos povos”, declarou, tendo depois vincado que a visão central do actual ciclo governativo e histórico é assegurar que os ganhos da independência se traduzam em benefícios económicos concretos e sustentáveis para as populações de Moçambique e da África do Sul. Transformação económica Por sua vez, Fikile Mbalula reafirmou a relação histórica entre os dois movimentos de libertação, sublinhando que a actual cooperação entre os dois partidos e países deve ser entendida como continuidade de uma luta comum marcada por sacrifícios, solidariedade e objectivos partilhados. O dirigente do ANC lembrou que a relação entre a FRELIMO e o seu partido não é circunstancial nem apenas diplomática, outrossim, resulta de uma trajectória histórica profunda, construída durante a luta contra o colonialismo e o apartheid, período em que ambos os movimentos partilharam apoio político, logístico e humano. Essa herança, segundo o dirigente, continua a ser um pilar fundamental da relação actual, influenciando a forma como os dois partidos articulam as suas posições e definem estratégias conjuntas para o futuro da região. “A nossa é uma ligação forjada pela luta e selada por muitos sacrifícios”, afirmou o secretário-geral do ANC, acrescentando ainda que a cooperação entre a FRELIMO e o ANC deve continuar a ser fortalecida através de mecanismos institucionais que garantam a continuidade do diálogo político e a partilha de experiências de governação, defendendo que a memória da luta de libertação deve ser preservada como elemento orientador das políticas actuais. “A solidariedade da luta deve transformar-se em prosperidade para os nossos povos”, declarou, reforçando a ideia de que o legado histórico comum deve servir como base para a construção de um futuro de desenvolvimento partilhado entre Moçambique e a África do Sul. Num outro desenvolvimento, Fikile Mbalula fez saber que Moçambique e a África do Sul têm condições estruturais para reforçar a integração económica, destacando, por isso, a importância de transformar matérias-primas em produtos acabados dentro da região como forma de aumentar a competitividade e gerar mais empregos. Sublinhou ainda que a ligação entre os dois países deve ser aprofundada através de corredores logísticos, comércio e investimento produtivo, aproveitando as vantagens geográficas e históricas já existentes. “A próxima fronteira é a industrialização e a beneficiação: produzir produtos acabados nos nossos países e não exportar apenas matéria-prima”, afirmou o secretário-geral do ANC, ao defender uma mudança estrutural no modelo económico da região. Mbalula referiu também que a cooperação entre a FRELIMO e o ANC deve servir como plataforma para acelerar projectos conjuntos de desenvolvimento, tendo, para isso, reforçado a visão de alinhar políticas económicas e criar mecanismos que facilitem a circulação de bens, serviços e pessoas no espaço regional. “Moçambique não é apenas um vizinho da África do Sul. É o nosso maior parceiro comercial no continente africano”, declarou, sublinhando que a relação entre os dois países deve ser cada vez mais estratégica e orientada para resultados económicos concretos. Xenofobia A questão da violência xenófoba contra cidadãos negros africanos, e que até ao fecho desta edição tinha já provocado o repatriamento de cerca de mil cidadãos moçambicanos, mereceu igualmente um comentário durante a conferência de imprensa conjunta. O secretário-geral do ANC, partido que governa a terra do rand, classificou o fenómeno como um desafio social e político, o qual exige respostas firmes dentro dos parâmetros da lei e do respeito pelos direitos humanos. Mbalula ressaltou igualmente que o combate à imigração ilegal deve ser feito através de mecanismos legais e administrativos, reforçando a necessidade de políticas públicas que conciliem segurança, ordem e respeito pela dignidade humana. “Somos um país de 60 milhões de habitantes. Muitas pessoas vêm ao nosso país e contribuem para o desenvolvimento económico, para a criação de riqueza”, afirmou, sublinhando que a diversidade étnica, racial e linguística faz parte da realidade sul-africana e deve ser gerida dentro de um quadro de convivência pacífica e institucional. O dirigente político explicou ainda que o episódio de violência contra estrangeiros não pode ser associado à visão do ANC nem à tradição de solidariedade que marcou a luta contra o apartheid. Daí que reafirmou que o ANC continua comprometido com os princípios de unidade africana, inclusão social e defesa dos direitos humanos. “Não queremos africanos tratados como animais ou cães”, condenou, para de seguida exortar à necessidade de o Governo sul-africano reforçar a aplicação da lei e a promoção de uma convivência baseada no respeito mútuo, sublinhando que a história comum de luta e sacrifício entre os povos da região deve servir como base para a construção de sociedades mais justas e solidárias. Centro de interpretação da matola Já na quinta-feira, o secretário-geral da FRELIMO e o seu homólogo do ANC exaltaram a história comum de luta pela libertação dos povos de Moçambique e da África do Sul, durante uma visita guiada ao Centro de Interpretação da Matola. Depois de percorrer o monumento e o centro, os dois dirigentes políticos sublinharam que a coragem, a determinação e o espírito de sacrifício da geração heróica devem continuar a inspirar os jovens de hoje, chamados a preservar e valorizar este legado histórico. Na ocasião, Roque Silva recordou que a génese da luta da FRELIMO e do ANC esteve sempre alicerçada na defesa dos interesses dos seus povos, afirmando que os valores que orientaram a conquista da independência política devem continuar a nortear as actuais gerações na batalha pela emancipação económica e pelo desenvolvimento sustentável. Segundo o secretário-geral da FRELIMO, os abundantes recursos naturais de Moçambique e a África do Sul dispõem devem constituir instrumentos para a melhoria efectiva das condições de vida das populações, traduzindo-se em mais oportunidades, bem-estar e prosperidade para todos. “Assim como no passado a FRELIMO e o ANC souberam unir-se em torno da causa da libertação dos seus povos, hoje devemos abraçar com igual determinação a missão de promover o desenvolvimento, combater a pobreza e construir sociedades mais prósperas e inclusivas. Devemos liderar pelo exemplo a luta pela independência económica, inspirados pelos ideais que orientaram os nossos heróis”, afirmou. Por seu turno, Fikile Mbalula destacou que as relações entre a FRELIMO e o ANC, bem como entre os povos moçambicano e sul-africano, assentam numa longa história de fraternidade, solidariedade e luta comum, constituindo um património político de enorme relevância para o fortalecimento da integração e da cooperação regional. O dirigente sul-africano afirmou que a sua visita a Moçambique representa uma oportunidade para aprofundar os laços históricos entre os dois partidos e reforçar a cooperação política, económica e social, em benefício dos povos dos dois países. “O ANC manterá para sempre uma dívida histórica de gratidão para com o povo moçambicano pela sua solidariedade inabalável durante os anos difíceis da luta. Hoje prestamos homenagem a figuras incontornáveis da nossa história, como Eduardo Mondlane, Albert Luthuli, Samora Machel, Oliver Tambo, Nelson Mandela e Josina Machel, cujo legado continua a iluminar o caminho das gerações presentes e futuras”, sublinhou. A visita do secretário-geral do ANC, Fikile Mbalula, terminou com uma visita à empresa Moçambique Dugongo SA, com capacidade de produção diária de 5.000 toneladas e uma unidade de produção de energia térmica de 3×12 MW, com um investimento total de 260 milhões de dólares. |
Esta fábrica tem também uma capacidade de produção anual de 2 milhões de toneladas de cimento e um valor de produção anual de 220 milhões de dólares americanos. A empresa está localizada na Vila da Bela Vista, distrito de Matutuíne, escassos 60 km a sul da capital moçambicana, Maputo.
Fonte: Jornal Publico