| O Director de Operações da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), Harold Paka, revelou na última quinta-feira (18), em Maputo, que a produção bolsista atingiu cerca de 217 mil milhões de meticais no primeiro trimestre de 2026, representando um crescimento de 6,8% em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo Harold Paka, apesar dos desafios conjunturais que o país continua a enfrentar, os resultados alcançados demonstram que os activos financeiros moçambicanos mantêm a sua capacidade de gerar valor e atrair o interesse dos investidores. Actualmente, o mercado bolsista moçambicano conta com 85 títulos cotados, maioritariamente Obrigações do Tesouro, além de acções, obrigações corporativas e papel comercial, evidenciando uma crescente diversificação dos instrumentos financeiros disponíveis para investidores e emitentes. “Particularmente relevante é o crescimento do segmento das obrigações corporativas, que registou novas emissões durante este período, reforçando o papel da Bolsa de Valores de Moçambique como uma alternativa concreta de financiamento para as empresas moçambicanas”, afirmou. Num contexto em que o acesso ao crédito bancário continua a representar um desafio estrutural para muitas empresas, o mercado de capitais surge como uma solução estratégica para financiar a expansão dos negócios, apoiar projectos de investimento, diversificar as fontes de financiamento e fortalecer a estrutura de capital das organizações. “A experiência internacional demonstra que as economias mais dinâmicas possuem mercados de capitais robustos, capazes de transformar poupança em investimento produtivo”, acrescentou. Inclusão financeira e crescimento empresarial A visão estratégica da BVM assenta em três pilares fundamentais: promover a inclusão financeira e democratizar o acesso ao investimento; apoiar as empresas na mobilização de recursos financeiros de médio e longo prazo, reduzindo a dependência do crédito bancário; e contribuir para o fortalecimento da transparência, da governação corporativa e da sustentabilidade empresarial. Harold Paka destacou igualmente os resultados alcançados pela Central de Valores Mobiliários, serviço da BVM responsável pela centralização da informação relativa aos valores mobiliários emitidos e em circulação no país. Segundo explicou, o número de títulos registados aumentou para 360, enquanto o número de investidores ultrapassou os 27 mil, reflectindo um alargamento gradual da base de investidores e uma maior integração dos cidadãos no sistema financeiro nacional. “O crescimento verificado resulta, em grande medida, do registo dos bancos comerciais na Central de Valores Mobiliários. Ainda assim, reconhecemos que persistem desafios importantes para o aprofundamento do mercado de capitais moçambicano”, referiu. Mais empresas na Bolsa O responsável destacou ainda que o quadro legal das parcerias público-privadas, dos projectos de grandedimensão e das concessões empresariais prevê que uma parcela do capital social dessas empresas possa ser disponibilizada aos cidadãos moçambicanos através da Bolsa de Valores de Moçambique. Segundo explicou, trata-se de um importante instrumento de inclusão económica, concebido para democratizar o acesso à riqueza gerada pelos grandes investimentos e reforçar a participação dos cidadãos nacionais nos sectores estratégicos da economia. “Temos actualmente 11 empresas cotadas. Já chegámos a ter 18, mas, por questões organizacionais e de cumprimento das regras do mercado, algumas tiveram de ser excluídas da cotação”, revelou. Para Harold Paka, o aumento do número de empresas cotadas deve constituir uma prioridade colectiva, envolvendo o sector privado, os reguladores, as instituições financeiras e as associações empresariais. “A entrada de mais empresas na Bolsa de Valores de Moçambique não beneficia apenas os investidores, beneficia também as próprias empresas, que passam a ter acesso a capital permanente, maior visibilidade institucional, melhores práticas de governação corporativa e maior capacidade de crescimento”, sublinhou. Dirigindo-se ao sector privado, o Director de Operações da BVM deixou uma mensagem de encorajamento, afirmando que “a Bolsa não é apenas um mercado para grandes empresas. É uma oportunidade para todas as organizações com visão de crescimento, compromisso com a transparência e ambição de construir valor sustentável”. As declarações foram feitas durante o Fórum Economic Briefing, realizado em Maputo, evento que analisou a dinâmica dos negócios e dos investimentos no primeiro trimestre de 2026. |
Na ocasião, foi igualmente apresentado o Relatório do Índice de Robustez Empresarial, documento que acompanha as tendências da actividade empresarial em Moçambique e que serviu de base para a discussão de temas de actualidade com impacto directo no ambiente de negócios do país.
Fonte: Zambeze