by Sérgio Tinga

O presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Feizal Sidat, respondeu duramente às recentes críticas do seleccionador nacional, Chiquinho Conde, afirmando que “ninguém é eterno na FMF, nem nos Mambas”. A declaração foi feita durante o balanço semestral das actividades da federação, no Auditório Ferdinand Wilson. O seleccionador Chiquinho Conde expressou recentemente duras críticas em relação à política de naturalização de jogadores. O técnico classificou o assunto como “um tema sensível” e manifestou publicamente o seu descontentamento com o perfil dos atletas escolhidos.

O presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Feizal Sidat, respondeu de forma áspera às recentes críticas do seleccionador nacional, Chiquinho Conde, durante o balanço semestral das actividades da federação, rematando em conferência de imprensa que “ninguém é eterno na FMF, nem nos Mambas”.

A troca de mimos tem a ver com a política que vem sendo implementada pela federação para as naturalizações dos jogadores com costela moçambicana, tendo Sidat defendido a prossecução e integração de jogadores naturalizados.

Segundo o presidente da FMF, o objectivo é alargar as opções tácticas e reforçar tanto o presente como o futuro da selecção nacional.

O timoneiro da casa-mãe do futebol frisou que não existem lugares cativos nos Mambas, reforçando que as convocatórias devem priorizar quem está em melhor forma, afirmando que a selecção precisa de ter soluções prontas, caso atletas titulares estejam lesionados ou indisponíveis.

Sobre a transitoriedade de cargos, Sidat disse que “hoje estou aqui, amanhã o Chiquinho pode deixar de ser treinador”.

O presidente da FMF deixou claro que a instituição e o futuro do futebol moçambicano estão acima de qualquer indivíduo ou cargo. Este posicionamento surge após meses de tensão e negociações complexas de renovação contratual, onde Chiquinho Conde contestou publicamente aspectos de planeamento e de gestão desportiva da federação.

Sidat defendeu a aposta na prospecção e na naturalização de futebolistas promissores (inclusive jovens de 17 a 24 anos), para garantir alternativas a médio e longo prazo caso ocorram lesões ou castigos de titulares, recordando que a identificação de novos atletas é uma competência do Departamento Técnico da federação, restando ao seleccionador escolher a quem convoca.

Chiquinho Conde já havia expressado duras críticas em relação à política de naturalização de jogadores, classificando o assunto como “um tema sensível”, e manifestou publicamente o seu descontentamento com o perfil dos atletas escolhidos.

O mister questionou o planeamento da Federação Moçambicana de Futebol, exemplificando com a vinda de um lateral-esquerdo. Sublinhou que para essa vaga, os Mambas já contam com Bruno Langa e Reinildo Mandava, tornando a contratação desnecessária.

O técnico critica também o facto de o processo estar focado, muitas vezes, em jogadores que militam na terceira divisão, o que não traz o salto qualitativo esperado para a selecção.

Para Chiquinho Conde, um jogador naturalizado deve apresentar qualidade acima da média em relação aos que já actuam no campeonato local (Moçambola) e possuir grande capacidade de resiliência para se adaptar à realidade moçambicana. Historicamente, isso fez com que Conde utilizasse apenas uma minoria destes atletas, como o caso de Pedro “Pepo” Santos.

FMF apresenta balanço semestral com foco em resultados, expansão e futuro

A primeira conferência de imprensa de 2026 destaca avanços na gestão institucional, selecções nacionais, formação, competições, infra-estruturas, licenciamento e desenvolvimento do futebol de base.

A FMF realizou semana passada a primeira conferência de imprensa do presente ano, uma iniciativa que serviu para apresentar o balanço dos principais resultados e realizações alcançados nos últimos seis meses, reafirmando a visão de uma Casa do Futebol cada vez mais estruturada, moderna e orientada para resultados.

Apresentado pelo presidente da FMF, Feizal Sidat, o informe percorreu as principais áreas de intervenção da instituição, evidenciando um período marcado por conquistas desportivas, reforço da capacidade institucional, investimento na formação e desenvolvimento de projectos estruturantes para o futebol moçambicano.

Entre os principais avanços na área de Administração e Finanças, destaca-se o incremento do apoio financeiro às Associações Provinciais de Futebol (APFs), que passou de 700 mil para 1 milhão de meticais, acompanhado pela entrega de material e equipamento informático às associações. A federação avançou igualmente com processos de auditoria aos fundos FIFA Forward 2025 e aos fundos gerais da instituição, reforçando a aposta em mecanismos de controlo e boa governação.

No domínio das parcerias e gestão das competições, a FMF consolidou novas alianças estratégicas, incluindo acordos para apoiar a qualificação da Selecção Nacional de Futsal para o CAN 2026, a parceria com a Caetano Equipamentos e a renovação do acordo de cedência dos direitos de gestão do Moçambola à Liga Moçambicana de Futebol.

