Duzentos e oitenta moçambicanos, incluindo mulheres e crianças, foram afectados pelos actos de violência e intimidação registados durante as manifestações anti-imigrantes ocorridas terça-feira, em diferentes províncias da África do Sul.
Deste número, cerca de 194 perderam as suas residências, após serem incendiadas pelos manifestantes, na região de Mamelodi, em Pretória. A escalada de tensão está a ser associada ao fim do prazo (30 de Junho) dado por grupos xenófobos para a saída de cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular.
O dia, segundo autoridades consulares de Moçambique neste país vizinho, foi, igualmente, marcado por um ambiente de elevada tensão, reforço das medidas de segurança pública e manifestações localizadas em outras províncias como Joanesburgo, Cabo Ocidental, North West e KwaZulu-Natal, as quais tiveram uma forte presença policial.
Estabelecimentos comerciais em várias cidades permaneceram encerrados e os transportes públicos funcionaram de forma condicionada. No mesmo dia, 38 moçambicanos foram agredidos e forçados a abandonar as suas casas em KwaZulu-Natal, concretamente em Clermont (Pinetown). Entre os afectados encontram-se mulheres, uma das quais grávida. Na província de Limpopo, 51 cidadãos nacionais procuraram abrigo num centro comunitário de desastres, na sequência dos ataques e intimidação.
Em Mpumalanga, o Consulado-Geral de Moçambique em Mbombela está a apurar eventual existência de cidadãos moçambicanos afectados por incidentes registados em Malahleni.
Na região de Durban e áreas adjacentes, foram reportados casos de intimidação e agressões contra moçambicanos, obrigando muitos a abandonar temporariamente as suas residências. As vítimas encontram-se sob protecção policial e assistência do Alto-Comissariado de Moçambique em Pretória, onde receberam alimentação, estando em curso a organização da logística para o seu repatriamento.
As missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul mantêm o acompanhamento permanente da situação e continuam a assistir e proteger os cidadãos afectados. A fronteira de Ressano Garcia, província de Maputo, que assistiu um movimento intenso de regresso de moçambicanos a 29 de Junho, um dia antes do fim do prazo para a retirada de estrangeiros, com o registo de 3205 entradas, notificou, na terça-feira, 1307 entradas, um abrandamento de 59,2 por cento, mantendo o cumulativo de 24 nacionais repatriados por situação documental irregular.
Fonte: Jornal noticias