VM7, candidato único confirmado presidente na Convenção do ANAMOLA: Novinte proibido de concorrer com Venâncio

by Biston Gule

O político e mobilizador do ANAMOLA na província de Nampula, Raul Novinte, acusou o partido de adoptar práticas antidemocráticas e de sufocar a participação interna, afirmando que esta formação política liderada por Venâncio Mondlane, vulgo VM7, é “pior que a Frelimo” no que diz respeito à gestão da diversidade de opiniões. As declarações de Novinte foram feitas ao MAGAZINE Independente à margem do decurso da 1ª Convenção Nacional do ANAMOLA, realizada na cidade de Nampula, durante uma conversa telefónica mantida com a nossa Redacção, na qual o político diz não ter sido convidado a participar no evento. Aliás, o ANAMOLA procura consolidar a sua estrutura interna, após a eleição de Venâncio Mondlane como presidente do partido, onde apareceu como candidato único. A 1ª Convenção Nacional do ANAMOLA, realizada na cidade de Nampula de 20 a 22 de Junho corrente, assinala um momento fundamental na consolidação da democracia interna desta nova formação política no panorama moçambicano, sendo a eleição do presidente do partido considerada um dos pontos mais significativos do evento.

Raul Novinte, uma das figuras que esteve envolvida no processo de mobilização e implantação do ANAMOLA ao nível provincial, particularmente na província de Nampula, manifestou o seu interesse em concorrer à liderança do partido, mas, segundo esclareceu, nunca chegou a ser formalizada através dos mecanismos internos previstos, pois desencadeou-se uma série de resistências e perseguições por parte de alguns membros da organização que não quis revelar. “Vários militantes passaram a me combater internamente, numa actuação coordenada, embora desconheça a origem das orientações que motivaram tais acções. Houve uma campanha para me desacreditar e afastar. Não sei de onde vinham as ordens, mas havia claramente uma intenção de impedir qualquer voz alternativa dentro do partido”, referiu.

Para Novinte, estes acontecimentos revelam uma contradição entre o discurso público da organização e as práticas adoptadas no seu funcionamento interno, considerando que o partido falhou em criar um ambiente de abertura e pluralismo, valores que diz terem sido defendidos durante o processo da sua criação. “O ANAMOLA tornou-se um partido antidemocrático. Infelizmente, está a demonstrar comportamentos que chegam a ser piores do que aqueles que critica na Frelimo”, declarou. Segundo sustenta, a sua exclusão do encontro demonstra a existência de um processo de afastamento selectivo de quadros que manifestam opiniões diferentes da linha dominante. Raul Novinte, que sacrificou a sua carreira política na Renamo, onde chegou a ser edil da cidade de Nacala, não sabe ao certo da sua situação no ANAMOLA, depois de ser proibido de concorrer à presidência do partido com Venâncio Mondlane. VM7, candidato único confirmado presidente do partido A abertura dos trabalhos, marcada por uma marcha seguida de um comício, teve um forte simbolismo político, traduzindo a intenção de mobilização e afirmação pública da estrutura partidária junto dos seus membros e simpatizantes. 

Ao longo dos três dias do encontro, a agenda incluiu a discussão e revisão dos estatutos, regulamentos internos e outros instrumentos normativos, num processo descrito pela organização como aprofundado e orientado para a consolidação institucional. O partido ANAMOLA encerrou esta segunda-feira a sua 1ª Convenção Nacional, realizada na cidade de Nampula, com a eleição de Venâncio Mondlane como presidente da formação política, num processo em que foi o único candidato à liderança. A eleição do presidente daquela formação política, que aconteceu no último dia dos trabalhos, formalizou a escolha interna já antecipada ao longo da Convenção, marcada por debates sobre os estatutos, regulamentos internos e a estrutura organizativa do partido. O processo contou com a participação de delegados provenientes de várias regiões do País, num ambiente descrito pela organização como de consolidação institucional.

No seu discurso após a eleição, Venâncio Mondlane, que dirigia o partido interinamente, sublinhou que o momento representa o início de uma nova fase para o partido, centrada na organização interna e na construção de uma alternativa política consistente no panorama nacional. O novo presidente do ANAMOLA destacou a necessidade de reforçar a coesão entre os membros, apelando à disciplina partidária e à participação activa das bases na definição das principais orientações políticas. Mondlane afirmou ainda que o partido deve assumir-se como uma força de transformação, com foco na proximidade às populações e na resposta aos desafios sociais e económicos do País.

