Delegação iraniana “empenhada” nas discussões e Qatar afasta término

A delegação iraniana enviada à Suíça para negociar um acordo com os Estados Unidos “continua empenhada” nas discussões, afirmou hoje à noite uma fonte diplomática, com o Qatar, um dos países mediadores, a referir que as negociações prosseguem.

“A delegação iraniana continua empenhada nas discussões e não comunicou aos mediadores qualquer intenção de se retirar”, afirmou o diplomata, sob anonimato, citado pela agência France-Presse (AFP), após relatos nos meios de comunicação social iranianos de que os negociadores iranianos teriam abandonado o edifício onde decorriam as conversações.

primeiro-ministro do Qatar, Abdulrahman al-Thani, anunciou que as negociações entre as delegações dos Estados Unidos (EUA) e do Irão, reunidas no Lago Lucerna, na Suíça, estão a progredir.

“Saudamos a reunião de hoje no Lago Lucerna, na Suíça, e a continuação das negociações EUA-Irão”, publicou Al-Thani nas redes sociais, após órgãos de comunicação social iranianos terem noticiado que a delegação de Teerão se tinha retirado da mesa das negociações em protesto contra as ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Al-Thani expressou a sua gratidão “ao Paquistão e a todas as partes que contribuíram para este processo”, esperando “continuar a desenvolvê-lo”, e reconheceu ainda a contribuição da Suíça ao acolher a reunião.

“O Qatar continuará a apoiar esta mediação até ao fim, até alcançarmos uma solução. Estaremos sempre presentes para alcançar mais paz, prosperidade e, com sorte, um futuro melhor para a nossa região”, declarou Al-Thani.

Fontes próximas das negociações, citadas pela agência de notícias Tasnim, afiliada da Guarda Revolucionária do Irão, tinham anteriormente noticiado a retirada dos negociadores iranianos em resposta a uma mensagem de Trump.

“Eu disse-lhes que, se fecharem o estreito, ficarão sem país. Nem sequer conseguirão regressar ao seu maldito país”, disse o Presidente norte-americano à estação televisiva Fox News num momento crucial do início da reunião diplomática de Bürgenstock.

Além disso, Trump reiterou a sua ameaça de que os Estados Unidos poderiam tomar o estreito de Ormuz à força e até agir como um “cobrador de portagens”, como fez o Irão durante o conflito.

O Presidente norte-americano afirmou que poderia mesmo tornar-se o “anjo da guarda do estreito e ficar com 20% do petróleo”.

“Poderíamos assumir o controlo do estreito, se necessário. Eu poderia arrasar o país se quisesse. E se não chegarem a um acordo, cobraremos as portagens”, avisou, citado pela agência espanhola Europa Press.

Trump culpou o Irão pela recente onda de violência no Líbano, um fator que pode prejudicar as negociações, mudando o foco das suas recentes críticas a Israel e apontou diretamente para Teerão e para a sua relação estratégica com a milícia xiita Hezbollah.

“O Irão deve impedir imediatamente que os seus aliados bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, voltaremos a atacar o Irão com muita força, tal como fizemos na semana passada, mas com mais força”, alertou o Presidente norte-americano.

Segundo a agência de notícias estatal IRNA, “a delegação da República Islâmica do Irão abandonou o local das negociações”, informou anteriormente o órgão oficial do Governo iraniano, explicando que a decisão foi uma resposta às ameaças de Trump durante as conversações realizadas hoje em Bürgenstock, na Suíça.

Ainda segundo a agência estatal iraniana, citada pela AFP, as conversações “entraram numa fase difícil após 80 minutos de discussões e uma interrupção em resultado da publicação de uma mensagem insultuosa por parte do Presidente dos Estados Unidos”. O presidente do parlamento e chefe da equipa de negociação do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, desvalorizou as ameaças e afirmou que as Forças Armadas do Irão estão preparadas para responder a qualquer ação de Washington.

Fonte: Jornal Noticias

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