Combate Ao Cancro: Mais técnicos habilitados a administrar quimioterapia

by Dilan Abdala

Cinquenta e seis médicos clínicos gerais, enfermeiros e farmacêuticos de todas as províncias estão a ser capacitados em técnicas de administração de quimioterapia, numa acção que visa descentralizar e aprimorar a resposta ao cancro no país.

A formação, que decorre em formato presencial e virtual, prevê dotar os profissionais de competências para o manuseamento seguro de fármacos, cuidados ao paciente oncológico e gestão de efeitos adverso.


A iniciativa surge numa altura em que as autoridades sanitárias buscam alargar os serviços ainda centralizados em alguns hospitais de referência, com mais profissionais da saúde habilitados, reduzindo, deste modo, o tempo de espera pelo tratamento e elevar as chances de cura.

Segundo a chefe do Programa Nacional de Controlo do Cancro, Cesaltina Lorenzoni, há escassez de médicos especialistas em Oncologia Clínica, Radioterapia e outras áreas relacionadas no país, dispondo de apenas três médicos especialistas.


“Para colmatar estas deficiências, estão a ser formados desde o ano passado médicos clínicos gerais, enfermeiros e farmacêuticos de todas as províncias, dotando-os de técnicas para administrar quimioterapia aos doentes dos cancros da mama, do colo do útero e da próstata”, disse.


A acção, denominada Plano de Desenvolvimento de Recursos Humanos, está inclusa nas metas do Plano Nacional do Cancro 2019-2029, cujos objectivos dos últimos três anos serão avaliados nos próximos dias, possibilitando a melhoria das perspectivas até ao fim da implementação do instrumento.


No entanto, outros quatro médicos estão a se especializar na área, o que elevará para sete o número de especialistas, cifra muito abaixo do adequado.


Apontou que a experiência foi adquirida em países africanos de baixos recursos, como a Etiópia, e vai reduzir as transferências para os hospitais centrais, e os doentes poderão ser tratados nas suas províncias.


Lorenzoni apontou que não basta ter infra-estruturas sem equipas capacitadas. Os recursos humanos são parte importante e indispensáveis na luta contra o cancro. Lamentou, no entanto, que a área não seja muito atractiva, se pensar que o doente oncológico já chega à unidade sanitária em estado terminal.


Por esta razão, defende maior investimento na prevenção, de modo que seja possível detectar a doença ainda em fase inicial, aumentando as chances de cura.

Estima-se que mais de 25 mil casos de cancro sejam detectados anualmente no país. Deste universo, mais de 17 mil, o que corresponde a 60 por cento, resultam em morte.

Fonte: Jornal Notícias

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