Até o fecho da Mozal: Exportações de alumínio rendem 371,4 milhões de dólares

by Telma Mandlate

As exportações de alumínio de Moçambique renderam 371,4 milhões de dólares no primeiro trimestre, após o recorde de 2025 e antes do encerramento, em Março, da Mozal, maior indústria nacional e uma das maiores fundições em África.

De acordo com o mais recente relatório do Banco de Moçambique, as vendas externas de barras de alumínio renderam 371,4 milhões de dólares entre Janeiro e Março deste ano, mantendo-se como o principal produto da indústria transformadora nacional.

Em 2025, as exportações de barras de alumínio atingiram um máximo histórico de 1346,9 milhões de dólares, representando um crescimento de quase 20 por cento face aos 1126,1 milhões de dólares registados em 2024 e comparando ainda com os 1100,5 milhões de dólares de 2023.

A exportação de barras de alumínio por Moçambique vinha a crescer e o Banco Central explicou, num relatório anterior, que este aumento foi “impulsionado tanto pelo aumento dos preços como pelo crescimento do volume exportado”.

A australiana South32, que lidera aquela fundição, confirmou em 16 de Março que a Mozal entrou em regime de manutenção e conservação no dia anterior, após não conseguir garantir um fornecimento de energia considerado suficiente e competitivo para manter a produção.

“Nos últimos seis anos, envolvemo-nos extensivamente com o Governo da República de Moçambique, com a Eskom [sul-africana que compra energia a Moçambique e a vendia à fundição] e com outras partes interessadas, mas não conseguimos garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a Mozal, além de Março de 2026”, justificou então o director-executivo da South32, Graham Kerr.

A empresa estimou em 60 milhões de dólares os custos associados à suspensão da actividade, incluindo a rescisão de contratos, enquanto a manutenção da fundição deverá custar cerca de cinco milhões de dólares por ano.

“Embora este não seja o desfecho que desejávamos, orgulharmo-nos da história e da contribuição significativa que a Mozal deu à comunidade local e à economia moçambicana nos seus 25 anos de operação”, acrescentou Kerr.

A fundição empregava mais de 1000 trabalhadores directos e cerca de 4000 indirectos, sendo um dos principais motores industriais do país.

Ainda antes da suspensão da actividade, pelo menos cinco empresas tinham já encerrado operações e dezenas de outras avaliavam medidas semelhantes no Parque Industrial de Beluluane, devido à dependência da Mozal.

Fonte: Jornal Notícias

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