Pre­si­dente da Repú­blica exige coman­dos pre­pa­ra­dos para res­pon­der a ame­a­ças com­ple­xas

O Pre­si­dente da Repú­blica e Coman­dan­te­chefe das For­ças de Defesa e Segu­rança (FDS), Daniel Chapo, defen­deu, nesta sexta-feira, em Nacala, pro­vín­cia de Nam­pula, a moder­ni­za­ção e o reforço das capa­ci­da­des das For­ças Arma­das de Defesa de Moçam­bi­que (FADM), face à cres­cente com­ple­xi­dade das ame­a­ças à segu­rança naci­o­nal, des­ta­cando a neces­si­dade de com­bi­nar equi­pa­mento moderno com for­ma­ção, inte­li­gên­cia, logís­tica e capa­ci­dade de deci­são.

Falando por oca­sião do encer­ra­mento do 31º Curso de coman­dos, na Escola de For­ma­ção de For­ças Espe­ci­ais de Nacala, o esta­dista afir­mou que a pre­pa­ra­ção mili­tar deve res­pon­der às novas carac­te­rís­ti­cas dos con­fli­tos, mar­ca­das pelo recurso a dro­nes, sis­te­mas de vigi­lân­cia, inte­li­gên­cia arti­fi­cial, comu­ni­ca­ções segu­ras e outros meios tec­no­ló­gi­cos.

“E importa aqui refe­rir que moder­ni­zar as for­ças arma­das não sig­ni­fica ape­nas adqui­rir equi­pa­mento, mas tam­bém for­mar homens e mulhe­res com a neces­sá­ria capa­ci­dade de ope­rar estes equi­pa­men­tos.”

O Pre­si­dente Chapo sub­li­nhou que a for­ma­ção de coman­dos deve pre­pará-los para enfren­tar situ­a­ções difí­ceis e com­ple­xas, medi­ante um pro­cesso rigo­roso de selec­ção e for­ma­ção, que inclui dis­ci­plina, resis­tên­cia física, pre­pa­ra­ção psi­co­ló­gica e aqui­si­ção de com­pe­tên­cias téc­ni­cas para a actu­a­ção no ter­reno.

Ao diri­gir-se aos fina­lis­tas, o Coman­dante-chefe das FDS des­ta­cou as res­pon­sa­bi­li­da­des acres­ci­das decor­ren­tes da espe­ci­a­li­dade mili­tar, asso­ci­ando a boina, a farda e o dis­tin­tivo a valo­res como dis­ci­plina, cora­gem, pron­ti­dão, leal­dade e com­pro­misso com o País.

“Por isso, ajam com inte­gri­dade, fir­meza e dureza quando for para defen­der Moçam­bi­que. E isto é ine­go­ci­á­vel. A Pátria não tem preço, e a defesa da Pátria não se delega”, afir­mou.

O Chefe do Estado salie­n­tou igual­mente que a expe­ri­ên­cia acu­mu­lada no com­bate ao ter­ro­rismo em Cabo Del­gado deve ser apro­vei­tada para for­ta­le­cer a pre­pa­ra­ção das for­ças, defen­dendo que a defesa da Pátria requer mais do que arma­mento.

“A defesa da Pátria exige, não ape­nas ter homens com uma arma na mão, mas tam­bém requer tec­no­lo­gia, logís­tica, dou­trina, inte­li­gên­cia, infor­ma­ção, lide­rança e capa­ci­dade de deci­são em momen­tos difí­ceis”, decla­rou.

Sobre a actu­a­ção dos mili­ta­res, o Coman­dante-chefe enfa­ti­zou que a força mili­tar deve estar subor­di­nada à lei e ao ser­viço da popu­la­ção, defen­dendo o res­peito pelos direi­tos huma­nos e pela dig­ni­dade da pes­soa humana. “A força mili­tar só é ver­da­dei­ra­mente legí­tima quando está ao ser­viço da Nação, do povo e subor­di­nada ao Estado de Direito”, disse.

