Sempre que o Presidente da República realiza uma deslocação ao exterior, o debate ressurge. De um lado, há quem considere estas viagens um desperdício de recursos públicos, sobretudo num país onde persistem enormes desafios económicos e sociais. Do outro, há quem as veja como um investimento estratégico, capaz de gerar benefícios políticos, económicos e diplomáticos que ultrapassam, em muito, os custos imediatos da sua realização.
A questão que se impõe é simples: devemos avaliar estas viagens pelo dinheiro que custam ou pelos resultados que podem produzir?
Para responder com rigor, importa partir da realidade actual de Moçambique.
Chapo assumiu a liderança do país num contexto económico particularmente desafiante, caracterizado por limitações financeiras, elevados níveis de pobreza, necessidade de criação de emprego, insuficiência de infra-estruturas, exigência de modernização tecnológica e crescente pressão para acelerar o desenvolvimento social.
Perante este cenário, seria pouco realista acreditar que Moçambique conseguirá responder, sozinho, a todos estes desafios apenas com recursos internos. O desenvolvimento exige investimento, tecnologia, mercados, conhecimento, inovação e parceiros estratégicos. É precisamente neste contexto que a diplomacia económica assume um papel determinante.
As deslocações internacionais do Chefe do Estado devem ser compreendidas como instrumentos da política externa destinados a criar oportunidades para o país. Não se trata apenas de cumprir protocolos diplomáticos, mas de promover Moçambique, captar investimento, fortalecer relações políticas, dinamizar o comércio, abrir novos mercados e consolidar parcerias internacionais.
Por isso, as viagens presidenciais devem ser avaliadas pelo retorno que proporcionam ao país, seja sob a forma de investimentos, acordos de cooperação, criação de emprego, assistência técnica, acesso a financiamento ou reforço da posição internacional de Moçambique.
A história demonstra que nenhum país se desenvolve isoladamente. As economias que hoje apresentam elevados níveis de crescimento são precisamente aquelas que conseguiram integrar-se nas cadeias globais de investimento, comércio e inovação.
Num mundo altamente competitivo, a imagem internacional dos países influencia directamente as decisões dos investidores. Estados que transmitem estabilidade política, segurança jurídica e visão estratégica conseguem atrair mais investimento do que aqueles que permanecem ausentes dos grandes fóruns internacionais.
Com estas visitas, Daniel Chapo posiciona Moçambique como um país aberto ao investimento, comprometido com reformas estruturais e determinado em acelerar a modernização do Estado.
Moçambique necessita de abrir novos mercados, atrair investimento estrangeiro, fortalecer relações económicas, captar tecnologia, diversificar parceiros internacionais e posicionar-se num mundo cada vez mais competitivo.
Estes objectivos não se alcançam apenas a partir de Maputo. Exigem presença internacional, diálogo permanente e liderança diplomática.
Com alguma preocupação temos acompanhado vozes de alguns políticos a fazerem cálculos manipuladores e mal intencionados sobre estas viagem.
Se até os partidos políticos, confissões religiosas, empresas e outras entidades têm buscado parcerias internacionais para fortalecer as suas estruturas e bases de actuação, com maior razão o gestor de um Estado deve fazê-lo. A governação de um país exige alianças estratégicas que vão além das fronteiras.
Há quem defenda que o Chefe do Estado deveria delegar algumas visitas ao exterior. Pode fazer sentido, mas essa decisão precisa de ser muito bem ponderada.
Quando um Chefe de Estado convida outro Chefe de Estado e recebe um representante em seu lugar, passa a ideia de que o evento não teve a devida relevância. Isso é prejudicial.
O mesmo acontece nos nossos eventos sociais, quando recebemos um convite e enviamos um delegado, o nível de tratamento e de abordagem nunca é o mesmo.
O país precisa de representação ao mais alto nível. Isso transmite seriedade e compromisso com os processos. O Presidente Chapo precisa de reconstruir a confiança de Moçambique no contexto internacional, e a presença pessoal do Chefe do Estado é parte fundamental desse exercício.
Em última análise, as viagens do Presidente Daniel Chapo devem ser avaliadas pelo seu impacto estratégico e pela capacidade de gerar oportunidades para o país. Se delas resultarem investimentos, criação de emprego, transferência de tecnologia, fortalecimento institucional e melhoria das condições de vida dos moçambicanos, então deixarão de ser vistas como um simples gasto para serem reconhecidas como aquilo que verdadeiramente podem representar: um investimento no futuro de Moçambique.
Fonte: Jornal noticias