“Dez Primaveras” expõe consumo de plásticos

“Dez Primaveras” é assim que a artista equatoriana Sue Bejarano intitulou a sua instalação artística que se destaca por, entre mais elementos, traduzir visualmente a quantidade estimada de plástico que uma pessoa consome ao longo de dez anos sem o perceber. A mostra é inaugurada hoje, na Fundação Fernando Leite Couto, numa sessão a ser marcada por uma conversa à volta das consequências dos resíduos plásticos na natureza, com a participação do ambientalista Isildo Nhantumbo. Construída integralmente a partir de garrafas plásticas reutilizadas, “Dez Primaveras” é uma instalação imersiva que convida o público a reflectir sobre a presença crescente dos microplásticos na vida e nos ecossistemas.

Composta por 520 flores suspensas, cada uma representando uma semana de vida humana, a obra traduz visualmente a quantidade estimada de plástico que uma pessoa consome ao longo de dez anos sem o perceber. De acordo com a curadoria, as delicadas flores coloridas, que ocupam o espaço do tecto ao chão, produzem um ambiente de grande impacto visual. Contudo, por detrás da sua aparente beleza, escondem uma inquietante realidade: ao contrário das flores naturais, estas não irão crescer, reproduzir-se nem nutrir a terra. “Permanecerão muito para além da nossa existência, fragmentando-se lentamente em partículas microscópicas que regressam aos nossos corpos através da água, dos alimentos e do ar que respiramos”, lê-se na nota de apresentação da mostra.

Com esta instalação, refere a curadoria, Sue Bejarano transforma resíduos descartados em matéria poética e crítica, propondo uma reflexão sobre o consumo, responsabilidade ambiental e as consequências invisíveis da cultura do plástico. “A obra evidencia um problema global que afecta todas as sociedades, mas cujos impactos são particularmente sentidos em contextos onde os sistemas de reciclagem e as políticas ambientais permanecem insuficientes”, continua. Natural do Equador, Bejarano desenvolve uma prática artística centrada nas questões ambientais contemporâneas.

Influenciada por experiências de vida em três continentes, a artista cria esculturas e instalações a partir de materiais descartados e elementos naturais. O seu trabalho integrou exposições individuais e colectivas no Senegal e encontra-se representado em colecções privadas na Europa, África e América. Actualmente, reside e trabalha em Maputo, onde desenvolve novos projectos a partir do seu estúdio. Será uma oportunidade para o público conhecer uma obra que alia arte, consciência ecológica e experiência sensorial, reforçando o papel da criação artística na promoção de debates urgentes sobre o futuro do planeta.

Fonte: Jornalnotícias

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