O Governo autorizou a criação de uma equipa técnica para negociar a eventual alienação de parte da participação do Estado na Tmcel, abrindo caminho à entrada de um novo investidor na operadora pública de telecomunicações, que enfrenta dificuldades financeiras e operacionais há vários anos.
Segundo a agência Lusa, a decisão foi anunciada esta terça-feira, 11 de Agosto, em Maputo, pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da reunião semanal do órgão.
De acordo com o governante, a alienação de uma parte das acções detidas pelo Estado é uma das opções em análise no âmbito da estratégia para recapitalizar e revitalizar a Tmcel.
“Pretendendo dar-se uma maior dinâmica a esta empresa, o Estado, como titular de parte das acções que fazem parte da Tmcel, poderá desfazer-se delas ou poderá entregá-las a um terceiro e por aí em diante”, declarou Inocêncio Impissa, em resposta aos jornalistas.
O porta-voz explicou que a entrada de um terceiro investidor é encarada como um dos mecanismos para reforçar a capacidade financeira e operacional da empresa e assegurar a continuidade dos serviços prestados pela operadora.
“Este é um dos mecanismos que o Estado encontrou para revitalizar, dar um pouco mais de vitalidade à Tmcel para continuar a prestar o serviço crítico de comunicações ao nível do País”, acrescentou.
O Estado detém actualmente cerca de 66% da participação na Tmcel. Inocêncio Impissa não especificou, contudo, qual a percentagem que poderá ser alienada, nem adiantou informações sobre potenciais investidores ou sobre o calendário previsto para o processo.
Prejuízos Mantêm Pressão Sobre a Operadora
A Tmcel nasceu da fusão entre a Telecomunicações de Moçambique (TDM) e a Moçambique Celular (Mcel) e enfrenta, há vários anos, dificuldades financeiras e operacionais que têm condicionado a sua capacidade de investimento e o desempenho no mercado nacional de telecomunicações.
Dados do Boletim Trimestral da Dívida Pública do Ministério das Finanças indicam que a empresa reduziu em 4,93% o seu nível de endividamento externo no primeiro trimestre de 2026, figurando entre as empresas do Sector Empresarial do Estado que registaram uma diminuição da dívida durante o período.
A redução do endividamento não eliminou, porém, a pressão sobre as contas da operadora. Em 2024, a Tmcel registou prejuízos de 4,44 mil milhões de meticais, equivalentes a cerca de 59,7 milhões de euros, mais do dobro dos 2,18 mil milhões de meticais, ou 29,3 milhões de euros, apurados em 2023.
A possível entrada de um investidor privado representa, assim, uma nova etapa na tentativa do Governo de reestruturar a operadora, reforçar a sua capacidade financeira e tecnológica e garantir a sustentabilidade de uma empresa considerada estratégica para o sector das comunicações no País.
Fonte: Diário Económico