Irão: Trump assina acordo inicial para acabar guerra e reabrir Estreito de Ormuz

Donald Trump assinou um acordo-quadro para pôr fim à guerra entre os Estados Unidos e o Irão e restabelecer a situação anterior ao conflito, iniciado a 28 de fevereiro com o apoio de Israel. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quartafeira um acordo com o Irão que prevê que o país dilua a sua reserva de urânio altamente enriquecido. Em contrapartida, Washington suspenderá as sanções contra Teerão, permitindo de imediato que venda livremente o seu petróleo. O acordo preliminar para pôr fim à guerra entra em “vigor imediato” após a assinatura pelos dirigentes dos dois países, afirmou numa publicação nas redes sociais o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que ajudou a mediar o entendimento.

O acordo prevê um fim permanente das hostilidades e abre um período de negociações de 60 dias para chegar a um entendimento final sobre o futuro do programa nuclear iraniano, embora Trump tenha deixado em aberto a retoma dos ataques. O texto parece, ainda, oferecer várias vantagens imediatas ao Irão em troca de poucas concessões. O acordo esteve rodeado de secretismo durante vários dias. Responsáveis norte-americanos recusaram divulgar os seus termos, mesmo depois de confirmarem que Donald Trump e o vice-presidente JD Vance o tinham assinado digitalmente no fim de semana. Trump assinou uma cópia em papel na quarta-feira, durante um jantar com o presidente francês, Emmanuel Macron, em Versalhes, palácio onde ao longo dos séculos foram assinados numerosos acordos históricos que puseram fim a guerras ou litígios territoriais.

A Casa Branca tinha previsto uma cerimónia de assinatura na sextafeira, na Suíça, mas o futuro do evento é agora incerto, devido a informações contraditórias vindas dos Estados Unidos, do Irão e do Paquistão. “Está assinado”, disse Trump ao sair do jantar em Versalhes, que se seguiu à sua participação na cimeira do G7, em França. Num vídeo publicado online por um assessor da Casa Branca, Trump surge sentado numa mesa ao lado de Macron a assinar uma cópia em papel do acordo. Em seguida, entregou o documento e a caneta ao secretário de Estado, Marco Rubio, enquanto as pessoas na sala aplaudiam. “Isto não foi fácil”, afirmou o líder norte-americano mesmo antes de assinar, segundo um vídeo divulgado nas redes sociais por Macron. Em Teerão, o presidente Masoud Pezeshkian assinou o acordo em nome do Irão, noticiou a agência oficial IRNA, que publicou uma imagem em que surge a erguer o documento com a sua assinatura e a de Trump.

O conteúdo do acordo não foi divulgado ao público pelos responsáveis norte-americanos, mas algumas informações que chegaram à comunicação social dos EUA parecem indicar que a Casa Branca aceitou concessões significativas para o colocar em cima da mesa. Grande parte do acordo repõe a situação anterior à guerra, prevendo o fim das hostilidades, o regresso das negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz. Esta rota é essencial para o transporte mundial de petróleo e gás natural e o seu encerramento desencadeou uma grave crise energética global. O acordo prevê a abertura do Estreito de Ormuz, sem portagens, por dois meses, permitindo retomar o fluxo de cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás. Não exclui, no entanto, a cobrança de taxas no futuro, de acordo com as versões divulgadas pelos dois países.

Em contrapartida, os Estados Unidos vão suspender algumas das sanções impostas ao Irão, sem as eliminar por completo. O acordo reafirma, ainda, o compromisso com a integridade territorial do Líbano perante a invasão israelita e o prosseguimento da ofensiva contra posições do Hezbollah, apesar da frágil trégua em vigor. Esta é uma das partes mais delicadas do entendimento, uma vez que Israel tem insistido que continuará a “defender-se” e a manter a ocupação de vastas zonas do Líbano. O Irão exigiu repetidamente, no âmbito do acordo, a retirada israelita, condição já rejeitada por Telavive. Os Estados Unidos e Israel entraram em guerra a 28 de fevereiro com o objetivo declarado de impedir que o Irão desenvolvesse uma arma nuclear.

Ao longo do conflito, Donald Trump afirmou que pretendia travar os programas nuclear e de mísseis iranianos, acabar com o apoio de Teerão a grupos aliados na região e chegou a sugerir que a guerra poderia levar à queda do regime iraniano. O acordo provisório fica aquém de todos esses objetivos, mas Trump classificou-o como “muito forte”. O presidente republicano apresentou o entendimento como um gesto de boa vontade da Casa Branca para negociar de boa-fé um acordo de longo prazo, mas deixou igualmente a porta aberta a abandonálo, se considerar necessário. “É um memorando de entendimento e, se eu não gostar, voltaremos a disparar contra eles, a largar bombas”, declarou Trump, em Paris.

Fonte: Euronews

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