Ferroviário luta pela difícil “ressurreição”

by Sérgio Tinga

O Ferroviário de Maputo inicia esta tarde, no Campo do Afrin, na Matola, a batalha por vitórias para acompanhar o ritmo dos rivais, os ditos tradicionais candidatos ao título no Moçambola-2026, defrontando o seu homónimo de Lichinga, em jogo da 11.ª jornada.

O jogo coincide com o momento de pressão sobre a equipa técnica liderada por Carlos Manuel (Caló), que é chamado pela direcção do clube a apresentar melhores resultados do que registou até agora.

O Ferroviário soma oito pontos em igual número de jogos, ocupando a 10.ª posição, portanto quatro degraus acima do último classificado. Teve apenas duas vitórias, igual número de empates e sofreu quatro derrotas. Marcou apenas três golos e sofreu cinco. Resumindo, em 24 pontos possíveis só conseguiu apenas oito, um saldo de um ponto por jornada, portanto, abaixo das expectativas de um clube que pela sua grandeza sempre lutou por títulos, com destaque do Moçambola e da Taça de Moçambique.

Estes resultados levaram o presidente do clube, Ório Benzane, a endurecer o discurso na última entrevista que concedeu à nossa Reportagem, reflectida na edição de 22 de Junho. Na entrevista, desafia a equipa técnica a trazer, duma ou doutra forma, resultados, mesmo reconhecendo que a sua direcção não conseguiu reforços muito valiosos, sobretudo estrangeiros, apontando limitações financeiras para o efeito associadas ao grande investimento que o patrono do emblema verde-e-branco, os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), fez para a reabilitação e modernização do Estádio da Independência, ora Machava, cujas obras caminham para o fim.

O endurecimento do discurso e consequente pressão sobre a equipa técnica “locomotiva” surge numa fase em que o desempenho do Ferroviário não tem estado a melhorar.

Se estreou no Moçambola perdendo com a Associação Black Bulls (0-1). Perdeu de seguida com o Costa do Sol (0-1) e redimiu-se na jornada seguinte vencendo o Maxaquene (1-0). Empatou na quarta jornada com Chingale (0-0) e saiu derrotado na quinta pela União Desportiva do Songo (0-2). Venceu na ronda seguinte a Liga Desportiva de Sofala (2-0). Mas voltou a sofrer mais uma derrota frente ao Ferroviário da Beira (0-1), antes de empatar na sua última aparição (oitava ronda) com a ADV (0-0), somando até este momento apenas oito pontos.

Em igual número de jornadas do Moçambola-2025 o Ferroviário havia conseguido 14 pontos e não tinha sofrido derrota. Estreou-se empatando com o Ferroviário de Lichinga (1-1). Empatou também na ronda seguinte com a ADV (0-0), bateu nas duas jornada seguintes a UD Songo (3-2), Ferroviário de Nacala (2-0) e Textáfrica (3-0), e depois anulou-se sucessivamente com o Ferroviário da Beira (0-0), Baía de Pemba (0-0) e Black Bulls (0-0).

Portanto, é uma prestação aquém das expectativas, atendendo que o Ferroviário iniciou a presente época futebolística apostado na melhoria da sua prestação no Moçambola-2025, ao fim do qual teve mais empates (12) do que vitórias (sete), sofreu apenas quatro derrotas e terminou a prova em quinto lugar com 33 pontos, atrás da campeã União Desportiva do Songo (57), da vice-campeã Associação Black Bulls (39), do terceiro classificado Ferroviário da Beira (37) e do quarto posicionado Ferroviário de Lichinga (34).

Lembrar que o Ferroviário de Maputo não vence Moçambola desde 2016. O último título, em 2015, foi conquistado curiosamente por Caló.

Demos tudo o que o treinador pediu – Ório Benzane, Presidente Do Clube

O presidente do Ferroviário revelou-nos que deu tudo que o treinador pretendia com a contratação de mais dois jogadores nacionais na segunda janela de transferências recentemente encerrada.

A Direcção do Ferroviário contratou o médio-ofensivo Dário Melo, que já estava na mira dos “locomotivas” no início da temporada, depois de ter representado o Ferroviário da Beira na época passada. Mas deixou-o escapar para o Ferroviário de Nacala, tendo o recuperado na reabertura do mercado de jogadores.

Recuperou o médio polivalente Kamo-Kamo – joga como médio-ofensivo e extremo – após lesão contraída na União Desportiva do Songo, clube ao qual esteve vinculado em 2024 depois de ter regressado do futebol português, onde representou primeiramente o Vitória de Setúbal e por último a União Desportiva de Santarém.

Kamo-Kamo regressou, desse modo, ao clube que o formou e o projectou para o futebol fora de portas. Se estreou há duas semanas marcando um dos golos da vitória do Ferroviário sobre a Liga Desportiva de Maputo na Fase Regional da Taça de Moçambique.

Na pré-época os “locomotivas” da capital reforçaram-se com o atacante congolês Alidou Kayembe, que representou na temporada passada o Costa do Sol. Trouxeram do Tabankulu Celtics, do vizinho Eswatini, o médio-ofensivo Sanele Magwaza e o ponta-de-lança N’swati Bandile Shongwe.

Com estes atletas Ório Benzane entende que o Ferroviário pode lograr melhor desempenho do que registou até ao momento.

Aliás, deixou escapar que Caló foi avisado de que se as coisas não melhorarem até ao fim da primeira volta tal pode forçar a direcção do clube a cortar o vínculo contratual com o treinador. Segundo Benzane, o técnico tem a obrigação de levar até lá a equipa aos lugares cimeiros da tabela classificativa.

Fonte: Desafio

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