MiG-29, Su-27, F-16, Mirage, Rafale e Gripen: Ucrânia prepara revolução na força aérea com aposta que muitos evitam

Em condições normais, quase nenhuma força aérea optaria por uma frota tão diversificada. Mas há uma razão para a Ucrânia tomar a decisão

A futura chegada dos primeiros caças franceses Rafale vai transformar a força aérea ucraniana numa das mais diversificadas do mundo. Segundo a Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL), a Ucrânia deverá passar a operar oito modelos diferentes de aviões de combate, fabricados em quatro países distintos.

Apesar da complexidade, especialistas consideram que esta fragmentação resulta de uma escolha estratégica imposta pela guerra e destinada a ser temporária.

O primeiro lote de quatro Rafale deverá integrar um conjunto de 16 aeronaves prometidas por França, segundo o Euromaidan. Antes disso, pilotos e equipas de manutenção ucranianas terão de concluir a formação para operar o novo caça, um processo que poderá arrancar em 2026.

A entrega das aeronaves está prevista para o período entre 2028 e 2029. Quando isso acontecer, a Ucrânia operará simultaneamente MiG-29, Su-27, Su-24 e Su-25 de origem soviética, além dos F-16 norte-americanos, os Mirage 2000 e Rafale franceses e os Gripen suecos.

Em condições normais, quase nenhuma força aérea optaria por uma frota tão diversificada. Cada modelo exige cadeias de abastecimento próprias, peças específicas, mecânicos especializados e programas de formação distintos. Por isso, países como Alemanha e França operam apenas dois tipos de caças, enquanto vários membros da NATO utilizam apenas um.

A necessidade de recorrer a diferentes modelos explica-se pela realidade do conflito. Desde a anexação da Crimeia, em 2014, a Rússia interrompeu o acesso da Ucrânia a peças para os seus caças soviéticos, tornando cada vez mais difícil mantê-los operacionais.

Sem poder esperar pela chegada em grande escala de um único modelo ocidental, Kiev aceitou todos os aviões que os aliados estavam dispostos a fornecer, criando uma força aérea composta por equipamentos muito distintos. Apesar dos desafios logísticos, esta estratégia oferece vantagens imediatas. Ao aceitar diferentes aeronaves, a Ucrânia consegue reforçar mais rapidamente a sua capacidade de combate e reduz a dependência de um único fornecedor. Assim, caso existam atrasos ou limitações no apoio a um determinado modelo, os restantes continuam disponíveis para as operações militares

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