Irão afirma que o cessar-fogo “praticamente não faz sentido” após ataques dos EUA

Após um segundo dia de troca de disparos entre os EUA e o Irão, Teerão afirmou ainda que o Estreito de Ormuz estava agora fechado a toda a navegação, uma afirmação que o CENTCOM negou. O Irão advertiu na quinta-feira que o frágil cessar-fogo na guerra que já dura três meses era agora “praticamente insignificante”, ou sem sentido, na sequência de novos ataques por parte dos EUA, aos quais Teerão respondeu com ataques em toda a região. A guerra, que teve início a 28 de fevereiro com uma série inicial de ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irão, foi suspensa pela trégua de abril, mas os esforços para chegar a um acordo definitivo que ponha fim aos combates estão num impasse, e as trocas esporádicas de tiros têm colocado o cessar-fogo sob pressão repetida.

No seu segundo dia consecutivo de ataques de retaliação, Washington atingiu instalações de vigilância, comunicações e defesa aérea, informou o Comando Central dos EUA (CENTCOM), enquanto a IRGC anunciou uma «operação punitiva» contra uma base norte-americana na Jordânia e os Estados do Golfo relataram ter sido alvo de disparos. Os meios de comunicação estatais iranianos noticiaram explosões perto do Estreito de Ormuz, com explosões ouvidas em Bandar Abbas, Qeshm e Minab, e ataques com «projéteis inimigos» em Kargan e Sirik.

Os Estados Unidos e o Irão trocaram ataques pelo segundo dia consecutivo, enquanto líderes norte-americanos acusavam a contraparte iraniana de prolongar as negociações para um acordo que ponha fim à guerra de três meses. Os meios de comunicação iranianos relataram explosões em várias zonas do sul, perto do Estreito de Ormuz, com rebentamentos ouvidos em Bandar Abbas, Qeshm e Minab, e fontes a indicarem impactos de “projéteis inimigos” em Kargan e Sirik.

O comando central dos EUA (CENTCOM) afirmou mais tarde ter dado por concluídos os ataques contra as capacidades militares iranianas de vigilância, sistemas de comunicação e posições de defesa aérea. As forças norte-americanas “lançaram munições de precisão sobre alvos iranianos que representavam uma ameaça para as forças dos EUA e para navios comerciais internacionais que cruzam as águas da região”, acrescentou.

Os ataques ocorreram depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, que tinha repetidamente afirmado que as negociações com Teerão estavam perto do fim, ter dito na quarta-feira que o Irão continua “a fazer de nós parvos” e que agora “vai ter de pagar o preço”. O secretário da Defesa, Pete Hegseth, afirmou que, se Trump assim o exigisse, “negociaremos com bombas, e nisso somos muito bons”.

Estreito de Ormuz “totalmente encerrado”

O Irão respondeu aos ataques norte-americanos atacando bases dos EUA no Bahrein e no Kuwait. Foi emitido um alerta de ataque aéreo no Bahrein e os residentes foram instados a “dirigir-se ao local seguro mais próximo”, informou no X o ministério do Interior do país do Golfo. O Kuwait encerrou temporariamente o seu espaço aéreo, enquanto os militares indicavam que os sistemas de defesa aérea estavam a funcionar para intercetar “alvos aéreos hostis”. Os meios iranianos referiram que o exército realizou ataques com drones contra antenas de comunicação e instalações de radar pertencentes à Quinta Esquadra da Marinha dos EUA, no Bahrein.

A marinha iraniana afirmou também ter atingido dois navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, acrescentando que essa via marítima crucial estava “completamente encerrada” e que “qualquer movimento de navios” seria alvo de ataque. O CENTCOM negou, afirmando que “os navios comerciais continuam esta noite a entrar e sair do Estreito de Ormuz”. “Estão a pôr em risco o sagrado Estreito de Ormuz?! Vamos transformar a região num inferno para vocês”, escreveu Majid Mousavi, chefe da força aeroespacial dos Guardas iranianos, numa publicação nas redes sociais.

O preço de referência internacional do petróleo bruto foi negociado acima de 93 dólares por barril na quarta-feira, uma subida de mais de 25% desde o início da guerra. Trump afirmou na quarta-feira que os militares norte-americanos tinham ajudado em segredo a passagem de 100 milhões de barris de petróleo pelo estreito em disputa. Trump tem apelado ao Irão para assinar um acordo que ponha fim à guerra e sugeriu no início da semana que esse entendimento poderia ser alcançado em poucos dias.

Mais tarde queixou-se de que os negociadores estavam a demorar demasiado, depois de já ter avançado que o acordo estava a dias de distância. “Estivemos mesmo perto de um acordo, mas eles continuam a arrastar isto”, disse Trump aos jornalistas na quarta-feira. Hegseth admitiu que os ataques pudessem prolongar-se por uma terceira noite, garantindo que seriam “fortes” e “claros”.

Fonte: Euronews

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