Crónicos problemas operacionais da LAM desorganizam o Moçambola: A história repete-se…!

by Biston Gule

Quando tudo apontava que o clima de suspeição que caracteriza o Moçambola, principalmente desde o ano passado, estava finalmente ultrapassado, com a entrada em cena de duas empresas de gabarito, nomeadamente Cervejas de Moçambique (CDM), que disponibilizou 65 milhões de meticais para a viabilização da prova, e a Emose, a realidade tem vindo a desmentir tudo. Com efeito, no ano passado, o certame conheceu uma paralisação forçada depois de se disputar a quinta jornada, ao que surgiu uma aparente luz no fundo do túnel. Porém, nove jornadas depois, assistiu-se a outros adiamentos, situação que levou a Liga Moçambicana de Futebol a dar por terminada a competição sem que efectivamente tivessem sido realizadas todas as partidas devido às dificuldades financeiras e administrativas. No caso faltavam ainda por disputar duas jornadas. Uma situação antes nunca vista.

O resultado disto é que, se o campeão nacional foi justo vencedor, o posicionamento das últimas equipas na tabela podia ser diferente. Neste ano, a despeito de a prova continuar a ser disputada no modelo clássico de todos contra todos, em duas voltas, teve outra particularidade: a introdução de jornadas duplas, visando reduzir os custos logísticos com as viagens e alojamento. O que permitiria, segundo os cálculos da Liga, poupar-se mais de 70 milhões de meticais. Paralelamente, esta instituição rubricou, a 15 deste mês, um acordo com a Vulcan Moçambique, no qual esta empresa mineradora compromete-se a disponibilizar, durante um ano, fundos para custearem o transporte de equipas que tomam parte no certame. Mas, apesar destas iniciativas, a prova continua a sofrer vários reveses, isto devido aos graves problemas operacionais que a LAM enfrenta, os quais ditam cancelamento, reajuste e reprogramação de voos.

A título elucidativo, em comunicado datado de 15 de Julho, assinado pelo seu director executivo, Marcelino Tovela, a Liga faz menção ao adiamento de alguns jogos referentes à 10ª e 11ª jornadas, “por motivos logísticos e operacionais”, sendo que os mesmos seriam remarcados oportunamente. Referimo-nos às partidas, Associação Black Bulls–Ferroviário de Lichinga; Ferroviário de Nampula–União Desportiva do Songo (10ª jornada) e Ferroviário de Maputo– Ferroviário de Lichinga e Ferroviário de Nacala–União Desportiva do Songo (11ª). Assim, apenas foram realizadas nas datas inicialmente programadas as partidas, Maxaquene–AD Vilankulo (1-1) e Costa do Sol–AD Vilankulo (2-1), referentes às duas jornadas. E se houve algumas situações em que o adiamento de partidas deveu-se ao facto de a Liga não ter feito atempadamente o pagamento dos bilhetes, neste último caso, pode-se depreender que a culpa recal sobre a própria empresa Linhas Aéreas de Moçambique, detentora dos aviões que transportam as equipas.

O que significa que, enquanto os problemas operacionais persistirem, o Moçambola vai continuar a sofrer interrupções inesperadas. Antecedentes Durante longo período de tempo, o Moçambola foi conhecendo paragens não programadas, em parte devido às dificuldades dos patrocinadores em desembolsar os valores para a realização da prova. Igualmente, não se pode descurar a crise que afecta a empresa LAM, a transportadora aérea das equipas do Moçambola. Uma crise que se faz sentir há já muito tempo, tendo, num passado recente, obrigado a Liga Moçambicana de Futebol a fazer uma espécie de reengenharia em vários capítulos de forma a que a competição chegasse ao fim. Com efeito, para além do cancelamento de viagens, os atletas chegavam a pernoitar nos bancos dos aeroportos, sem descurar outras situações que simplesmente ensombravam a prova. Ora foi no meio deste cenário desconfortável que a Liga realizou a sua Assembleia Geral Ordinária, do ano passado, tendo-se avançado com o 29 de Março como o dia do início do certame. O que não aconteceu, sendo que só viria a arrancar a 17 de Maio.

