Praças: entre a destruição e preservação histórica

Construídas com a finalidade de preservar a memória colectiva dos moçambicanos, proporcionar lazer e ornamentar o espaço urbano, várias praças da cidade de Maputo apresentam sinais de degradação, devido ao uso inadequado e à deficiente manutenção.

Grande parte dos espaços públicos com valor histórico e social virou local de concentração de lixo, vandalismo e comércio informal. domingo visitou alguns destes lugares e descreve o respectivo estado.

Situada na baixa da cidade de Maputo e conhecida pelo seu monumento histórico, a Praça dos Trabalhadores encontra-se num ponto central de comércio e transporte público, portanto, numa área de circulação diária de milhares de pessoas.

O monumento passou a ser utilizado por muitos cidadãos como dormitório e assento improvisado. Tem servido, igualmente, como estacionamento de viaturas, o que ofusca aquele património histórico.

Cenário semelhante observa-se na Praça da Paz, localizada na Avenida Acordos de Lusaka. Esta foi requalificada e inaugurada em 2012. Além de sinais de falta de cuidados, o recinto alberga uma infra-estrutura comercial que apresenta indícios de abandono, tendo-se transformado num armazém de mercadorias de vendedores informais. No local, é possível encontrar lixo acumulado em diferentes pontos.

Na Praça 21 de Outubro, a situação é ainda mais preocupante. O recinto tornou-se abrigo de moradores de rua. A estátua ali existente encontra-se coberta de escritas e pinturas alheias ao valor artístico e simbólico da obra, evidenciando o descuido a que o espaço está sujeito.

Já a Praça dos Combatentes, concebida de forma distinta das restantes, sem sistema de jardinagem e elementos paisagísticos, é frequentemente utilizada por alunos de escolas próximas para a realização de actividades pedagógicas. Entretanto, a estrutura simbólica do local transformou-se num ponto de acumulação de diferentes tipos de materiais, objectos e resíduos.

Comércio ambulante

A Praça da Juventude, situada no bairro de Magoanine, foi requalificada em 2023, tendo passado a dispor de arrelvamento, bancos, acesso à “internet” sem fios (Wifi) e sanitários. Três anos depois, o espaço apresenta sinais de esquecimento.

Além de servir para lazer e concentrar usuários de “internet”, tornou-se um local preferencial para vendedores informais, que utilizam os bancos como pontos estratégicos de comércio.

A situação preocupa moradores e frequentadores da zona, como é o caso de Palmira Neva, a qual considera que a falta de vedação adequada contribui para a degradação do espaço.

“Deveria ter-se investido um pouco mais nesta infra-estrutura. Pela dimensão, acho que a colocação de vedação mais robusta evitaria que as pessoas atravessem o relvado”, afirmou, acrescentando ser, igualmente, necessário reforçar a segurança, visto que a praça se tornou um local inseguro devido à fraca iluminação.

Por sua vez, José Mahumane, residente no bairro Guava, que tem frequentar a praça para a prática de actividades desportivas, lamenta a inexistência de infra-estruturas destinadas aos jovens.

“O espaço é grande. Deveriam ter construído pelo menos um campo multiuso. Chama-se Praça da Juventude, mas não possui estruturas para actividades típicas para essa camada. Jogo basquetebol aqui, porque nesta zona não existem espaços apropriados e este é o que melhor se adapta neste momento”, disse.

Praça 25 de junho está engalanada

Na Praça 25 de Junho, baixa da cidade de Maputo, foram removidas as cabanas erguidas sobre o passeio, que serviam de abrigo para moradores de rua, bem como bancas improvisadas destinadas à venda de bebidas alcoólicas, com destaque para o “xivontsongue”. Há duas semanas, os vendedores de mariscos que realizavam a sua actividade comercial naquele local também foram transferidos para o Mercado Central, para melhor aproveitamento e rentabilização daquele espaço público. Paralelamente, procedeu-se à demarcação das bermas, com nova sinalização horizontal e instalação de sinais de proibição de estacionamento.

domingo ouviu alguns vendedores de mariscos que actualmente exercem a actividade no Mercado Central. Aleandro Armando, que vendia mariscos naquele espaço há quatro, conta que, há cerca de duas semanas, ele e os seus colegas foram impedidos de continuar a trabalhar nas proximidades da Praça.

“O negócio lá era rentável. Isso é que nos prendia naquela área. No entanto, o Conselho Municipal disse que não podíamos mais permanecer naquela zona por questões de higiene e saúde pública”, afirmou.

Segundo o vendedor, a situação no novo local não tem sido favorável. “Aqui fico mais tempo com a mercadoria por causa do fraco movimento”, lamentou. Por sua vez, Chico António alega desconhecer os motivos concretos que levaram à retirada dos vendedores daquele espaço. “Nós apenas ouvimos especulações. Não nos foi dada nenhuma explicação concreta, simplesmente fomos.”

Fonte: Domingo

Related posts

Na África do Sul: Governo promete travar actos de xenofobia na terça-feira

Diálogo nacional na auscultação pública: Há três cenários desenhados para a reforma do Estado

ATDI e BAU alinham visão de serviços públicos digitais integrados e centrados no cidadão