Aprimoram-se medidas para travar mortes nas estradas

by Dilan Abdala

Nampula registou, nos últimos sete meses, 13 acidentes de viação, que provocaram 37 mortes. O cenário é descrito como sendo preocupante, de tal forma que o secretário de Estado na província, Fernando Bemane de Sousa, convocou, na última sexta-feira, uma reunião de emergência para discutir as medidas para conter a sinistralidade rodoviária.

O encontro juntou administradores distritais, régulos, INATRO, Saúde, Procuradoria, ANE, Polícia de Trânsito, municípios e outras entidades. Foram analisadas as principais causas dos acidentes, apontando-se a negligência dos condutores, excesso de passageiros nas motorizadas, falta de capacetes, circulação de viaturas em más condições mecânicas, excesso de velocidade e deficiente fiscalização.

Segundo os participantes, os moto-taxistas transportam, frequentemente, mais passageiros do que a capacidade permitida para as motorizadas.


Muitos circulam sem equipamentos de segurança, aumentando o risco de acidentes, sobretudo nos centros urbanos.


A administradora de Nampula, Etelvina Fevereiro, defendeu o reforço da fiscalização aos motociclistas, considerando preocupante a circulação de motorizadas com quatro ou mais ocupantes, muitas vezes sem capacetes.


Para a dirigente, a fiscalização não se deve limitar a operações pontuais, mas sim seja permanente, para impedir que práticas consideradas perigosas voltem a ser normalizadas.


Em Rapale, a preocupação é, também, relacionada com a EN13. A administradora do distrito, Maria Novento, identificou pontos de risco, como escolas, mercados e unidades sanitárias.


A falta de lombas em determinados locais foi apontada como um dos factores que expõe os peões e estudantes ao perigo. Em Nacala-à-Velha, a dimensão da tragédia foi ilustrada com três acidentes que, segundo o administrador, Patrício Mpangai, provocaram 28 mortes, incluindo um sinistro ocorrido em Maio, matando 16 pessoas, sendo cinco da mesma família.


Outro acidente registado em Agosto provocou 11 mortes. Os administradores defenderam uma intervenção conjunta das autoridades, considerando que a Polícia de Trânsito não pode ficar sozinha na fiscalização.

A Procuradoria foi chamada a assegurar a responsabilização dos infractores, enquanto a ANE deverá ser envolvida na identificação e correcção dos pontos críticos das estradas.


Legenda da imagem superior:
Fernando Bemane de Sousa reuniu com diversos actores para abordar a problemática dos acidentes de viação


Município defende escolas de condução para moto-taxistas


O município defende a criação de escolas de condução específicas ou programas de formação para utilizadores de motorizadas, sobretudo os moto-taxistas, como uma das medidas para reduzir os acidentes e melhorar a segurança rodoviária.


A proposta surge da constatação de que muitos cidadãos compram uma motorizada e começam, imediatamente, a exercer actividade de transporte de passageiros sem formação adequada sobre as regras de trânsito, condução defensiva e segurança rodoviária.


Para o vereador dos Transportes, Comunicação e Tecnologia, Nélson Fórmula, a simples atribuição de uma licença para o exercício da actividade de moto-táxi não é suficiente para garantir que o operador esteja preparado para conduzir uma motorizada e transportar passageiros em segurança.


Para ele, a aposta deve passar pela formação obrigatória e obtenção de carta de condução, à semelhança do que acontece com os automobilistas.


A medida permitiria, ainda, reduzir situações em que os motociclistas desconhecem regras básicas de circulação, transportam passageiros acima da capacidade da motorizada, ignoram sinais luminosos ou circulam sem equipamentos de segurança.

O município entende que a formação deve ser acompanhada por uma fiscalização rigorosa, de maneira que nenhum operador possa exercer a actividade de moto-táxi sem estar devidamente habilitado.


Legenda da imagem inferior:
Defende-se escolas de formação de moto-taxistas


Saúde alerta para peso dos acidentes


O sector da Saúde considera que a sinistralidade rodoviária constitui, também, um problema de saúde pública, devido ao elevado número de pacientes que chegam aos hospitais com traumatismos graves.


Dados apresentados no encontro, pelo responsável de Saúde Pública no Serviço em Nampula, Samuel Carlos, indicam que, em 2025, foram gastos cerca de 184 milhões de meticais, no atendimento de, aproximadamente, 600 vítimas de acidentes, quer no sector público, quer no privado.


O tempo médio de internamento de pacientes vítimas de acidentes pode chegar a 16 dias, contribuindo para a ocupação prolongada de camas hospitalares e aumento das despesas com tratamento, medicamentos, exames e cirurgias. Para a Saúde, reduzir os acidentes significa, também, aliviar a pressão sobre os hospitais e evitar que recursos que poderiam ser destinados a outras áreas sejam consumidos no tratamento de vítimas de sinistros que, em muitos casos, poderiam ter sido evitados.


Régulos procuram recuperar cerimónias tradicionais


AS lideranças tradicionais defenderam a recuperação de práticas culturais, que, na sua perspectiva, podem contribuir para a sensibilização das comunidades sobre a gravidade da sinistralidade rodoviária.

O régulo Albano João considerou que a província está, actualmente, a enfrentar uma situação grave, caracterizada pela ocorrência frequente de acidentes e perda de vidas humanas.


Como parte das medidas de resposta, propôs a realização de cerimónias tradicionais nos distritos, envolvendo régulos e outras lideranças comunitárias, como forma de mobilizar as populações para uma mudança de comportamento nas estradas.


Segundo afirmou, no passado, existiam práticas comunitárias que ajudavam a reforçar o respeito pelas normas sociais e pela vida humana, apesar de haver menos agentes de fiscalização nas estradas.


Por isso, defendeu que os administradores distritais trabalhem com os régulos na organização de cerimónias e acções de sensibilização, especificamente, direccionadas à redução da sinistralidade.


A proposta é que a mensagem não fique limitada à capital provincial, mas seja levada aos distritos e às comunidades, onde ocorrem acidentes, numa actividade que deve envolver autoridades administrativas, tradicionais, policiais, religiosas e comunitárias.


Por sua vez, o secretário de Estado na província de Nampula, Fernando Bemane de Sousa, entende que a redução dos acidentes só terá significado se for acompanhada da redução das mortes, razão pela qual exortou ao reforço da fiscalização, formação dos motociclistas, responsabilização dos infractores, bem como ao envolvimento das comunidades no combate à sinistralidade, com vista a impedir que as estradas continuem a transformarse em corredores de luto.

Fonte: Jornal Notícias

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