A Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) comemorou, no dia 8 de Julho, 131 Anos de existência, numa altura em que está em recuperação das destruições nas infra-estruturas ferroviárias, causadas por chuvas intensas e cheias registadas em Janeiro, na região Sul do País, com maior incidência na Linha Férrea do Limpopo. Apesar destes desafios, principalmente os prejuízos estimados em 37 milhões de dólares americanos, os CFM continuam a ser o pilar da economia moçambicana e promotor do desenvolvimento social, cultural e do desporto. Nesse contexto, o Conselho de Administração da Empresa decidiu, no âmbito das comemorações dos 131 Anos da sua existência, desencadear acções de impacto social para a sociedade moçambicana, particularmente para as pessoas vulneráveis e portadoras de deficiência física, em substituição de uma prova internacional de atletismo que previa a participação de cerca de 1500 atletas, num percurso de 7,2km, com a partida e chegada na Praça dos Trabalhadores, localizada junto à Sede da Empresa, na cidade de Maputo.
Acções de Impacto Social em Vez da Légua Atletismo
A decisão do Conselho de Administração de avançar com acções de impacto social, em substituição da “Légua 131 Anos do CFM”, é consequência, por um lado, das chuvas intensas registadas no início do ano e que causaram cheias, sobretudo na região Sul do País, destruições de diversas infra-estruturas sociais, incluindo ferroviárias, que viriam a condicionar de forma significativa as operações logísticas, sobretudo para países vizinhos como o Zimbabwe e Botswana.
Fundamentalmente, as destruições de infra-estruturas ferroviárias nas Linhas de Ressano Garcia e de Goba, e consequente paralisação das operações de transporte de passageiros e carga diversa por um período de quatro meses, assim como o investimento em obras de reposição das linhas férreas, causaram um prejuízo estimado em 37 milhões de dólares americanos.
Estas perdas globais de cerca de 37 milhões de dólares norte-americanos estão divididas, segundo o Conselho de Administração dos CFM, em 12,75 milhões de dólares, correspondentes a perdas por carga não transportada e 25 milhões de dólares referentes a custos de reparação e reposição de infra-estruturas e equipamentos.
Por outro lado, o cancelamento da Légua representa o compromisso que os CFM têm com o desenvolvimento social, cultural e do desporto no País, que é, aliás, parte desta história dos 131 Anos da sua existência. Nesse contexto, no lugar da Légua, a Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique vai desencadear duas acções de impacto social para a sociedade moçambicana, particularmente para as pessoas vulneráveis e portadoras de deficiência física.
Trata-se da oferta de 131 cadeiras de rodas e igual número de triciclos, correspondentes aos 131 Anos do estabelecimento da primeira ligação ferroviária entre a então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo, e a cidade sul-africana de Transvaal, actual Pretória. O programa de responsabilidade social inclui também a distribuição de diversos produtos alimentares e de higiene aos orfanatos localizados ao longo do País.
A “Légua 131 Anos dos CFM” tinha sido organizada para ser uma prova internacional de atletismo que previa a participação de cerca de 1500 atletas, num percurso de 7,2km, com a partida e chegada na Praça dos Trabalhadores, localizada junto à Sede da Empresa, na cidade de Maputo, e proporcionaria prémios monetários aos vencedores das diversas categorias.
Por isso, o Conselho de Administração dos CFM afirmou em mensagem publicada na sua página do Facebook que as comemorações dos 131 Anos representam a celebração de “história viva”.
“Celebramos 131 Anos dos CFM. Uma trajectória feita de trabalho duro, evolução constante e impacto real no desenvolvimento de Moçambique”, sublinham os CFM, acrescentando que foram décadas a ligar cidades, portos e pessoas.
“A transportar cargas, sim, mas também oportunidades, crescimento e esperança”, destaca o Conselho de Administração dos CFM, acrescentando que cada linha construída representa esforço, cada porto integrado representa visão e cada colaborador representa um compromisso.
Para o Conselho de Administração, “os CFM não são apenas infra-estruturas. É movimento. É economia. É o País em marcha, e o futuro que já está em andamento”.
Retoma dos comboios na Linha do Limpopo
Para a recuperação da Linha do Limpopo, as equipas dos CFM avançaram com um conjunto de obras de reabilitação que permitiram restabelecer as condições mínimas de segurança necessárias à circulação de comboios, após a avaliação dos danos causados pelas cheias. As intervenções incidiram sobre diferentes pontos da infra-estrutura, incluindo a reposição de troços danificados e a estabilização de áreas afectadas.
No entanto, depois de quatro meses de interrupção retornou a circulação ferroviária na Linha do Limpopo, no dia 1 de Maio, cuja cerimónia foi testemunhada pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) dos CFM, Agostinho Langa Júnior. Na ocasião, Agostinho Langa Júnior almoçou com os trabalhadores envolvidos nos trabalhos de reposição gradual das infra-estruturas ferroviárias, incluindo nas intervenções técnicas realizadas no terreno, e fez saber que durante o período de interrupção mais de 100 comboios deixaram de circular, tendo afectado a dinâmica do transporte ferroviário e o fluxo regular de mercadorias ao longo do Corredor do Limpopo.
“Apesar de o comboio já estar a circular, há ainda trabalhos que vão sendo feitos”, realçou o Presidente do Conselho de Administração dos CFM, indicando que a recuperação da Linha do Limpopo prossegue no terreno.
A cerimónia que assinalou a retoma da circulação ficou marcada pelo reconhecimento do papel desempenhado pelos trabalhadores envolvidos na recuperação da Linha do Limpopo, que estiveram mobilizados no terreno durante o período de reabilitação da infra-estrutura. O Presidente do Conselho de Administração dos CFM destacou o esforço das equipas técnicas e operacionais responsáveis pelos trabalhos realizados.
“Vocês são heróis, são vencedores”, elogiou Agostinho Langa Júnior, dirigindo-se aos trabalhadores presentes na cerimónia realizada na província de Gaza. O responsável sublinhou que o trabalho realizado permitiu cumprir o compromisso assumido de restabelecer a circulação no dia 1 de Maio, data que coincide com a celebração do Dia Internacional do Trabalhador.
“Graças à entrega de cada colaborador, nas linhas sob gestão dos CFM foram transportadas 14,3 milhões de toneladas de carga diversa em 2025, representando um crescimento de 11% em relação a 2024”, disse o PCA na abertura do Conselho de Directores, recentemente realizado na cidade da Beira.
Refira-se que a Linha do Limpopo desempenha um papel relevante no sistema de transportes, sendo utilizada para o escoamento de diferentes tipos de carga, incluindo produtos agrícolas, combustíveis e outros bens. A circulação foi restabelecida com base nas condições de segurança avaliadas pelas equipas técnicas, mantendo-se a monitoria da infra-estrutura ao longo do traçado.
A Linha do Limpopo tem uma extensão de 522km, sendo a maior linha férrea do Sistema Ferroviário Sul, estabelecendo ligação entre o Porto de Maputo e o vizinho Zimbabwe, assim como entre a cidade de Maputo e o distrito de Chicualacuala, na província de Gaza, sendo que ao longo desta estratégica via existem 12 estações e 19 apeadeiros.
Fonte: Magazine Independente