Ucrânia poderá ter disparado um míssil balístico contra Moscovo pela primeira vez. E o objetivo pode ter sido alcançado

Até ao momento ainda não é claro se o projétil conseguiu ultrapassar as defesas russas e atingir algum alvo em Moscovo. No entanto, para a Ucrânia, o impacto imediato poderá não ser o principal objetivo. A Ucrânia poderá ter lançado, pela primeira vez desde o início da guerra, um míssil balístico em direção a Moscovo, numa iniciativa que poderá marcar uma viragem no rumo da guerra. Durante quatro anos, a realidade foi apenas uma: a Rússia disparava mísseis balísticos que a Ucrânia raramente conseguia intercetar. Agora, a ameaça parece estar a começar a fazer-se sentir nos dois lados do conflito. Através de um comunicado divulgado esta semana, o Ministério da Defesa russo fez saber que as suas defesas aéreas intercetaram um “míssil operacional-táctico de longo alcance” ucraniano, naquela que é a primeira admissão de um ataque deste tipo desde o início do conflito.

Na Terça-feira, começaram a circular nas redes sociais imagens de baterias antiaéreas russas S-300 e S-400 a interceptarem um alvo a grande altitude sobre a capital russa. A altitude em que ocorreram as interceções levou vários analistas a considerar que não se trataria de um drone ou de um míssil de cruzeiro, mas sim de um míssil balístico. “Devido ao alerta de míssil emitido para a região e à elevada altitude a que as interceções ocorreram, é possível que a Ucrânia tenha utilizado, pela primeira vez, o seu míssil balístico experimental FP-9”, observou o site AMK Mapping no X, onde também divulgou duas imagens dos alegados ataques.

Até ao momento, e segundo o The Kyiv Independent, ainda não é claro se o projétil conseguiu ultrapassar as defesas russas e atingir algum alvo em Moscovo. No entanto, para a Ucrânia, o impacto imediato poderá não ser o principal objetivo. Segundo analistas, os novos sistemas de armamento ucranianos são frequentemente utilizados em combate numa fase inicial para recolher dados e aperfeiçoar o seu desempenho, mesmo que os primeiros ataques não provoquem danos significativos. Entre as hipóteses avançadas está a utilização do míssil balístico experimental FP-9, desenvolvido pela empresa ucraniana Fire Point, embora um dos responsáveis da fabricante tenha negado essa possibilidade.

Outra alternativa apontada é o Sapsan, um míssil desenvolvido pela empresa KB Pivdenne e com alcance suficiente para atingir Moscovo, situada a cerca de 450 quilómetros da fronteira ucraniana. A estratégia de Kiev passa, segundo especialistas ouvidos pelo The Kyiv Independent, por testar novas capacidades em condições reais de combate. A própria Fire Point já recorreu a este modelo com outros sistemas de armas, como o míssil de cruzeiro FP-5, que necessitou de cerca de um ano de testes em cenário de guerra antes de começar a atingir alvos russos com maior precisão e eficácia.

Fonte: CNN

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