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| A cidade de Chimoio experimenta o frenesim da etapa final dos preparativos da XI Conferência Nacional de Quadros do partido Frelimo, evento a ter lugar de sexta-feira a domingo da semana que hoje inicia e que vai contar com 2600 delegados, 400 convidados, mais de 2000 elementos de apoio, segurança, logística, limpeza, 125 jornalistas de órgãos públicos e privados, músicos e grupos culturais, pessoal de protocolo e de ornamentação, entre outros. Para acolher a toda esta gente e ciente da pequena dimensão e capacidade de acomodação existente em Chimoio, o Comité Provincial da Frelimo, entidade a quem foi entregue a competência de organizar o evento, solicitou os préstimos dos operadores turísticos, de restauração e similares dos distritos circunvizinhos, nomeadamente Gondola, Sussundenga e Vandúzi. Em entrevista ao domingo, o porta-voz da Frelimo, Pedro Guiliche, escalpela o estágio dos preparativos do evento, os objectivos, o perfil dos delegados, a origem dos convidados e os desafios que o partido pretende ultrapassar. A poucos dias da XI Conferência Nacional de Quadros. O que é que já está pronto e falta fazer? — Neste momento, todas as condições estão criadas, a começar pelos locais de alojamento, que era o principal desafio para a cidade de Chimoio, em particular, e para a província de Manica, no seu todo, que não tem uma grande variedade em termos de alternativas e soluções. Ainda assim, foi possível ter um resultado satisfatório, contando com o engajamento de actores locais para acomodar os três mil delegados e convidados. Que condições foram criadas? — Fizemos uma combinação de opções e soluções, se assim quisermos dizer, entre alojamentos convencionais e outros que foram adaptados para o contexto. É importante referir que a partir do dia 17 as delegações começam a chegar e no dia 19 teremos todas as comitivas aqui. Também vale destacar que essas delegações são representativas do universo dos cerca de seis milhões de membros da Frelimo. Que definição faz desta conferência? — É um órgão consultivo no qual a direcção máxima do partido busca subsídios e contribuições dos moçambicanos de diferentes estratos sociais e especialidades para a construção de uma agenda comum de desenvolvimento do nosso país, orientada para a independência económica que almejamos. Sempre se fala em delegados. Qual é o seu perfil? — Os delegados foram eleitos em função do número de membros que cada província possui. É preciso ressaltar que quem participa neste evento, em primeiro lugar, são os órgãos do partido e outros actores da sociedade que se têm destacado nos seus sectores de actividade. Por exemplo? — Fazedores das artes e cultura, academia, sector empresarial, nos mais diversos ramos, entre outros, visando fazer com que o partido funcione de forma cada vez mais refinada, como o centralizador e veículo das necessidades da sociedade em relação ao Governo a quem compete definir políticas públicas com vista a atender a essas mesmas demandas sociais. Daí a ampla cobertura jornalística que se prevê… — Pois. Já temos 125 jornalistas acreditados e que estão ligados a órgãos de comunicação social públicos e privados. E também muitos convidados… — Em relação aos convidados de fora, vale destacar que teremos a presença de representantes de partidos irmãos, nomeadamente Chama Cha Mapinduzi, da Tanzânia, Swapo, da Namíbia, ZANU-PF, do Zimbabwe, MPLA, de Angola e ANC, da África do Sul. Todas essas confirmações já estão feitas, como disse, nesta fase trabalhar-se para pequenos ajustamentos, com vista a que de 21 a 23 de Agosto a conferência tenha lugar. Independência económica como tema central Quais são os temas centrais que se pretende debater? — Como dissemos, a independência económica é o tema central. É preciso olhar, por exemplo, para a província de Manica com todo o seu potencial agro-pecuário e dizer o seguinte: “tendo estas condições agro-ecológicas, como é que podemos avançar com êxito para a soberania alimentar?”. Isto significa ter uma melhor capacidade de investir no conhecimento, apostar nos nossos próprios recursos e trabalhar a terra para produzirmos comida. O mesmo se pode dizer em relação aos recursos minerais… — Exacto. Podemos olhar para os abundantes recursos minerais que Manica possui. Como é que a exploração desses recursos permite oportunidades de desenvolvimento das comunidades locais? E como é que, em função deste quadro legal, que foi agora revisto, com vista a uma maior substância do conteúdo local, se pode materializar o desenvolvimento da província e do país. Porém, temos outros desafios. Moçambique tem um potencial turístico extremamente grande. Como é que transformamos o turismo numa indústria capaz de catapultar a nossa economia? Portanto, tudo o que esta conferência vai fazer é buscar os diferentes aspectos que darão corpo a esta agenda da independência económica. A conferência vai produzir as recomendações que serão recebidas pelo Comité Central que, por sua vez, deverá desempenhar a sua função de orientar o Governo nos devidos terrenos. Para além das matérias económicas, também existem questões sociais como Educação e Saúde… — Claramente. Não se pode pensar na agenda da independência económica sem um sistema de educação forte, que deve preparar os jovens de hoje e amanhã. Mas, também não se pode pensar no desenvolvimento das nações sem ordem, segurança e tranquilidade pública. Igualmente, não podemos pensar na materialização da agenda da independência económica sem termos uma população que esteja saudável para poder trabalhar. Uma nova página da nossa história O que vai acontecer a partir de amanhã? — Começam a chegar as delegações. Os grupos técnicos de trabalho já estão aqui. Vamos iniciar o refinamento de um e outro aspecto de natureza organizacional e, no dia 20, vamos receber o presidente Daniel Chapo. Vale também destacar que junto a este local, onde terá lugar a conferência, teremos uma mega exposição aberta ao público, que vai se centrar essencialmente na celebração da nossa diversidade cultural, étnica e linguística, e de produtos e pratos dos mais variados cantos do país. Houve uma razão específica para a escolha de Manica para acolher este evento? — Reuniões desta dimensão são realizadas historicamente em diferentes pontos do nosso país. É uma forma de sinalizar, de forma positiva, e com acções concretas, que o desenvolvimento e as oportunidades deste país devem ser colocadas lá onde está o povo, onde estão as comunidades. Então, Manica teve a honra de ser escolhida para acolher este evento. É também uma oportunidade de trazer para aqui uma maior capacidade de organizar e realizar eventos desta dimensão. |
Então, podemos considerar que está tudo a postos? — Absolutamente.
Fonte: Domingo