O Governo e parceiros estão a elaborar um plano de acção para a implementação de um projecto-piloto de produção e mistura de biocombustíveis com produtos petrolíferos no país.
O anúncio foi feito recentemente, na cidade de Maputo, pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, durante o Seminário Nacional de Biocombustíveis de Moçambique 2026, realizado no âmbito da Conferência Empresarial de Energias Renováveis em Moçambique (REN-2026). Segundo o governante,
Moçambique deve buscar a experiência acumulada por vários países da região que já experimentam modelos de incorporação de biocombustíveis com resultados encorajadores.
Na ocasião, Estêvão Pale destacou que o país reúne condições naturais, agrícolas e logísticas favoráveis para o desenvolvimento de uma cadeia nacional de produção de biocombustíveis. Entre as matérias-primas com potencial para alimentar esta indústria figuram a cana-de-açúcar, coco, girassol, jatrofa e outras culturas energéticas capazes de gerar valor ao longo de toda a cadeia produtiva.
O ministro explicou que a aposta nos biocombustíveis poderá criar uma ligação mais forte entre a agricultura, indústria, pequenos produtores e o investimento privado, contribuindo simultaneamente para a concretização dos objectivos nacionais de desenvolvimento.
Embora reconheça que os biocombustíveis não irão substituir, a curto prazo, os combustíveis fósseis, o Governo considera que a sua introdução gradual poderá produzir benefícios económicos significativos.
“Cada percentagem de etanol misturada na gasolina e cada percentagem de biodiesel incorporada no diesel representa menor volume de combustível fóssil importado, menor pressão sobre as divisas, maior valorização da produção nacional e maior previsibilidade para o mercado”, afirmou.
Recordou, ainda, que o decreto que aprova o Regulamento dos Biocombustíveis Puros e suas misturas estabelece a obrigatoriedade progressiva da incorporação destes combustíveis renováveis na matriz nacional. Entretanto, advertiu que o impacto da medida sobre o preço final dos combustíveis dependerá de diversos factores, entre os quais a escala de produção, custo das matérias-primas, eficiência industrial, acesso ao financiamento, a logística, a qualidade do produto e a estabilidade regulatória.
“Há, porém, uma certeza: quanto maior for a capacidade nacional de produzir parte da energia que consome, menor será a exposição do país aos choques externos”, frisou, acrescentando que os biocombustíveis podem contribuir para amortecer a volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis fósseis.
Por sua vez, a directora nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Cunhete, recordou que a discussão sobre os biocombustíveis ganhou força em 2008, na sequência da primeira grande crise internacional dos combustíveis. Segundo explicou, foi nessa altura que se iniciou a elaboração do quadro legal e regulamentar para o sector. Contudo, o processo perdeu dinamismo nos anos seguintes, tendo sido retomado recentemente.
Fonte: Jornal Notícias