“Moçambique Progrediu Mas Enfrenta Pobreza, Desemprego e Vulnerabilidade Climática”, Revela Akinwumi Adesina

O antigo presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, afirmou esta quarta-feira, 8 de Julho, em Maputo, que Moçambique registou progressos nos últimos 25 anos, mas continua confrontado com desafios de pobreza, emprego e expansão das oportunidades económicas. “Moçambique fez progressos importantes. O País fortaleceu o seu papel como parceiro estratégico na África Austral, desenvolveu estruturas nacionais para a transformação económica e atraiu investimentos significativos nos sectores de energia, infra-estrutura, agricultura e outros sectores produtivos”, disse Akinwumi Adesina, na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, citado pela Lusa. Segundo o antigo presidente do BAD, persistem desafios significativos, nomeadamente a pobreza, que continua a afectar muitas famílias, e a necessidade de expandir as oportunidades económicas por todas as regiões e comunidades. “A criação de emprego permanece como uma das prioridades mais urgentes do País.

Com uma das populações mais jovens da África, Moçambique enfrenta simultaneamente uma responsabilidade e uma oportunidade: criar caminhos para os jovens e a oportunidade de transformar o seu perfil demográfico numa vantagem económica”, afirmou. Akinwumi Adesina apontou ainda a vulnerabilidade climática como uma das principais ameaças ao desenvolvimento do País, referindo a frequência de ciclones e secas que continuam a afectar comunidades, agricultura, infra-estruturas e actividade económica. O antigo responsável defendeu que, nos próximos 25 anos, Moçambique deve apostar na construção de indústrias competitivas a partir dos recursos de que dispõe, aproveitando os seus recursos energéticos para viabilizar outros projectos de desenvolvimento.

“A ambição de Moçambique deve ir além da exportação de recursos. O objectivo deve ser construir indústrias, desenvolver capacidades locais, criar empregos qualificados e fortalecer a participação moçambicana nas cadeias de valor nacionais e globais”, declarou. Akinwumi Adesina defendeu igualmente um maior investimento na agricultura para combater a fome e uma aposta reforçada no capital humano, sobretudo tendo em conta a predominância da população jovem. “O sector manufatureiro exigirá trabalhadores qualificados e empreendedores inovadores. A agricultura exigirá conhecimento, tecnologia e gestão moderna.

A economia digital exigirá novas competências e criatividade. Por isso, é preciso continuar a investir em educação de qualidade, formação técnica e profissional”, afirmou. Também presente na conferência, o economista e antigo governador do Banco de Moçambique, Prakash Ratilal, defendeu que o desenvolvimento do País exige maior estabilidade e profissionalismo na administração pública, criticando a perda de “memória institucional” provocada por sucessivas alterações na estrutura governativa. “Até ao fim do ano nós temos de restabelecer a confiança dos mercados. O mercado está paralisado neste momento e sem isso não haverá desenvolvimento”, afirmou.

O economista defendeu também o alinhamento entre as políticas fiscais e cambiais e as estratégias de crescimento económico, bem como a continuação da consolidação fiscal. “Moçambique deve desenvolver o seu próprio programa de reformas. Um possível programa do FMI deve servir para implementar esse programa. O Fundo Monetário não vai dar grandes empréstimos”, afirmou. Prakash Ratilal pediu ainda uma aposta reforçada nos sectores da agricultura e do turismo, bem como maior apoio às micro, pequenas e médias empresas para estimular a criação de emprego.

Fonte: Diário Económico

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