Deficiências nas instalações eléctricas continuam a ser a principal causa dos incêndios registados na cidade. Aliás, estima-se que cerca de 90 por cento das ocorrências resultam de curtos-circuitos provocados por ligações eléctricas deficientes e, em muitos casos, por ligações clandestinas à rede de energia.
Apesar do predomínio desta causa, o porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) em Sofala, Fernando Meque, esclareceu que existem outros factores que também contribuem para a eclosão de incêndios, sobretudo situações de negligência no manuseamento de fontes de ignição.
“As ocorrências mais frequentes têm sido provocadas por curtos-circuitos. No entanto, também registamos incêndios causados por velas, isqueiros e pelo descarte inadequado de beatas de cigarro. Quando uma beata é lançada num local impróprio, principalmente, durante a noite, pode facilmente dar origem a um incêndio. Infelizmente, chegámos a registar uma vítima mortal no bairro da Manga em consequência de uma situação desta natureza”, lamentou.
Meque referiu ainda que “no presente ano, nos primeiros seis meses tivemos o registo de 44 casos, contra 33 do igual período do ano transacto, o que significa que tivemos uma subida em 11 casos. Isso nos preocupa bastante, porque estamos sempre a promover campanhas de sensibilização contra incêndios, e temos deixado ficar medidas para prevenção, mas mesmo assim há muita relutância por parte da população em não seguir as medidas”, explicou.
No entanto, o porta-voz assegurou que o SENSAP vai reforçar as campanhas de sensibilização junto das comunidades, com o objectivo de reduzir, ou mesmo eliminar, os incêndios provocados por negligência humana, que continuam entre as principais causas das ocorrências registadas.
A instituição pretende, igualmente, intensificar a fiscalização do uso e do estado de conservação dos extintores de incêndio em viaturas, instituições públicas e privadas, garantindo que estes equipamentos estejam operacionais e possam ser utilizados em situações de emergência.
Segundo a fonte, paralelamente às acções de fiscalização, o SENSAP continuará a promover formações dirigidas aos colaboradores das instituições, capacitando-os para a utilização correcta dos extintores e para a adopção de procedimentos adequados de prevenção e resposta a incêndios.
Relativamente às restantes áreas de intervenção, o porta-voz destacou uma redução em alguns indicadores operacionais durante o primeiro semestre do ano. Entre eles, os casos de naufrágio e as operações de remoção de corpos em locais confinados.
“Nos primeiros seis meses deste ano não registámos nenhum caso de naufrágio, enquanto no mesmo período do ano passado ocorreu um. Também verificámos uma redução nas remoções de corpos em lugares confinados, passando de 15 para 10 casos, menos cinco ocorrências em relação ao período homólogo”, afirmou.
Apesar dos resultados encorajadores, o porta-voz considera que o maior desafio continua a ser a consciencialização da população. Na sua perspectiva, a prevenção depende, em grande medida, da mudança de comportamento e da adopção de práticas seguras por parte das comunidades, reduzindo os riscos de incêndios e de outras situações de emergência.
Perante este cenário, as autoridades apelam à adopção de medidas preventivas, como a realização de instalações eléctricas seguras, o combate às ligações clandestinas e o uso responsável de velas, isqueiros e outros materiais inflamáveis, de modo a reduzir a incidência de incêndios e evitar perdas humanas e materiais.
Fonte: Jornal Noticias