O futuro económico de Moçambique passa pela transformação local das matérias-primas nacionais e exportação de produtos industrializados, uma estratégia que poderá permitir a geração de riqueza, criação de emprego e o fortalecimento da indústria nacional rumo à soberania e independência económica do país. O posicionamento foi assumido, na sexta-feira, na cidade de Nacala, província de Nampula, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, na inauguração da fábrica da Cimentos de Moçambique, uma unidade industrial ampliada e modernizada e que passa a transformar matérias-primas locais, como calcário e carvão mineral, em cimento para construção. A unidade industrial demonstra, na prática, o modelo de desenvolvimento que o Governo pretende consolidar, baseado na valorização dos recursos nacionais ao longo de toda a cadeia produtiva. Esta transformação trouxe mudança estrutural no modelo económico do país, reduzindo a dependência da importação de matérias-primas, para depois reter divisas e reforçar a capacidade produtiva da indústria. O Chefe do Estado explicou que o clínquer anteriormente importado passou a ser produzido e processado no distrito de Nacala, enquanto o carvão extraído em Moatize, província de Tete, alimenta a central de geração de energia da fábrica, permitindo que o cimento seja produzido em território nacional e colocado nos mercados interno e externo com maior valor acrescentado.
Com o fim da importação de clínquer, a empresa, detida pelo grupo chinês Huaxin, passa a poupar cerca de 60 milhões de dólares, recursos que permanecem na economia do país e podem impulsar novos investimentos produtivos. O Estado pretende fazer da industrialização o principal motor do desenvolvimento, privilegiando investimentos que transformem internamente os recursos minerais, energéticos e outras matérias-primas disponíveis em Moçambique. Na visão do Presidente da República, o país deve deixar de ser apenas fornecedor de recursos em estado bruto para se afirmar como produtor e exportador de bens industriais com maior valor económico. “Temos dito que as matérias-primas do país devem ser processadas localmente. Esta fábrica é um exemplo disso. O clínquer moçambicano é processado aqui. O carvão nacional gera energia e o cimento sai já processado para a exportação.
Esta é a nossa visão para os próximos anos”, afirmou. Sublinhou que esta orientação estratégica se reflecte nas reformas legislativas recentemente aprovadas, como a nova Lei de Minas, a Lei de Petróleo e a Lei de Conteúdo Local, instrumentos que procuram criar condições para que os recursos naturais sejam transformados no país, ampliando a participação das empresas nacionais nas cadeias de valor e promoção da industrialização. “Ao transformar localmente os recursos naturais, o Estado assegura a geração de riqueza, aumento das exportações, entrada de divisas, criação de postos de trabalho e fortalecimento da soberania económica. Uma indústria forte permite dinamizar as economias, ampliar oportunidades para a juventude e consolidar um crescimento económico mais sustentável e inclusivo”, afirmou. Daniel Chapo indicou, por isso, que a ampliação da fábrica da Cimentos de Moçambique em Nacala simboliza mais do que a expansão de uma unidade industrial.
Além de produzir clínquer, através do calcário extraído em Quissimajulo, no distrito de Nacala, a ampliação e modernização da unidade incorpora soluções modernas de eficiência energética e sustentabilidade industrial, pois possui uma central de geração de energia eléctrica que permite à fábrica aumentar a eficiência da produção e reduzir dependência da rede eléctrica nacional. Reforço da oferta A inauguração da fábrica da Cimentos de Moçambique aumentou a capacidade de produção de 390 mil toneladas para 1,2 milhão de toneladas de cimento por ano, reforçando a oferta para o mercado nacional e estrangeiro. O facto resultou de um investimento avaliado em 110 milhões de dólares, fazendo com que a unidade passasse a produzir clínquer localmente, numa clara independência em relação à importação da matéria-prima para a produção de cimento.
Segundo Fernando Barreto, director-executivo da empresa, o projecto integra infra-estruturas modernas concebidas para aumentar a eficiência, fiabilidade e capacidade de resposta da unidade industrial, como o forno de clínquer, com capacidade de três mil toneladas por dia, a energia e moagem, através da central de produção própria de energia eléctrica e novos equipamentos de moagem e ensacamento. A modernização da fábrica introduz, igualmente, a componente logística marítima, por meio de novo cais e navio dedicado ao transporte de cimento, o que fortalece a cabotagem nacional e a ligação com mercados regionais. Além de abrir espaço para apoiar grandes projectos de investimento, como o de Gás Natural Liquefeito (LNG), na província de Cabo Delgado. Com a transformação de recursos naturais em clínquer, elimina-se a importação anual de cerca de 300 mil toneladas desta matéria-prima, operação que representava um custo estimado em 50 milhões de dólares por ano.
Estes investimentos geram impactos na economia da região, através da criação de empregos técnicos e qualificados, bem como a geração de divisas, com a exportação do produto final para mercados como Comores e Madagáscar. Disponibilizados fundos para recuperação empresarial Cento e vinte e três empresas das províncias de Nampula, Cabo Delgado e Tete receberam, ontem, do Presidente da República, Daniel Chapo, na cidade de Nacala, cheques gigantes, no âmbito dos fundos de Recuperação Empresarial e Catalítico. Do universo das beneficiárias, 93 empresas foram contempladas na V edição do Fundo de Recuperação Empresarial, das quais 44 pertencem à província de Nampula, 28 de Cabo Delgado e 21 de Tete, num investimento global de cerca de quatro milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 245 milhões de meticais. Enquanto isso, 30 outras empresas receberam financiamento, no âmbito da V edição do programa MozRural, incluindo oito da província de Nampula, numa iniciativa destinada a reforçar a capacidade produtiva e acelerar a recuperação económica.
Cada empresa recebeu, em média, 42 mil dólares, o correspondente a cerca de 2,6 milhões de meticais. Os financiamentos destinam-se a investimentos em infra-estruturas, aquisição de equipamentos, meios circulantes e insumos, bem como a manutenção e criação de postos de trabalho. Entre as empresas apoiadas pelo Fundo Catalítico, destacam-se 24 do sector de agro químicos, com uma subvenção agregada de três milhões de dólares, e seis do sector de sementes, financiadas com 851 mil dólares. Daniel Chapo disse que todas as empresas aprovadas para o Fundo de Recuperação Empresarial receberam o primeiro desembolso, estando previsto que aquelas que concluíram, com sucesso, a primeira fase dos seus projectos tenham o segundo e último desembolso, ainda durante o mês de Julho de 2026.
Com a entrega dos novos financiamentos, o Governo refere já ter colocado à disposição do sector privado nacional cerca de 74 milhões de dólares, através dos diferentes mecanismos do Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração, com o objectivo de fortalecer as Pequenas e Médias Empresas, consideradas o principal motor da economia moçambicana. O Chefe do Estado defendeu maior transparência e celeridade na gestão dos fundos públicos destinados ao sector privado, afirmando que o objectivo do Governo é aumentar a produção, impulsar as exportações, gerar emprego e contribuir para a redução da pobreza e da insegurança alimentar no país. Reiterou que o compromisso é de continuar a mobilizar recursos para financiar o sector privado, destacando a parceria com o Banco Mundial e outros parceiros de cooperação, ao mesmo tempo que apelou à avaliação do impacto do Fundo Catalítico, criado há uma década, para consolidar os seus resultados e reforçar o apoio às empresas moçambicanas.
Fonte: Jornal Domingo