Áreas de conservação: Mau estado das vias trava potencial do turismo

by Sérgio Tinga

O Turismo baseado na natureza é um dos importantes segmentos do sector, cujo contributo para a economia ainda está aquém do desejado, fundamentalmente pelas condições difíceis de acessibilidade às áreas de conservação.

O facto evidencia-se numa altura em que o desenvolvimento do turismo de natureza em Moçambique procura transformar estes espaços em motores de crescimento económico e de geração de rendimento para as comunidades locais e para o país no seu todo.

A este propósito, o secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge, afirmou, em entrevista ao “Notícias”, que a prioridade do Executivo passa por esboçar um plano de melhoramento das vias de comunicação e acesso aos parques nacionais, reduzindo as limitações que actualmente restringem a circulação de turistas e investidores até estas áreas.

Para o governante, a estratégia visa essencialmente deixar de depender de um turismo reservado a viaturas todo-o-terreno ( ), através da criação de condições para que veículos de turismo de menor cilindrada possam circular até às áreas de conservação.

“A grande preocupação é com o acesso. Temos de mudar de um turismo de viaturas  para um turismo de viaturas de todo o tipo que possam transportar as pessoas para o interior dos parques”, afirmou Gustavo Dgedge.

O secretário de Estado da Terra e Ambiente advoga que a melhoria dos acessos permitirá democratizar o turismo de conservação, tornando-o mais inclusivo e acessível a um número crescente de visitantes nacionais e estrangeiros.

“O nosso desafio agora é transformar as áreas de conservação em espaços onde qualquer cidadão possa, realmente, ter acesso”, sublinhou.

Para além da reabilitação das vias, o Governo tenciona impulsar o desenvolvimento económico das comunidades que vivem nas zonas circunvizinhas aos parques, através da valorização dos produtos locais e da criação de marcas associadas a cada área de conservação.

Gustavo Dgedge destacou que é preciso olhar para exemplos como os parques da Gorongosa e de Chimanimani, que já produzem mel e café, com as suas marcas próprias que identificam estes produtos no mercado.

“Estou certo de que se tivermos uma marca Gorongosa, uma marca Chimanimani, uma marca Maputo Especial ou outra associada aos produtos produzidos nestes parques estaremos também a estimular o desenvolvimento da economia das comunidades”, explicou.

Desta feita, o governante considerou que a aposta na melhoria dos acessos, aliada à valorização das cadeias de valor locais, permitirá aumentar o tempo de permanência dos visitantes, dinamizar o alojamento, o artesanato e outros serviços turísticos, contribuindo para tornar o turismo de conservação num importante instrumento de desenvolvimento económico sustentável.

Fonte: Jornal Noticias

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