O Presidente da República, Daniel Chapo, lançou nesta segunda-feira, em Maputo, um desafio às instituições de ensino superior moçambicanas no sentido de estas deixarem de continuamente posicionar-se como “fábricas de licenciados em desemprego”. Saindo desta lógica, as universidades devem transformar-se em verdadeiros motores de desenvolvimento económico, de acordo com a sugestão de Daniel Chapo.
“Uma das maiores preocupações do nosso governo é o emprego da juventude. É por isso que o ensino superior não pode transformar-se numa fábrica de licenciados em desemprego. Em cada jovem que ingressa numa universidade, existe uma família inteira que deposita a esperança de um futuro melhor desta família”, afirmou o Presidente da República, durante a abertura da Conferência Nacional do Ensino Superior, um evento que visa elaborar o Plano Estratégico do Ensino Superior 2027-2036.
Rutura estratégica necessária
O chefe de Estado não poupou críticas ao actual modelo de ensino superior, que classificou como desalinhado das necessidades reais. “Não construiremos uma economia moderna com universidades desligadas da economia real, daí que precisamos de uma rutura estratégica que deve ser debatida nesta conferência”, declarou, enumerando.
No entender de Chapo, a transformação passa por mudança de paradigma: “Precisamos de evoluir de universidades transmissoras de conhecimento para universidades produtoras de soluções. Queremos ver centros de excelência espalhados por todo o território nacional”.
Progressos e desafios
Apesar das críticas, o Presidente reconheceu avanços desde a independência. “Em 1975, Moçambique possuía apenas uma instituição de ensino superior. E hoje, passados 51 anos, temos 61 instituições de ensino superior distribuídas por todo o país”, afirmou Chapo.
Em relação ao número de estudantes, Chapo anotou que houve crescimento notável, passando de 100 mil estudantes em 2010 para mais de 270 mil actualmente matriculados em várias instituições de ensino superior.
Contudo, alertou que “o desafio do nosso tempo já não é apenas expandir as instituições de ensino superior. É expandir com qualidade, relevância e impacto económico e social para as populações”.
Visão regional específica
Chapo apresentou visão concreta para diferentes regiões, centrada em Cinco prioridades
O Presidente delineou, no entanto, cinco áreas prioritárias. A primeira centra-se no reforço da formação do capital humano orientado para a transformação produtiva do país, com enfoque em ciências, tecnologias, engenharias e matemática.
“Moçambique precisa de uma nova geração de engenheiros, agrónomos, cientistas, médicos, especialistas digitais, investigadores e inovadores capazes de transformar os nossos recursos em riqueza”, defendeu.
A segunda prioridade é direcionada a fortalecer ligação entre universidade e economia. Já a terceira corresponde à necessidade de elevar a investigação científica ao serviço do desenvolvimento.
“Não queremos ciência encerrada em teses guardadas em gavetas, distantes das necessidades concretas do povo”, afirmou Daniel Chapo, criticando uma realidade que caracteriza quase todas universidades a operar no país, tanto públicas, assim como provadas.
A quarta prioridade é a transformação digital pois, segundo Chapo, a transformação digital do ensino superior não é opcional, mas um “imperativo estratégico”. Por fim, apontou a necessidade de se promover o empreendedor destacou que a conferência, precedida por encontros provinciais, visa “identificar estratégias e, sobretudo, fortalecer o que nós chamamos de imperativo nacional, que é usar as potencialidades do nosso país para o desenvolvimento”.
Tovela sublinhou que o foco está “na inclusão, no ensino equitativo, no ensino relevante que possa efectivamente desenvolver as nossas localidades e que a nossa instituição do ensino superior seja basicamente relevante a partir da localidade até à nossa nação, observando, sobretudo, os indicadores de qualidade regional e internacional”.
A conferência, que decorre sob o lema “Construindo um Plano Estratégico Inclusivo, Transformador e Relevante para o Desenvolvimento Sustentável de Moçambique”, reúne, durante dois dias, dirigentes de instituições de ensino superior públicas e privadas, docentes, investigadores, estudantes, sector privado, ordens profissionais e parceiros de cooperação. Conta ainda com a participação de antigos dirigentes do ministério da educação, reitores. Painéis temáticos irão debater acesso e qualidade, relevância e empregabilidade, investigação e inovação, transformação digital, governação e internacionalização.
Fonte: MediaFax