Em rela­ção ao com­bate ao ter­ro­rismo, Daniel Chapo afir­mou que a situ­a­ção de segu­rança em Cabo Del­gado apre­senta actu­al­mente melho­rias face a perí­o­dos ante­ri­o­res, atri­bu­indo esse resul­tado à actu­a­ção das FDS, da Força Local e das for­ças ami­gas do Ruanda e da Tan­zâ­nia. Sub­li­nhou, con­tudo, que os mili­ta­res devem per­ma­ne­cer pre­pa­ra­dos para res­pon­der às ame­a­ças, adver­tindo: “Este­jam sem­pre em pron­ti­dão com­ba­tiva. Não dei­xem que a rotina subs­ti­tua a pron­ti­dão”.

O Pre­si­dente da Repú­blica ape­lou ainda aos novos coman­dos para que actuem com fir­meza perante as ame­a­ças, mas man­te­nham uma rela­ção de pro­xi­mi­dade e pro­tec­ção das comu­ni­da­des.

“Sejam fir­mes perante a ame­aça; batam duro o ini­migo; sejam bra­vos e rís­pi­dos com os ter­ro­ris­tas; escan­ga­lhem a estru­tura dos ban­di­dos ter­ro­ris­tas; mos­trem mus­cu­la­tura, mas sejam huma­nos e amá­veis para com o nosso povo”, ori­en­tou. Na oca­sião, feli­ci­tou os fina­lis­tas pela con­clu­são do curso e reco­nhe­ceu o papel das suas famí­lias nos sacri­fí­cios asso­ci­a­dos à car­reira mili­tar. Aos novos coman­dos, dei­xou qua­tro pala­vras como refe­rên­cia para a vida pro­fis­si­o­nal: “Mis­são”, “Pátria”, “Honra” e “Sacri­fí­cio”, antes de decla­rar encer­rado o 31º Curso de Coman­dos da Escola de For­ma­ção de For­ças Espe­ci­ais, em Nacala. A pri­mei­ra­mi­nis­tra, Ben­vinda Levi, desa­fiou os novos direc­to­res­ge­rais do Cen­tro de For­ma­ção Jurí­dica e Judi­ci­á­ria (CFJJ) e do Ins¬ti¬tuto

de Inves­ti­ga­ção Agrá­ria de Moçam­bi­que (IIAM) a trans­for­ma­rem a sua expe­ri­ên­cia pro­fis­si­o­nal e acadé­mica em resul­ta­dos con­cre­tos e ins­ti­tui­ções mais for­tes.

A gover­nante falava durante a ceri­mó­nia de tomada de posse do Vene­rando Juiz Con­se­lheiro Jubi­lado do Tri­bu­nal Supremo, Augusto Raul Pau­lino, como direc­tor-geral do CFJJ, e do Pro­fes­sor Dou­tor Emí­lio Tos­tão, que passa a diri­gir o IIAM.

Segundo Ben­vinda Levi, a nome­a­ção dos dois diri­gen­tes repre­senta mais do que uma for­ma­li­dade, cons­ti­tu­indo um momento de reno­va­ção da con­fi­ança do Governo em duas ins­ti­tui­ções con­si­de­ra­das estra­té­gi­cas para o desen­vol­vi­mento do País.

A pri­meira-minis­tra des­ta­cou o papel do CFJJ na for­ma­ção dos pro­fis­si­o­nais da jus­tiça e a impor­tân­cia do IIAM na pro­du­ção de conhe­ci­mento cien­tí­fico e ino­va­ção para a trans­for­ma­ção da agri­cul­tura.

Diri­gindo-se par­ti­cu­lar­mente a Augusto Raul Pau­lino, Ben­vinda Levi enal­te­ceu o seu regresso ao ser­viço público, depois de uma longa car­reira na área da jus­tiça. Con­si­de­rou que a deci­são demons­tra “sen­tido de Estado, des­pren­di­mento e com­pro­misso com Moçam­bi­que”, apon­tando-a como exem­plo de que “ser­vir o País é res­pon­der quando o País chama”.

Na oca­sião, a gover­nante reco­nhe­ceu igual­mente o tra­ba­lho das direc­to­ras-gerais ces­san­tes do CFJJ e do IIAM, Elisa Samuel Boe­re­kamp e Maria Zélia Lopes Menete, res­pec­ti­va­mente, agra­de­cendo-lhes pelo tempo, conhe­ci­mento e dedi­ca­ção colo­ca­dos ao ser­viço do Estado.

