Rússia está a perder os seus “olhos no céu”: Ucrânia tem uma nova tática para abrir caminho aos seus mísseis

Moscovo poderá enfrentar um problema dentro de pouco tempo que poderá mudar o rumo da guerra

A Rússia poderá estar a enfrentar um problema estratégico na defesa do seu espaço aéreo, à medida que diminui o número de aviões-radar Beriev A-50U ainda operacionais.

Estas aeronaves, consideradas fundamentais para detetar mísseis ucranianos de longo alcance e apoiar as defesas antiaéreas, tornaram-se um dos principais alvos de Kiev, que procura destruí-las nas bases onde estão estacionadas.

Sem um substituto em desenvolvimento, a perda destes aparelhos poderá comprometer significativamente a capacidade russa de travar ataques em profundidade.

Os A-50U, segundo o Euromaidan, desempenham um papel essencial na deteção de mísseis de cruzeiro que voam a baixa altitude, ultrapassando obstáculos naturais que dificultam a sua identificação pelos radares em terra.

Foi precisamente essa capacidade que, segundo analistas, permitiu à Rússia intercetar, no passado dia 4 de julho, cinco mísseis de cruzeiro FP-5 Flamingo lançados pela Ucrânia contra um alvo em Votkinsk, no oeste da Rússia. Ao posicionar um destes aviões sobre a rota dos mísseis, as forças russas conseguiram localizá-los e abatê-los antes de atingirem o destino.

Os mísseis FP-5, desenvolvidos pela empresa ucraniana Fire Point, têm vindo a demonstrar um alcance e poder destrutivo crescentes. Nos últimos dias, foram utilizados em ataques contra a fábrica de mísseis Titan-Barrikady, em Volgogrado, e contra a unidade de eletrónica de defesa VNIIR-Progress, em Cheboksary, onde dois dos projéteis conseguiram ultrapassar as defesas antidrone e provocar danos significativos.

Apesar do sucesso na interceção dos mísseis de 4 de julho, especialistas alertam que a Rússia dispõe atualmente de apenas cinco A-50U ativos. Segundo o analista do centro de estudos norte-americano RAND Corporation, Michael Bohnert, em declarações ao Euromaidan, seriam necessários pelo menos quatro aparelhos para manter apenas um em operação permanente, devido aos ciclos de missão, regresso e manutenção.

Além disso, o programa do Beriev A-100, apontado como sucessor desta plataforma, terá sido suspenso pelo Kremlin, deixando Moscovo sem uma alternativa imediata. A escassez destes aviões poderá tornar-se um problema crescente para a Rússia. Caso os A-50U continuem a ser destruídos ou fiquem indisponíveis, as defesas aéreas russas perderão aquele que é considerado o seu melhor sistema de vigilância aérea, abrindo caminho para que um maior número de mísseis ucranianos consiga atingir alvos estratégicos no interior do país.

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