As aguarelas do artista plástico Blanga pintaram figuras expressivas e corpos marcados pelo peso das responsabilidades quotidianas. Deste exercício nasceu a exposição “Rompendo o Silêncio”, cuja inauguração está agendada para amanhã na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.
A mostra, que resulta de uma experiência de mais de quatro décadas do artista dedicadas às artes visuais, reflecte sobre o trabalho e exigências sociais, constrói uma narrativa visual que oscila entre a exaustão e a resistência, entre a fragilidade e a transcendência.
“Rompendo o Silêncio” convida o público a olhar para as múltiplas camadas da experiência humana, destacando especialmente o papel das mulheres, frequentemente representadas como figuras que sustentam o peso invisível das tarefas, dos afectos e das expectativas colectivas.
As obras revelam uma beleza subtil e inquietante, capaz de despertar reflexão sobre os desafios do nosso tempo. Segundo o texto curatorial da exposição, a obra de Blanga propõe uma reflexão sobre a humanidade contemporânea, transformando o corpo quotidiano num território onde convivem o desgaste, esperança e capacidade de resistir.
As suas aguarelas convocam o espectador para um espaço de contemplação e questionamento, onde a beleza não se separa da vida nem das suas contradições. Nascido em Maputo, Blanga desenvolveu a sua formação artística entre Moçambique, Alemanha e África do Sul. Membro do Núcleo de Arte desde 1998, participou em numerosas exposições individuais e colectivas nacionais e internacionais.
Ao longo da carreira, as suas obras integraram importantes colecções públicas e privadas, tendo sido oferecidas pela Assembleia da República de Moçambique a diversas personalidades e líderes mundiais.
Fonte: Jornal Notícias