O ministro da Economia, Basílio Muhate, defendeu esta quarta-feira, 3 de Junho, que Moçambique deve assumir a ambição de se afirmar como uma marca turística de referência internacional, capaz de atrair mais visitantes, investidores e oportunidades de negócio, transformando o turismo numa das principais alavancas do crescimento económico e da diversificação da economia nacional, informou a Agência de Informação de Moçambique.
Falando na abertura do Fórum de Turismo e Investimento, que decorre na vila-sede do distrito de Rapale, na província de Nampula, o governante afirmou que o País reúne condições únicas para se posicionar entre os destinos turísticos mais atractivos de África, mas alertou que “o potencial existente só poderá ser plenamente aproveitado através de uma estratégia consistente de promoção internacional, melhoria da conectividade e mobilização de investimentos”.
Segundo Muhate, Moçambique possui uma combinação rara de recursos naturais, património cultural e diversidade de paisagens capaz de competir com os principais destinos turísticos do continente. Contudo, advertiu que possuir recursos não é suficiente para garantir sucesso num mercado global cada vez mais competitivo.
“Não basta possuir recursos extraordinários. É preciso construir a nossa reputação como país, fortalecer a confiança dos investidores e comunicar ao mundo uma narrativa forte, coerente e inspiradora sobre Moçambique. Precisamos transformar Moçambique numa marca turística africana reconhecida, competitiva e desejada pelos mercados internacionais”, declarou.
Durante a sua intervenção, o ministro apresentou três prioridades estratégicas que deverão orientar os esforços do Governo e do sector privado nos próximos anos. “Pretendemos transformar estruturalmente a nossa economia. Transformar oportunidades de investimento em empresas, empresas em emprego e emprego em prosperidade para a nossa juventude”
A primeira passa pelo fortalecimento da marca Moçambique. Num contexto em que os destinos turísticos competem intensamente pela atenção dos viajantes internacionais, Muhate defende uma aposta mais forte na promoção da imagem do país, destacando os seus atributos diferenciadores e construindo uma identidade turística capaz de gerar reconhecimento global.
A segunda prioridade está relacionada com a promoção do investimento turístico. Para o governante, o país precisa de acelerar a captação de capital nacional e estrangeiro para desenvolver novas infra-estruturas, expandir a oferta turística e melhorar a qualidade dos serviços disponíveis.
Neste contexto, as onze províncias moçambicanas apresentam, durante o fórum, projectos considerados estratégicos para o desenvolvimento do sector, procurando estabelecer contactos com potenciais investidores e parceiros de desenvolvimento.
A terceira prioridade apontada pelo ministro é o reforço da conectividade nacional e internacional. Segundo Muhate, a expansão do turismo depende directamente da facilidade de acesso aos destinos e da existência de sistemas de transporte eficientes e competitivos.
“Nenhum investidor aplica recursos onde não consegue chegar e nenhum turista escolhe um destino distante, caro ou difícil de aceder. Por isso, a conectividade aérea, marítima, ferroviária e rodoviária constitui uma prioridade estratégica da nossa governação”, afirmou. Não basta possuir recursos extraordinários. É preciso construir a nossa reputação como País, fortalecer a confiança dos investidores e comunicar ao mundo uma narrativa forte, coerente e inspiradora sobre Moçambique.
O governante recordou que o País recebeu aproximadamente 1,2 milhão de visitantes em 2025, representando um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. As receitas geradas pelo sector ultrapassaram os 13 mil milhões de meticais, números que, segundo afirmou, “demonstram o crescente peso do turismo na economia nacional”.
“São indicadores encorajadores. Mostram que o turismo está a recuperar, está a crescer e está a afirmar-se como um dos sectores estratégicos para o desenvolvimento económico do País”, sublinhou.
Apesar da evolução positiva, Muhate considera que os resultados alcançados ainda estão muito abaixo das capacidades reais de Moçambique. O País dispõe de mais de 2700 quilómetros de costa banhada pelo Oceano Índico, extensas áreas de conservação, reservas marinhas, parques nacionais, património histórico e cultural diversificado e uma riqueza natural que continua largamente por explorar.
Na visão do ministro, o desafio actual consiste em transformar esse potencial em investimento produtivo, emprego e geração de rendimento para as comunidades.
“Pretendemos transformar estruturalmente a nossa economia. Transformar oportunidades de investimento em empresas, empresas em emprego e emprego em prosperidade para a nossa juventude”, afirmou.
Basílio Muhate destacou que o turismo pode desempenhar um papel determinante na redução da dependência de sectores tradicionais da economia, contribuindo para a diversificação das fontes de crescimento e para o fortalecimento das economias locais.
Segundo explicou, o sector possui uma característica diferenciadora: a sua capacidade de gerar efeitos multiplicadores em várias actividades económicas, incluindo hotelaria, restauração, transportes, comércio, agricultura, artesanato e serviços.
“Quando o turismo cresce, não cresce sozinho. Crescem também as pequenas e médias empresas, os produtores locais, os operadores de transporte e toda uma cadeia de valor que beneficia directamente as comunidades”, observou.
Fonte: Diário Económico