Guilherme Silva: “El rey”

Nasceu em Morrumbene, província de Inhambane. Ainda na tenra idade descobriu seu amor e talento na área musical. A paixão e desejo de seguir por aquele caminho surgem quando inúmeras vezes acompanhava seu irmão cantar e tocar seu instrumento.

Nessas aventuras, percebeu que seu irmão havia conquistado uma legião de admiradores. Desejou o mesmo para si, “a partir daí eu disse, pai, também quero cantar e ter muitos fãs como meu irmão”, recorda o conceituado músico moçambicano Guilherme Silva, em conversa com domingo.

Não tardou para que trilhasse pelo mesmo caminho, aliás, para Guilherme, não se tratava apenas de seguir os passos de seu irmão mais velho, existia uma veia artística que era característica dos filhos dos seus progenitores, embora seu pai tivesse concentrado seus feitos na defesa do país. Ele era militar e dos seus 14 filhos, cinco apostaram na música.

Guilherme Silva começou a cantar nos anos 70, na província de Tete, entretanto, pouco tempo depois mudou-se para a capital com sua família. Suas primeiras actuações nos palcos, concursos e programas radiofónicos eram muitas vezes em espanhol, uma língua que com muita facilidade demonstrava seu talento e a vontade de criar sua identidade.

Por este diferencial e pelo sotaque de quem era fluente naquela língua, rapidamente ganhou destaque no mercado, tornando-se num artista distinto e deveras solicitado.

Já em Lourenço Marques (hoje Maputo), participou num concurso televisivo e, para o bom início da sua carreira, tornou-se vencedor.

Devido ao destaque que passou a ter, decide viver da música. Começou a cantar em boates e em outros lugares onde era pago por actuação. Foi nesse período que conheceu e trabalhou com Wazimbo, a quem, durante a conversa, expressou a sua gratidão pelo apoio e ensinamentos.

“Contribuiu bastante para o meu crescimento quando cheguei a Maputo, por isso é um irmão que vou sempre levá-lo no coração”, exteriorizou.

Em 1979, o músico toma a iniciativa de percorrer outros horizontes já longe da “terra do Metical”. Na verdade, Guilherme acabara de atravessar um momento conturbado na sua vida e a solução que lhe veio a mente foi abraçar novas oportunidades longe das suas origens.

Sua forma de actuar permitia-o, pois, além do talento na música, tem a habilidade de decifrar o que facilmente agrada o seu público, independentemente do país onde se encontre.

Neste sentido, partiu para antiga Suazilândia (Eswatini), porém sem nenhuma documentação. Seu plano era, através da sua voz, garantir a estada naquele país.

Sempre convicto das suas capacidades e dom musical, em poucos dias de permanência, fez uma apresentação ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR) e depois de receber um feedback positivo, beneficiou do apoio daquela agência.

“Gostaram muito de me ouvir a cantar e, por isso, garantiram que ficasse naquele país sem nenhum impasse”, sustentou.

Dali não mais parou. Prosseguiu com o seu trabalho tocando em diversos locais de diversão e lazer. Entretanto, segredou que seu desejo, naquela altura, era criar ponte para realizar seu sonho de conhecer Portugal.

“Rei da noite” em madrid

Depois de alguns anos no Eswatini, o músico recebeu um convite para ir tocar num evento no seu mais sonhado país – Portugal. O sonho estava perto de concretizar-se. Finalmente em Lisboa, actuou num congresso que alavancou a sua carreira.

Seu talento era reconhecido em todos os lugares, onde se posicionava para cantar, carimbava o seu passaporte e criava outras oportunidades.

Durante a actuação, o gerente do hotel ficou fascinado pela sua forma de dominar as notas musicais, tendo lhe proposto permanecer três meses naquela estância como artista da casa. Surpreendentemente, a sua estada durou três anos.

Fonte: Domingo

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