Enquanto isto, devido à falta de clareza da situação da LAM, em termos de disponibilidade de aeronaves, alguns sectores chegaram a equacionar o plano “B”. Este plano consistia na realização do Moçambola em termos regionais, no caso vertente, regiões Sul, Centro e Norte, sendo que as equipas apuradas jogariam, na fase posterior, todas contra todas em duas voltas. Só assim seria encontrado o campeão nacional. Na prática, segundo as projecções feitas, este figurino diminuiria o número de deslocações e, consequentemente, os custos em transporte, uma vez que mais de metade das despesas da prova é gasta em transporte aéreo. E a verdade não demorou a aparecer, pois, cinco jornadas depois do arranque do Moçambola, este viria a conhecer a sua primeira paralisação, como já fizemos referência. A Liga precisava, na altura, de cerca de 100 milhões de meticais para garantir a continuidade da prova, especialmente para o pagamento do transporte aéreo, depois que a nossa companhia aérea de bandeira havia decidido suspender as passagens aos clubes participantes na prova. Tudo isto porque aquele organismo não tinha efectuado o pagamento dos valores dos bilhetes.

Porque não tinha. Consta que do orçamento inicial de perto de 180 milhões de meticais para viabilizar a prova, 64,7% era destinado ao transporte aéreo, ou seja, pouco mais de 116 milhões de meticais, um valor que aumentou em relação aos anos anteriores, mesmo devido à retirada da bonificação à metade da passagem de cada membro das delegações. Era um balde de água fria o facto de a maior competição futebolística nacional não ter pernas para andar por falta de fundos. Solução ad hoc Começou assim um curto, mas penoso trabalho a todos os níveis, marcado por encontros entre a direcção da Liga e os patrocinadores. E foram surgindo alguns sinais de que a situação seria ultrapassada. Pelo menos momentaneamente. Aliás, a própria direcção da Federação Moçambicana de Futebol e o Ministério da Juventude e Desporto não poupavam esforços em busca de soluções mais viáveis e consentâneas com a situação.

A preocupação incomodou, e de que maneira, o presidente da República, Daniel Chapo, que fez um vigoroso apelo ao empresariado para que abraçasse o Moçambola. Chapo estava ciente de que qualquer apoio seria apenas uma solução ad hoc, daí avançou que seria promovida uma reflexão alargada do desporto, tal como chegou a acontecer no mandato de Gilberto Mendes. Claramente para identificar soluções duradouras que assegurem a sustentabilidade e competitividade do Moçambola e, quiçá, de outras modalidades. De salientar que, num passado recente, o antigo presidente da República, Filipe Nyusi, teve de intervir, fazendo apelos ao empresariado para que o Moçambola não parasse, face às dificuldades que a Liga vinha enfrentando. E chegou a afirmar que o Moçambola não era uma actividade de uma pessoa, de um grupo de pessoas, de uma liga ou direcção, mas sim do povo moçambicano. “Quero tentar fazer parte da solução.

Por ser do povo, e como não queremos interromper as aspirações do povo, vamos fazer esforço para ajudar para que este Moçambola chegue ao fim”, disse, assegurando que o governo iria mobilizar apoios e recursos necessários para a sua continuidade, mas sem interferir nas regras da FIFA ou da competição definidas pela Federação Futebol ou da Liga. E, infelizmente, tem sido desta forma titubeante que o Moçambola vem sendo disputado. Palmas para a Espanha…! A Espanha é a actual campeã mundial de futebol depois de derrotar a Argentina por 1 a 0, na final realizada em East Rutherford, nos Estados Unidos. O tento que garantiu a taça foi apontado por Ferran Torres, no prolongamento, consagrando o domínio táctico e colectivo da selecção espanhola ao longo da partida.

Foi uma vitória merecida de uma selecção que ao longo do torneio se apresentou em grande nível, tendo vencido a fortíssima França (2-0); Bélgica (2-1); Portugal (1-0), Áustria (3-0) e Uruguai (1-0). E contrariamente a algumas selecções que estiveram no Mundial que capitalizam as qualidades de um ou dois jogadores, o sucesso da Espanha baseou-se na coesão do grupo. O seu treinador, Luis de la Fuente, assumiu o comando da equipa principal em 2023, levando a La Roja a conquistar a Liga das Nações e a Euro. De referir que a Espanha conquistou o seu primeiro título em 2010, na África do Sul, depois de vencer na final a Holanda, por uma bola sem resposta, com golo de Andrés Iniesta, aos 116 minutos do prolongamento. Na classificação final, a Argentina ficou em segundo lugar, enquanto que a Inglaterra ocupou a terceira posição. Presentemente, Espanha é também campeã mundial em femininos, proeza alcançada em 2023, o que prova o trabalho que aquele país está a realizar no futebol, nas suas várias vertentes. Com esta conquista, a Espanha torna-se bicampeã mundial de futebol, juntandose à França e ao Uruguai.

Fonte Jornal Savana

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