Sector agrário quer aumento de fundos do Banco Mundial

O sector da agricultura quer incremento do fundo de 500 milhões de Dólares anunciados pelo Banco Mundial para projectos de agro-negócio em Moçambique, num intervalo de dez anos, para dinamizar as cadeias de valores prioritárias, reforçar a produtividade e gerar capacidade de financiamento aos produtores.

A necessidade foi anunciada recentemente, na cidade da Beira, na Conferência do Programa MozAgriBiz do Corredor da Beira, dirigida pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, que se fazia acompanhar pelo director do Banco Mundial para Moçambique e região, Fily Sissoko, membros do governo provincial, produtores agrícolas, entre outros.

O encontro foi antecedido por uma visita a alguns empreendimentos na área do agro-negócio nos distritos de Dondo, Búzi e Nhamatanda, onde os agricultores estão empenhados na busca do aumento da produção e produtividade, meta almejada por todos. Roberto Albino destacou que a missão no Corredor da Beira visava necessariamente mostrar ao Banco Mundial as grandes necessidades de financiamento e ganhar a sensibilidade para o incremento das linhas de financiamento.

“Viemos com o director Fily Sissoko, para ele ver que precisamos deste financiamento e, acima de tudo, que seja um pouco mais do que tem sido, tendo em conta as necessidades e os trabalhos em campo.

Ele também percebeu que há muita vontade dos produtores… esperamos que tenha ficado sensibilizado”, alvitrou. Portanto, para que isso aconteça, o responsável do pelouro apelou aos empresários e agricultores mais empenho, facto que poderá gerar maior capacidade de absorção financeira e uma melhor fasquia de produção, criando vantagens que vão aliviar os gastos de importação de produtos básicos.

A outra estratégia está relacionada com a retirada de títulos àqueles que requereram a terras e deixaram-nas ociosas e atribuí-las aos que pretendem fazer o uso delas, para garantir a segurança alimentar no país.

O ministro incentivou os produtores a legalizarem as suas empresas agrícolas, a terem a contabilidade em conformidade para garantir que, chegada a hora, reúnam os requisitos para ser inclusos nos financiamentos.

“Estamos a trabalhar com a banca, para que o dinheiro vá aos empresários que têm as suas operações registadas; aquele que tiver registo do seu património, pode usar como garantia… mas muitos não estão registados. A informalidade é que nos prejudica.

Este programa que queremos implementar vai exigir que os empresários tenham a contabilidade organizada, que todas as transacções ocorram dentro do sistema legal.

Quem quer apoio, organiza-se”, vincou. O dirigente também instou aos “intermediários agrícolas” a serem mais activos na comercialização de sementes, pois a nova Lei de Sementes pressupõe a penalização criminal aos que cometerem fraudes na venda de sementes falsas, tanto é que, além de prisão, o suposto vendedor é sujeito a indemnizar o agricultor pelos danos da época agrícola.

Por outro lado, Fily Sissoko mostrou-se fascinado com o que viu e destacou que Sofala, por estar no “coração” do Corredor da Beira, é verdadeiramente um dos portais económicos de Moçambique.

Disse ainda que o corredor é mais do que uma infra-estrutura, mas a linha vital que conecta a agricultura, a logística e as redes de energia aos mercados regionais e internacionais; através da qual a segurança alimentar e o comércio podem fluir, não apenas para Moçambique, mas também para o Zimbabwe, Malawi e todos os países vizinhos.

Apontou que, durante a visita, interagiu com os principais actores do agro-negócio, os quais estão a moldar o futuro da agricultura familiar em Moçambique. Viu um centro crescente de processamento de arroz e mecanização, que fortalece a cadeia de valor do arroz e impondera os pequenos produtores.

Acima de tudo, testemunhou um forte engajamento dos produtores e ganhos de produtividade, entre outros que demostram a vontade por um futuro melhor. “Estas não são apenas empresas ou produtores, mas pilares da transformação. Eles oferecem certeza de mercado por meio de compras previsíveis e preços justos.

Actuam como centros tecnológicos, introduzindo mecanização moderna, sementes melhoradas e práticas inteligentes face ao clima. Servem como incubadoras de formação de jovens, garantindo a continuidade geracional e a transferência de competências na agricultura”, anotou Sissoko.

Declarou ter ficado muito impressionada com o espírito empreendedor das empresas do agro-negócio empenhadas no investimento a longo prazo e na criação de valor local, apesar dos constrangimentos que enfrentam.

Garantiu que deixa o Corredor da Beira com um sentido claro da direcção, de urgência e da necessidade de preparação do programa de transformação, que espera levar à aprovação do conselho até Setembro.

Fonte: Jornal Domingo

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