Pela Unipúnguè: Célio Figueiredo é Honoris Causa em Artes e Humanidades

A Universidade Púnguè (UniPúnguè) atribuiu o título de Doutor Honoris Causa em Artes e Humanidades ao músico e compositor moçambicano Célio Figueiredo, baseado no Chimoio, província de Manica.

A distinção reconhece o seu contributo para a valorização da cultura nacional, memória colectiva e promoção de valores humanistas através da música.

Na cerimónia de atribuição do título, a Reitora da UniPúnguè, Emília Nhalevilo, afirmou que a distinção valoriza uma obra que ultrapassa fronteiras e gerações, destacando o impacto social e cultural do homenageado.

Segundo Nhalevilo, a música de Célio Figueiredo transformou-se num património afectivo dos moçambicanos, servindo de veículo para a reflexão social, preservação da identidade cultural e promoção da esperança colectiva.

“A sua música tornou-se património afectivo do povo, voz da esperança colectiva, espelho das dores sociais e celebração permanente da identidade cultural”, afirmou.

Para a reitora, a UniPúnguè reconhece que o conhecimento não se encontra apenas nas bibliotecas, laboratórios ou salas de aula, mas também na experiência, criatividade e capacidade de inspirar transformações sociais.

Sublinhou que a atribuição do título também constitui uma afirmação do papel da cultura no desenvolvimento das nações e do contributo dos artistas enquanto educadores sociais e guardiões da memória colectiva.

Recordou a ligação de longa data entre o homenageado e a instituição, destacando a sua participação na concepção do hino da UniPúnguè e o apoio prestado à comunidade estudantil.

“Os estudantes sempre o chamaram carinhosamente de Tio Célio”, referiu. Por sua vez, Célio Figueiredo, de 64 anos, dedicou a distinção à família, comunidade académica e todos que contribuíram para a sua formação humana e profissional. “Tenho fé que é possível chegar lá, sempre que fizermos tudo com conhecimento, sabedoria e muito amor”, declarou. O músico recordou as origens humildes.

É filho de operário dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) e de empregada doméstica, que o impingiram uma educação rigorosa. Lembrou-se igualmente da bolsa de estudos para Cuba em 1977 e relatou os primeiros contactos com a música na infância, quando aprendeu a tocar viola artesanal construída por um trabalhador doméstico da sua casa.

“Ele devia me ensinar a tocar a viola e eu lhe ensinar a ler e a escrever, apesar da minha tenra idade”, recordou-se do pacto. O padrinho do laureado, Filimone Meigos, destacou o percurso do artista e o seu papel na produção musical, consciencialização social e afirmação da identidade cultural moçambicana.

Considerou a trajectória do músico um exemplo de compromisso com os valores da cidadania, cultura e humanismo, factores que justificam o reconhecimento este académico. A cerimónia contou com a presença de membros do Governo, dirigentes de instituições de Ensino Superior, docentes, estudantes e outras individualidades.

Fonte: Jornal Notícias

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