A Falta de recursos financeiros, infra-estruturas e equipamentos adequados continuam a limitar a produção nacional de sementes de qualidade, reduzindo a capacidade de resposta às necessidades de produção de comida, facto que compromete os esforços envidados para garantir a segurança alimentar e a contribuição do sector na economia.
A constatação foi feita pelo investigador do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), Constantino Senete, em entrevista ao “Notícias”, tendo explicado que a instituição enfrenta constrangimentos na produção das categorias de sementes que desenvolve.
De acordo com o investigador, entre os principais desafios destacam-se a limitação de infra-estruturas adequadas para a produção, processamento e armazenamento de sementes, escassez de recursos financeiros, reduzida mecanização e os impactos cada vez mais frequentes das mudanças climáticas.
“Paralelamente, enfrentamos a ocorrência de pragas e doenças, bem como a limitada capacidade de multiplicação e distribuição em larga escala. Sem contar que a certificação, a comercialização e adistribuição envolvem, igualmente, outros intervenientes da cadeia de sementes, tornando o processo mais complexo”, explicou.
Em meio às dificuldades, o investigador assegurou que uma parte significativa das sementes produzidas pelo IIAM chega aos pequenos produtores, principalmente, através de programas governamentais, organizações não-governamentais, empresas de sementes e associações de agricultores.
“Contudo, ainda há limitações para distribuir as sementes às comunidades rurais mais remotas, facto que não depende exclusivamente do IIAM.
O papel central da instituição é a investigação científica e o desenvolvimento de variedades melhoradas, cabendo a disseminação e multiplicação das sementes a uma rede de parceiros”, anotou.
Refira-se que entre os mecanismos utilizados para garantir o acesso às sementes nas zonas mais distantes figuram os serviços de extensão rural, parcerias com governos distritais, associações de produtores, feiras de sementes, projectos de desenvolvimento e multiplicadores locais.
No que diz respeito ao acesso dos jovens agricultores às sementes melhoradas, Senete reconheceu que persistem obstáculos relacionados com o financiamento, acesso à terra, crédito, informação e mercados. Ainda assim, considera encorajador o crescente interesse da juventude pela agricultura comercial.
Fonte: Jornal Noticias