Chefe do Estado aos empresários dos EUA: Estamos focados no gás sem descurar outras áreas

by Telma Mandlate

O Presidente da República, Daniel Chapo, disse ontem, em Washington DC, nos Estados Unidos da América, que em matéria de hidrocarbonetos, Moçambique está focado no projecto de gás natural liquefeito da Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, liderado pela norte-americana ExxonMobil.

Acredita que a decisão final do investimento do empreendimento avaliado em 20 mil milhões de dólares ocorra entre Agosto e Setembro deste ano, devendo operar em 2030. Entretanto, entendidos na matéria defendem que provavelmente o Governo dê mais tempo para avaliar o plano de desenvolvimento recentemente submetido.

Outros projectos são liderados pela TotalEnergies, retomado este ano depois da interrupção registada em 2021, devido ao terrorismo, e Eni, em operação (Coral Sul). Há um outro, também da Eni, Coral Norte, cuja plataforma flutuante está em desenvolvimento. Contudo, explicou que apesar do potencial existente em termos de hidrocarbonetos, a visão do Governo é de diversificação da economia, razão pela qual o país está a implementar reformas com vista à melhoria contínua do ambiente de negócios.

Intervindo num pequeno almoço de trabalho com empresários, o Chefe do Estado explicou que com vista à implementação das reformas, no seu gabinete de trabalho funciona uma unidade específica sobre a matéria.

“Mas, para diversificar a nossa economia, estamos a pensar na electricidade. Por exemplo, agora temos a nossa principal barragem, Cahora Bassa, e produzimos energia que exportamos para os países vizinhos, com destaque para África do Sul e Zimbabwe, e estamos a trabalhar para aumentar a capacidade”, frisou.

Explicou que a meta de Moçambique é reduzir, nos próximos anos mais 1500 megawatts além da construção de uma linha de transmissão do Centro-Sul.

“O gás é uma matéria-prima rara. Com ele é possível fazer centrais eléctricas, produzir fertilizantes e muitas outras coisas em Moçambique”, frisou o Chefe do Estado, antes de co-presidir a cerimónia de abertura do Fórum Fragility, evento organizado pelo grupo Banco Mundial. Para além de energia, o Chefe do Estado atraiu a atenção dos empresários também do sector de Transportes e Logística referindo-se, por exemplo, à importância dos três portos principais: Maputo, cujo corredor liga à África do Sul; Beira que serve ao Zimbabwe; e Nacala útil para Malawi, Zâmbia e República Democrática do Congo.

“É por isso que queremos aumentar a capacidade do Corredor da Beira para Zimbabwe e Zâmbia, frisou, explicando que a lei moçambicana permite o desenvolvimento de parcerias publico-privadas, para além do BOT – construir, operar e transferir.

“A agricultura é muito importante para Moçambique. Temos disponibilidade de terra, água e todo o ambiente necessário para produzir, e uma boa localização, em termos logísticos para exportar”, disse.

No turismo destacou a existência de praias e áreas de conservação em todas as províncias.

Fonte: Jornal Notícias

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