A Escritora Paulina Chiziane foi recentemente distinguida nos Estados Unidos pela Associação de Literatura Africana naquele país, que a considerou uma autora de excelência na criatividade narrativa e com contributo notável pelos direitos humanos e liberdade de expressão.
Na gala do Prémio Anual da agremiação, que teve lugar no estado do Tennessee, foram destacadas as qualidades da moçambicana, nomeadamente a sua escrita centrada na vida das mulheres e nas suas experiências com a emigração e a dependência económica em relação aos maridos, famílias e às comunidades.
“Ela tem denunciado veementemente a forma como as relações de poder de género estão implicadas na produção, regulação e consumo da diferença e da resistência no mundo pós-colonial”, leu Luís Madureira, académico e especialista em estudos africanos baseado nos Estados Unidos.
Luís Madureira, que nasceu em Nampula e vive há décadas na América, lidera o Departamento de Estudos Culturais Africanos na Universidade de Wisconsin-Madison.
Foi ele quem fez a cerimónia de atribuição do prémio, quem proferiu o discurso de apresentação da autora moçambicana e os fundamentos para a sua escolha como vencedora do Prémio Fonlon-Nichols, a distinção da Associação de Literatura Africana que este ano escolheu premiar Paulina Chiziane.
Madureira descreve ainda Paulina como quem assenta a sua obra numa dupla recusa: “submeter-se às restrições de género da escrita engajada ou comprometida, amplamente associada à construção militante da consciência nacionalista e revolucionária de Moçambique. Por outro lado, rejeita consistentemente a terminologia que descreve o tipo de ficção narrativa geralmente privilegiada no Ocidente e mais frequentemente seleccionada para distribuição global”.
O diploma que atesta a distinção da escritora moçambicana foi recebido na cerimónia pelo seu compatriota e jornalista Amâncio Miguel, que reside em Alexandria, no estado da Virgínia.
Fonte: Jornal noticias