Padre Novais Amado, além de polígamo, ostentava um património muito acima dos seus rendimentos, enquanto um grupo de irmãs usurpou colégios, imóveis e viaturas da Igreja … Na Diocese de Quelimane havia padres pedófilos, já identificados por Citora O princípio da noite do dia 05 de Junho de 2026, uma sexta-feira, parecia comum para o bispo de Diocese de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso. Como era habitual, entre as 20 e 21 horas, dirigiu-se à mesa de jantar com mais três clérigos, que com ele viviam na residência episcopal. No total, eram quatro padres que viviam com o prelado no paço episcopal. Segundo apurou o SAVANA, em falta estava o padre Novais Amado, que, nos últimos dias, passava mais tempo fora da Diocese, não ao serviço da Igreja, mas em actividades privadas, mas que envolviam negócios pouco condizentes com o estatuto de padre. Em violação das normas da Igreja Católica, o padre Novais Amado é polígamo. Tem duas mulheres. Uma delas, cujo nome o SAVANA omite deliberadamente, é funcionária de um banco comercial local, com a qual Novais tem uma filha menor.
Até ao dia do crime, a Diocese de Quelimane tinha um guarda que garantia a segurança. O vigilante, que estava em serviço no dia crime, é um antigo desmobilizado das antigas Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM). Na noite dia 05, o guarda em alusão, assim como o jardineiro da residência episcopal, estiveram a consumir bebidas alcoólicas, supostamente providenciadas pelo Padre Novais Amado, agora detido. Pouco tempo depois do jantar, dois padres despediram-se do bispo e foram aos seus aposentos descansar. Os quartos destes ficam separados do edifício principal, onde residia Dom Osório Citora. O outro ficou com o bispo. Neste momento está sob investigação. Presume-se que os criminosos que vitimaram o bispo entraram na residência episcopal por volta das 23 horas. Portanto, Dom Osório Citora não foi assassinado na madrugada do sábado, mas na noite da sexta-feira.
Quando foi atingido, trazia consigo uma maçã, que se presume que tenha sido a sobremesa depois do jantar. Estranhamente, o corpo de Dom Citora só foi descoberto cerca das cinco horas da manhã pelas irmãs diocesanas. Nenhum dos três padres com quem estava naquela noite apercebeu-se que o clérigo tinha sido baleado. Foi nessa altura que se comunicou à perícia do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que de imediato deslocou-se ao local. Os exames feitos no sítio concluíram que todas as células humanas do bispo estavam mortas e o corpo já estava endurecido. Segundo especialistas em medicina legal, são necessárias cinco horas para que todas células humanas se desliguem completamente. Portanto, assinalam que se o Dom Osório Citora tivesse sido assassinado pela madrugada, o corpo estaria ainda mole, porque, parte do sangue estaria ainda em circulação.
Em conclusão do assassinato do bispo, estão detidos três indivíduos. O padre Novais Amado, o jardineiro e o segurança. Novais é descrito como principal suspeito pelo assassinato do Dom Osório Citora. Após a sua exoneração, no dia 01 de Junho, sem comunicar à Diocese, o padre Novais Amado viajou para Maputo, onde se supõe que tenha ido negociar com o assassino material do bispo e regressou a Quelimane no dia 04 de Junho, um dia antes do assassinato. Da saída do Dom Hilário Massinga No dia 25 de Janeiro de 2008, Dom Hilário da Cruz Massinga foi indicado, pelo Papa Bento XVI bispo da Diocese de Quelimane. Dirigiu o bispado por um período de 15 anos até que em Agosto de 2023 pediu para resignar. Alegou problemas de saúde e pediu para ser transferido para a sua terra natal, Inhambane, onde foi assumir o cargo de bispo auxiliar da Diocese. Contudo, ao que o SAVANA apurou, Massinga deixou a Diocese devido a um conjunto de problemas que marcavam o dia-a-dia da instituição.
