Chiquinho Conde recordou uma trajectória marcada por sonhos, trabalho, dedicação e sacrifício.
Antes de se tornar seleccionador nacional e conduzir os “Mambas” a feitos históricos, Chiquinho Conde foi um jovem da Beira que sonhava em tornar-se jogador profissional.
Foi esta trajectória que revisitou ontem, na Sociedade do Notícias, durante uma palestra inserida no ciclo de “Conversas com as Nossas Estrelas”, que vão celebrar os 40 anos do semanário Desafio.
Sétimo de oito irmãos, Conde recordou as origens humildes e os valores transmitidos pelos pais. “Os meus pais transmitiram-nos valores que foram muito importantes para aquilo que somos hoje”, afirmou, destacando a gratidão, disciplina, respeito e responsabilidade.
Antes, praticou atletismo e basquetebol, mas foi no futebol que encontrou a sua verdadeira paixão. Começou no Palmeiras da Beira, onde foi melhor marcador e campeão provincial.
O irmão Orlando, antigo jogador do Ferroviário da Beira e da Selecção Nacional, teve também uma influência decisiva na sua carreira.
Mas o futebol caminhava lado-a-lado com os estudos. Belmiro de Manaca Dias impôs-lhe uma condição: para além do talento, tinha de terminar a Escola Industrial para poder ser chamado à Selecção Nacional.
Conde cumpriu e concretizou o sonho de vestir a camisola dos “Mambas”, numa época marcada por grandes dificuldades. “Nós recebíamos três dólares por dia. Havia dificuldades até para termos equipamentos, mas isso não nos tirava a vontade de jogar”, lembrou.
O CAN-1986, no Cairo, viria a abrir-lhe as portas da Europa. Uma entrevista ao jornal português A Bola despertou o interesse de clubes daquele país. Mas antes da partida, ainda brilhou no Maxaquene, clube pelo qual foi campeão nacional e melhor marcador, com 21 golos.
Com a ida para Portugal concretizava-se um sonho de infância, pois ainda na Beira costumava observar fotografias dos jogadores do Sporting numa loja e dizia para si mesmo: “Um dia quero chegar aqui. Eu vou chegar”.
Chegou. Tornou-se profissional, internacional moçambicano e, mais tarde, treinador. Hoje, como seleccionador nacional, lidera os “Mambas” e procura inspirar as novas gerações.
“Não foi fácil chegar onde cheguei. Houve muitos obstáculos, muitas dificuldades, mas nunca deixei de acreditar”, afirmou.
E resumiu assim a sua trajectória: “A sorte dá muito trabalho. Nada me caiu do céu. Foi tudo conquistado”.
O jornal Desafio, da próxima segunda-feira, trará maior abordagem sobre a conversa que teve como tema: “Futebolista profissional: a experiência de Chiquinho Conde”.
Chiquinho faz parte da nossa história
O Presidente do Conselho de Administração da Sociedade do Notícias, Júlio Manjate, considerou o encontro com Chiquinho Conde um momento marcante nas celebrações alusivas aos 40 anos do “Desafio”, destacando a trajectória do antigo internacional moçambicano e actual seleccionador nacional como exemplo de dedicação e inspiração para as novas gerações.
“Para o ‘Desafio’, Chiquinho Conde é um parceiro. Olhamos para ele com sentido de proximidade, porque faz parte da nossa história e do nosso jornal. Ele é especial e, por esse motivo, decidimos começar com esta figura”, afirmou Manjate.
Segundo o presidente, a experiência partilhada por Chiquinho Conde durante o encontro permitiu aos participantes conhecer melhor o percurso de uma das principais figuras do futebol moçambicano e retirar ensinamentos importantes da sua experiência profissional.
A escolha de Chiquinho Conde para abrir o ciclo de encontros, explicou Manjate, não foi por acaso. O antigo jogador foi uma das figuras de destaque da primeira edição do “Desafio” há quatro décadas, mantendo, desde então, uma ligação próxima à publicação. “Escolhemos Chiquinho porque ele foi a figura de destaque da primeira edição do ‘Desafio’. Tivemos mais convívio com Chiquinho Conde e entendemos que era importante começar por ele”, concluiu Júlio Manjate.
Fonte: Jornal Noticias