Mambas e Mambinhas: resultados que projectam Moçambique

No capítulo das Selecções Nacionais, o período em análise fica marcado por momentos de particular relevância para o futebol moçambicano.

A participação histórica dos Mambas no CAN Marrocos 2025, com a conquista da primeira vitória num CAN (3-2, perante o Gabão), e a inédita presença nos oitavos-de-final constitui um dos grandes marcos recentes da Selecção Nacional Sênior.

A este resultado juntam-se a qualificação para o CAN de Futsal 2026 e a histórica qualificação da Selecção Nacional Sub-17 para o Mundial FIFA Qatar 2026.

Os Mambinhas reforçaram ainda esta trajectória, ao sagrarem-se bicampeões da Lusofonia, na Cascais LusoCup 2026, enquanto prossegue a preparação da Selecção Sub-20 para a Taça COSAFA, prevista para este mês de Agosto, nas Maurícias.

Investir hoje para transformar o futebol do amanhã

A formação surge como um dos pilares centrais da estratégia da FMF. Nos últimos seis meses foram desenvolvidos diferentes programas de capacitação, incluindo a conclusão do Curso CAF para treinadores em diferentes províncias, e o Curso CAF para treinadores, actualmente em curso em Maputo.

A agenda de capacitação estende-se igualmente ao futebol de praia, ao Safeguarding, à observação e identificação de talentos, e ao desenvolvimento do futebol amador, consolidando uma abordagem que procura levar conhecimento e oportunidades de formação para além dos grandes centros.

O desenvolvimento do futebol de formação e de base ganhou igualmente novo impulso com a realização do Festival de Futebol entre Bairros Sub-14, envolvendo 60 bairros de Maputo, Matola e Marracuene, o Festival Grassroots e a distribuição de bolas através do programa FIFA Football for Schools.

A FMF promoveu ainda o Torneio de Divulgação de Futebol Feminino Sub-16 e lançou o primeiro Campeonato Federado de Futebol Feminino Sub-17, numa visão integrada que procura criar um percurso sustentável para o desenvolvimento de jovens talentos, tanto no futebol masculino como no feminino.

Infra-estruturas e capacidade institucional

Na área de Projectos e Infra-estruturas, a FMF prosseguiu o trabalho de fortalecimento das condições de funcionamento do futebol nacional, com a aquisição de meios circulantes, a inauguração e entrega oficial da nova sede da Associação Provincial de Futebol de Maputo, o acompanhamento das obras dos campos municipais do Dondo e de Cuamba, e a avaliação das condições do Campo do Ferroviário de Maputo.

Por outro lado, a FMF iniciou a construção de campos de futebol de praia e de futebol 7 na Escola Secundária Joaquim Chissano, em Gaza, e Escola Secundária da Matola, na província de Maputo.

Paralelamente, a federação manteve uma agenda institucional activa, com a participação em encontros e fóruns nacionais e internacionais ligados à liderança, administração, scouting, Safeguarding, gestão de equipas, arbitragem e desenvolvimento do futebol, incluindo o 76.º Congresso da FIFA e os Executive Football Summits 2026.

Arbitragem e licenciamento: elevar os padrões

A profissionalização das estruturas do futebol passa também pelo reforço das áreas de arbitragem e licenciamento.

Durante o período em análise, a FMF procedeu à entrega oficial de insígnias aos árbitros internacionais, com destaque para a entrada do primeiro árbitro VAR moçambicano, Arsénio Maringule, e para a perspectiva de formação de um quarteto internacional feminino.

No licenciamento, foram realizados os processos de licenciamento de clubes e aprovação de campos para o Moçambola 2026, enquanto decorre o processo referente aos clubes da II Divisão e dos campeonatos provinciais.

Foi igualmente concluído o licenciamento dos três clubes moçambicanos participantes nas Afrotaças 2026/27 e a pré-inspecção do Estádio Nacional do Zimpeto.

Uma FMF mais próxima, mais preparada e com os olhos no futuro

O balanço apresentado nesta primeira conferência de imprensa de 2026 revela uma federação que procura combinar governação, formação, competição, alto rendimento e desenvolvimento de base, com uma agenda orientada para a construção de um ecossistema futebolístico mais forte e sustentável.

Da consolidação administrativa às grandes conquistas das selecções nacionais, da formação de treinadores ao investimento no futebol de formação e feminino, passando pelo licenciamento, arbitragem e infra-estruturas, os últimos seis meses traduzem uma dinâmica institucional que coloca o desenvolvimento do futebol no centro da acção da FMF.

Mais do que um balanço, o informe apresentado por Feizal Sidat constitui uma fotografia de uma instituição em movimento – uma Casa do Futebol que procura transformar resultados em legado, projectos em estruturas e investimento em oportunidades para o futuro do futebol moçambicano. A FMF entra assim na segunda metade de 2026 com uma agenda ambiciosa e com o compromisso de continuar a construir, dentro e fora das quatro linhas, um futebol moçambicano mais competitivo, inclusivo, profissional e preparado para os desafios do futuro. 

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