Chapo quer uma nova era de soberania económica para Moçambique

by Dilan Abdala

Na sua alocução de abertura, o Presidente Daniel Chapo foi decisivo em afirmar: o país está perante um desafio geracional que exige uma mudança de paradigma. “Se os primeiros cinquenta anos foram marcados pela conquista e consolidação da independência política, os próximos cinquenta anos devem ser orientados para a conquista da independência económica”, declarou o dirigente perante os delegados.

Para Chapo, este objectivo não significa o isolamento de Moçambique, nem a rejeição do investimento estrangeiro ou da cooperação internacional. Pelo contrário, trata-se de capacitar o país para participar activamente na economia global, a partir de uma posição de soberania, transformando os recursos naturais como o ouro, o carvão, o gás, o rubi e o grafite em riqueza nacional geradora de emprego e prosperidade para as famílias moçambicanas.

Reformas estruturais e participação do Estado


O Presidente da Frelimo sublinhou a necessidade de acções concretas, destacando o papel das reformas legislativas recentemente implementadas.


O líder partidário defendeu a importância da revisão da legislação mineira e petrolífera, que assegura ao Estado uma participação gratuita e não diluível de quinze por cento em todos os empreendimentos do sector.


“Não faz sentido que, sendo os recursos naturais propriedade do Estado, a sua participação nos projectos seja condicionada à realização de capital ou beneficie apenas um grupo restrito de pessoas”, afirmou Chapo, reiterando que o foco deve ser o benefício colectivo do povo. O plano inclui a industrialização, o processamento interno dos recursos e a modernização da agricultura, sectores que Chapo identifica como vitais para a soberania alimentar e o dinamismo económico.

Coesão e abertura democrática


A conferência, descrita pelo líder como um órgão consultivo de extrema importância, reflecte a natureza da Frelimo como um partido “verdadeiramente democrático”. Daniel Chapo valorizou a presença de diversos convidados, provenientes de vários segmentos da sociedade civil, académica e política, reafirmando a visão de que a diversidade é uma riqueza que deve ser fortalecida.


O evento serviu também para saudar a solidariedade internacional, com a presença de delegações de partidos históricos da região, como o ANC (África do Sul), a Chama Cha Mapinduzi (Tanzânia), o MPLA (Angola), a SWAPO (Namíbia) e a ZANU-PF (Zimbabué). O Presidente da Frelimo evocou o legado dos líderes fundadores como Eduardo Mondlane, Samora Machel, Agostinho Neto, Nelson Mandela, Robert Mugabe, entre outros para apelar a uma actuação conjunta contra a violência e a instabilidade na região da África Austral.

Com este encontro, a Frelimo procura traçar as linhas gerais que orientarão o Comité Central na elaboração das teses para o próximo Congresso. O sentimento, à saída da abertura dos trabalhos em Chimoio, é de que a consolidação da coesão interna e o renovar do pacto com o povo são os pilares indispensáveis para que Moçambique vença o desafio da independência económica.

Fonte: O País

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