O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, acusou dezenas de países de ajudarem a China a burlar ilegalmente as tarifas americanas, privando os cofres públicos de dezenas de bilhões de dólares em receitas anuais.
Em um relatório publicado na quinta-feira, a Casa Branca afirmou que mais de 40 países participaram de uma rede logística paralela que facilitava o fluxo de mercadorias chinesas para os EUA com rotulagem falsa.
Segundo o relatório do Gabinete de Política Comercial e Industrial, os principais cúmplices da China no “Grande Escândalo de Transbordo” incluem a União Europeia, o México, o Canadá, a Índia, o Japão e a Coreia do Sul.
Os países do Sudeste Asiático, incluindo Indonésia, Tailândia, Malásia e Camboja, também desempenham um papel importante na rede, afirmou o gabinete de política comercial.
De acordo com o relatório, os setores industriais dos EUA mais afetados pelos transbordos incluem equipamentos elétricos, circuitos integrados, produtos de alumínio e componentes de motores.
“Cada dólar perdido com essa grande fraude de transbordo é um dólar roubado dos trabalhadores, fabricantes e contribuintes americanos”, afirmou o escritório chefiado por Peter Navarro, indicado por Trump, no relatório.
A embaixada da China em Washington, DC, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado fora do horário normal de expediente.
As dezenas de países mencionados no relatório ainda não responderam publicamente às suas alegações.
Alertando que os países que facilitam o transbordo estão sendo “notificados”, a Casa Branca afirmou que as autoridades de fronteira empregaram inteligência artificial para integrar dados de remessas e outras informações como parte de esforços reforçados de fiscalização.
“A mensagem para o mundo é simples. A era do transbordo ilegal e não rastreável acabou”, afirmou o escritório de comércio.
“O que antes parecia uma mera manobra burocrática – reetiquetar, reembalar, reemitir faturas – tornou-se uma questão de soberania econômica e vontade nacional.”
Desde que retornou à Casa Branca em janeiro do ano passado, Trump tem agitado o comércio global com uma série de políticas comerciais protecionistas.
Em sua mais recente investida comercial, o governo Trump anunciou tarifas de 10 a 12,5% sobre as importações de dezenas de países acusados de ignorar o trabalho forçado.
Um grupo de 25 estados americanos governados por democratas, incluindo Nova York, Califórnia e Colorado, contestou as tarifas na justiça, alegando que as medidas são um pretexto para reimpor as abrangentes tarifas do “Dia da Libertação” de Trump, que a Suprema Corte dos EUA anulou em fevereiro.
Amitendu Palit, especialista em comércio e professor da Universidade Nacional de Singapura, classificou o relatório da Casa Branca como a mais recente tentativa do governo Trump de coagir outros países a aceitarem maior acesso ao mercado para produtos americanos.
“A deslegitimação das tarifas do Dia da Libertação representou uma enorme perda para o governo Trump: tanto em termos dos reembolsos que teve de pagar, como em termos de credibilidade”, disse Palit à Al Jazeera.
“Portanto, busca formas cada vez mais ‘inovadoras’ de instrumentalizar o acesso ao mercado. Isso ocorre após as tarifas da Seção 301 impostas a vários países por não conseguirem limitar o uso de trabalho forçado.”
Fonte: Al Jazeera