Nessa altura, Dom Hilário Massinga travava uma guerra renhida com alguns membros da Igreja, sobretudo irmãs e padres, oriundos da Zambézia, que se tinham unido para espoliar o património da Igreja Católica em benefício próprio. Por exemplo, a irmã Justina Mário Camilo ficou com a escola da Diocese denominada Colégio Nossa Senhora da Visitação; depois de se apoderar, mudou o nome para a Escola Goivos Turmalina, que actualmente lecciona da Primeira à 12ª Classe. A irmã Justina Camilo também ficou com alguns imóveis da Igreja e colocou em nome de familiares. Por outro lado, ainda no tempo do Dom Hilário Massinga, a irmã Idalina Patia ficou com a Rádio Nova Paz, que era também da Diocese.
Mediante os factos e outras situações, Dom Hilário Massinga tinha iniciado um processo visando a recuperação de todos bens espoliados da Igreja. Para tal, nomeou o padre Novais Amado como Cancelar e Administrador da Diocese e deu a responsabilidade de recuperar Com a chegada do Dom Osório Citora, a irmã Justina Camilo solicitou uma audiência e apresentou a sua versão dos factos sobre as clivagens com o Dom Hilário, na esperança de que o processo da espoliação dos bens da Igreja iria findar. Mas, para infelicidade desta, o bispo informou que mandaria investigar todos os factos incluindo de outros padres, que geriram a Diocese durante o período em alusão.
O inquérito ordenado por Dom Osório Citora chegou à conclusão de que, para além do Colégio Nossa Senhora de Visitação, a irmã Justina Camilo apoderou-se de um imóvel da Diocese, que depois registou em nome dos seus familiares nomeadamente: Cheila Patrício Lino Paulo, Clara João Sotomane Randeso, Bertinha Selemene, Byocesse Idalina Daniel, Jaquelina Maria Edmundo Matilde Biale, Maria João, Dulce Gimo, Rute Alfândega e Mariana Alige. A Irmã Justina Camilo também se apoderou de quatro viaturas pertencentes à Diocese de Quelimane com as matrículas ADG 033 MP; ACJ 732 MP; AD G038 MC e ALG 411 MC. O assunto chegou à Justiça, onde através do Processo número 263/SIC/TJPZ/2025, Justina Camilo foi acusada, pelo Tribunal Judicial da Província da Zambézia, (TJPZ) de prática de crimes de abuso de confiança e de furto qualificado todos previstos e punidos nos termos do Código Penal vigente em Moçambique.
O TJPZ também ordenou a devolução de todos bens espoliados da Diocese de Quelimane. O SAVANA sabe que a irmã Justina Camilo não se conformou com a acusação da primeira instância e recorreu junto ao Tribunal Superior de Recurso de Nampula. Mesmo com o recurso, a Diocese de Quelimane solicitou, à Justiça, que os bens da Igreja fossem retirados da irmã Justina Camilo sob o risco de esta dissipar-se dos mesmos ou, caso contrário, enquanto o processo segue seus trâmites legais nas instâncias judiciárias superiores, devia deixar uma garantia depositando uma caução no valor de 68 milhões de meticais, facto que prontamente foi aceite pelo TJPZ.
Na realidade, a informação de que a irmã Justina Camilo seria condenada a devolver os bens da Igreja chegou-lhe muito antes, por via de pessoas ligadas ao Tribunal, assim como da própria Diocese, tendo esta ocultado todas as viaturas. O Dom Osório Citora fazia pressão no sentido de que, enquanto os bens em alusão não estivessem na posse da Justiça, os 68 milhões de meticais de caução deviam ser depositados na conta do Tribunal. No entanto, a irmã Justina Camilo terá recorrido, em conluio com oficiais da Justiça, a expedientes fraudulentos e manobras dilatórias para evitar o pagamento, facto que se terá verificado até ao assassinato do bispo.
Fonte: Savana