Chua Nuvunga e Nhez Nguenha levam a “voz de rua” à galeria

“VOZ da Rua” é o nome de uma exposição colectiva de pintura dos artistas moçambicanos Chua Nuvunga e Nhez Nguenha, patente a partir de hoje, na Fundação Fernando Leite Couto, cidade de Maputo. Na mostra, que conta com a curadoria de Yolanda Couto, Nhez Nguenha desafia o apreciador a atravessar a superfície para aceder a um território profundamente onírico e lírico, povoado por vozes, corpos, melodias e paisagens emocionais. Nas suas obras, aves, instrumentos musicais e outros elementos recorrentes funcionam como metáforas da liberdade, desejo, utopia e incerteza. “Sou artista porque amo a arte e me identifico com ela. Desde a minha infância tive o gosto de criar como uma forma de libertar o meu mundo interior e as minhas emoções”, explica. Nguenha apresenta as vivências culturais e sociais moçambicanas. “Nas minhas obras predominam principalmente as cores primárias, com o tom leve e por vezes o tom muito forte, com cores muito vivas. O sentimento bruto se transforma em cor e o pensamento íntimo ganha vida”, disse. E se a pintura de Nhez sugere, a escultura de Chua Nuvunga materializa.

O artista transforma metáforas em corpo, conferindo volume e presença física ao sonho, à liberdade e à utopia anteriormente insinuados. A união deixa então de ser apenas um princípio moral para tornar-se um princípio escultórico: nenhum corpo existe sozinho; todos resultam da confluência de outros corpos, outras matérias, outras histórias. “A combinação da madeira, do metal e dos materiais incorporados cria um diálogo entre resistência e fragilidade, sugerindo a tensão existente entre a imagem pública de santidade e as falhas humanas que podem existir em indivíduos investidos de autoridade”, afirma Chua Nuvunga. Felisberto Moisés Nguenha, artisticamente Nhez Nguenha, nasceu em 1987, no bairro Polana-Caniço, em Maputo.

Artista autodidacta e multifacetado, dedica-se às artes plásticas, arte urbana, hip hop e poesia. Iniciou a actividade profissional em 2016, no Núcleo d’Arte, onde desenvolve a sua técnica e linguagem. Trabalha também com crianças no projecto Criança e Arte. Participou no documentário Etnografia de uma Cidade Dividida e em exposições colectivas. As suas obras integram colecções privadas em Moçambique e no estrangeiro. Já Jochua Fernando Nuvunga, artisticamente Chua Nuvunga, nasceu em Maputo, em 1989.

Artista plástico autodidacta, rapper, compositor e activista social, fundou o Movimento Humilde e o Movimento Pacífico e Revolucionário de Moçambique. Aperfeiçoou técnicas de pintura, mosaico, colagem e assemblagem com artistas moçambicanos. Nas suas esculturas, utiliza materiais reciclados para representar emoções humanas e denunciar desigualdades sociais. Em 2024, integrou o Top 10 do Prémio Melhor Futuro, da Colecção Crescente. As obras são estudadas no Instituto Superior de Artes e Cultura.

Fonte: Jornal Notícias

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