O XIII Congresso da Frelimo, a ter lugar entre os dias 20 e 25 de Julho de 2027, na província de Nampula, será o quarto a decorrer fora de Maputo, sendo o primeiro a realizar-se na província mais populosa do país. Dados recolhidos pela “Carta” indicam que, dos 12 congressos já realizados pelo partido no poder, apenas três decorreram fora de Maputo, com destaque para o primeiro, que teve lugar em Dar-es-Salaam, na Tanganhica (hoje Tanzânia), entre os dias 23 e 28 de Setembro de 1962. Fonte: Carta de Moçambique, 28/08/2026 “XIII Congresso da Frelimo é o quarto a decorrer fora de Maputo” O histórico congresso elegeu Eduardo Mondlane como primeiro Presidente da organização e estabeleceu a luta armada como caminho para o alcance da independência nacional, caso Portugal não aceitasse a independência pacífica.
O segundo congresso da Frelimo realizado fora de Maputo é, exactamente, o segundo da organização, que decorreu na Área Libertada de Matchedje, na província do Niassa, entre os dias 20 e 25 de Julho de 1968. É o congresso que reelegeu Eduardo Mondlane como líder do então movimento de libertação nacional e definiu a estratégia de uma guerra popular e prolongada para alcançar a independência nacional. Ficou conhecido como o “Congresso da Vitória” por ditar orientações fundamentais na organização estrutural do movimento e impulsionar a Luta Armada de Libertação Nacional. Já o terceiro e último congresso realizado fora de Maputo decorreu na cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, entre os dias 23 e 28 de Setembro de 2012. Foi, na história, o X Congresso do partido no poder desde a independência nacional, tendo reafirmado o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a boa governação.
Os restantes nove congressos tiveram lugar na cidade e província de Maputo, incluindo os últimos dois congressos, decorridos em 2017 (de 26 Setembro a 02 de Outubro) e 2022 (de 23 a 27 de Setembro), na cidade da Matola, província de Maputo. O primeiro a ter lugar em Maputo foi o III Congresso, que decorreu entre os dias 03 a 07 de Fevereiro de 1977.
Refira-se que o III Congresso da Frelimo foi o primeiro a realizar-se em Moçambique após a independência nacional, tendo declarado aquela formação política como partido marxista-leninista e adoptado o socialismo como ideologia oficial do partido. Discursando na quarta-feira, no fecho da IV Sessão Extraordinária do Comité Central, Daniel Chapo, Presidente da Frelimo, disse que o XIII Congresso deverá permitir ao partido olhar para a história com respeito, o presente com sentido crítico e para o futuro com coragem e determinação. “Deverá ser um Congresso capaz de garantir que a nossa sexagenária FRELIMO continue a guiar os moçambicanos nas próximas décadas, na sua marcha rumo à Independência Económica”, defendeu. O XIII Congresso deverá, entre outras decisões, consolidar a liderança de Daniel Chapo, que assumiu a liderança do partido em Fevereiro de 2025, após renúncia de Filipe Nyusi.
Entre as mexidas estarão a composição do Comité Central e da Comissão Política, os dois mais “nobres” órgãos do partido no poder. Para o XIII Congresso, sublinhe-se, foram definidas, na XI Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, que teve lugar em Chimoio, província de Manica, entre os dias 21 e 23 de Agosto corrente, sete possíveis teses, nomeadamente, unidade nacional, paz e segurança: alicerces da reconciliação, estabilidade e desenvolvimento de Moçambique; independência económica: garante do bem-estar e prosperidade do povo moçambicano; e juventude: nossa aposta para a transformação de Moçambique. “XIII Congresso da Frelimo é o quarto a decorrer fora de Maputo” Foram ainda definidas as seguintes propostas de teses: mulher: pilar do desenvolvimento da sociedade; Estado de Direito Democrático, Boa Governação e Descentralização: fundamentais para uma administração pública mais transparente, mais íntegra, mais eficiente e mais próxima do povo; sustentabilidade do partido; e a Frelimo e os desafios da geopolítica internacional.
Fonte: Carta de Moçambique