O recém-eleito líder partidário reiterou também a intenção de preparar a estrutura partidária para futuros processos eleitorais, defendendo que a credibilidade política dependerá da capacidade de organização interna, transparência nas decisões e envolvimento das comunidades. A Convenção, que decorreu ao longo de três dias numa unidade hoteleira da cidade de Nampula, ficou igualmente marcada pela aprovação dos instrumentos internos do partido e pela eleição do Conselho Nacional e da Comissão Executiva. O actual líder do ANAMOLA, que discursava num comício no primeiro dia da Convenção, lembrou de conversas com o antigo líder histórico da Renamo, Afonso Dhlakama, a quem se referiu como “pai”, em encontros na serra da Gorongosa, em 2017 e 2018. “Dhlakama liderou a Renamo durante 39 anos, desde 1979 até à sua morte, em Maio de 2018, período em que se afirmou como principal figura da oposição em Moçambique”, disse.

Venâncio Mondlane recordou ainda o momento que se candidatou às eleições autárquicas na cidade de Maputo, em 2018, relatando um encontro com Dhlakama, durante o qual disse que o então líder da Renamo validou o seu plano político. Segundo o líder da ND, Salomão Muchanga: Refundação do Estado deve resultar em segunda Independência nacional À porta das celebrações dos 51 anos da Independência nacional, no dia 25 de Junho, o líder do partido Nova Democracia (ND), Salomão Muchanga, defende que é necessário que cidadãos, organizações da Sociedade Civil, comunidades, movimentos políticos e todas as forças vivas da nação construam um amplo consenso nacional em torno de um projecto de refundação do Estado, à luz do Diálogo Nacional Inclusivo em curso. “Precisamos de uma segunda Independência nacional, porque os libertadores de 1964 tornaram-se novos opressores do povo moçambicano”, diz Muchanga, sublinhando que o projecto de refundação do Estado deve resultar em segunda Independência de Moçambique.

Contextualizando a sua posição, o líder da ND recuou para afirmar que após a Independência nacional muitos dos que assumiram o poder passaram a reproduzir práticas semelhantes às dos antigos colonizadores. “Seduzidos pelos privilégios, pelas mordomias, pelos banquetes e pelos benefícios do poder, herdaram e aperfeiçoaram mecanismos de repressão, exclusão e exploração”, disse Salomão Muchanga, para quem “hoje, a realidade nacional é uma amarga contradição: aqueles que libertaram o País do colonialismo transformaram-se numa nova elite dominante. Os libertadores de ontem tornaram-se os opressores de hoje”. Sustentou que “utilizam a Polícia, os ‘esquadrões da morte’ para intimidar, perseguir e silenciar cidadãos que exigem direitos, justiça e liberdade. Jovens são perseguidos, torturados ou ameaçados por ousarem questionar os detentores do poder”.

A dado passo, o líder da Nova Democracia referiu que os colonizadores pretos entregam os recursos estratégicos da nação às multinacionais, recebem os dividendos da exploração e deixam as comunidades mergulhadas na pobreza, no abandono e na desesperança. “Arrancam as terras das populações para explorar ouro, gás, petróleo, rubis, carvão e areias pesadas. Enriquecem as suas contas bancárias, expandem os seus impérios económicos e consolidam o seu poder político. Entretanto, as comunidades afectadas dormem ao relento, vivem sem escolas, sem hospitais, sem água potável e, muitas vezes, morrem à fome”, refere Muchanga.

Acrescentou que os colonizadores pretos transformam instituições públicas em instrumentos de dominação partidária; capturam o Estado, partidarizam a Função Pública e viciam órgãos fundamentais da República, incluindo instituições eleitorais, para garantir a perpetuação do poder. “Endividam milhões para financiar privilégios de uma minoria, enquanto transferem os custos para a população. O povo paga a dívida, suporta a inflação, enfrenta o desemprego e vive a degradação dos serviços públicos”, disse frisando que “no mesmo contexto em que os governantes acumulam riqueza, milhões de moçambicanos continuam a morrer por falta de hospitais, são marginalizados pela ausência de escolas de qualidade e excluídos pela escassez de oportunidades de emprego”.

Sublinhou também que a primeira Independência libertou o território, porém, grande parte do povo continua sem acesso efectivo à liberdade económica, à justiça social e à dignidade humana. Por isso, segundo Muchanga, o povo moçambicano enfrenta hoje um novo desafio histórico: organizar-se, unir-se e mobilizar-se para uma segunda Independência. “Não se trata de uma luta contra um poder estrangeiro, mas de uma luta contra a corrupção, a captura do Estado, a exclusão social, a pobreza estrutural e a apropriação privada dos recursos públicos”, anotou.

Fonte: MagazineIndependente

You may also like

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00