CFJJ chamado a acelerar reformas

Para o novo direc­tor-geral do CFJJ, a pri­meira-minis­tra apon­tou como pri­o­ri­dade a expan­são ter­ri­to­rial da ins­ti­tui­ção, com vista a apro­xi­mar a for­ma­ção dos pro­fis­si­o­nais da jus­tiça de todas as regi­ões do País.

Ben­vinda Levi reve­lou que o pro­jecto de cri­a­ção das dele­ga­ções regi­o­nais do CFJJ já foi apro­vado e inte­grado na car­teira de inves­ti­mento público, estando pre­vista a cons­tru­ção das dele­ga­ções das regi­ões Sul, Cen­tro e Norte até 2029.

A gover­nante exi­giu igual­mente a con­clu­são e imple­men­ta­ção da reforma peda­gó­gica e cur­ri­cu­lar, defen­dendo uma for­ma­ção base­ada em com­pe­tên­cias, com maior com­po­nente teó­rico-prá­tica, está­gios, simu­la­ções, estu­dos de caso e reso­lu­ção de pro­ble­mas.

Outra pri­o­ri­dade apon­tada prende-se com a reforma dos con­cur­sos de ingresso, atra­vés do Cen­tro de Recru­ta­mento e Selec­ção do CFJJ. Para Ben­vinda Levi, o recru­ta­mento deve ser trans­pa­rente, rigo­roso, pre­vi­sí­vel, aces­sí­vel e base­ado no mérito, uma vez que “a qua­li­dade da jus­tiça começa tam­bém na qua­li­dade e na inte­gri­dade de quem nela ingressa”.

A pri­meira-minis­tra defen­deu ainda a con­clu­são da reforma legal e orga­ni­za­ci­o­nal do CFJJ, inclu­indo a apro­va­ção do qua­dro-tipo de pes­soal, bem como a neces­si­dade de atrair e reter for­ma­do­res a tempo inteiro e espe­ci­a­lis­tas em desen­vol­vi­mento cur­ri­cu­lar, inves­ti­ga­ção, tec­no­lo­gias de for­ma­ção e ges­tão acadé­mica.

A sus­ten­ta­bi­li­dade ins­ti­tu­ci­o­nal foi outra das pri­o­ri­da­des apre­sen­ta­das, com Ben­vinda Levi a defen­der a diver­si­fi­ca­ção das fon­tes de finan­ci­a­mento e o reforço das par­ce­rias, sem com­pro­me­ter a natu­reza pública e a mis­são do CFJJ.

IIAM deve aproximar investigação dos agricultores

Em rela­ção ao Ins­ti­tuto de Inves­ti­ga­ção Agrá­ria de Moçam­bi­que, a pri­meira-minis­tra afir­mou que o Governo está com­pro­me­tido com a trans­for­ma­ção do sec­tor agrá­rio, sub­li­nhando que não haverá agri­cul­tura moderna sem inves­ti­ga­ção cien­tí­fica forte e desen­vol­vi­mento sus­ten­tá­vel sem ino­va­ção tec­no­ló­gica.

Ben­vinda Levi defen­deu uma inves­ti­ga­ção agrá­ria mais pró­xima dos pro­du­to­res, capaz de res­pon­der aos desa­fios enfren­ta­dos pelos agri­cul­to­res e con­tri­buir para o aumento da pro­du­ção, pro­du­ti­vi­dade, ren­di­men­tos fami­li­a­res e segu­rança ali­men­tar.

A diri­gente apon­tou como pri­o­ri­da­des a pro­du­ção de tec­no­lo­gias de cul­tivo, desen­vol­vi­mento de vari­e­da­des melho­ra­das e adop­ção de sis­te­mas de pro­du­ção mais efi­ci­en­tes e resi­li­en­tes às mudan­ças cli­má­ti­cas.

Ao novo direc­tor-geral do IIAM, a pri­meira-minis­tra pediu um diá­logo per­ma­nente com os ser­vi­ços de exten­são agrá­ria, de modo a garan­tir que os resul­ta­dos da inves­ti­ga­ção cien­tí­fica che­guem efec­ti­va­mente aos pro­du­to­res e tenham impacto na eco­no­mia rural. Defen­deu, igual­mente, o for­ta­le­ci­mento do corpo de inves­ti­ga­do­res do ins­ti­tuto, con­si­de­rando neces­sá­rio con­tar com pro­fis­si­o­nais capa­zes de apre­sen­tar solu­ções cien­tí­fi­cas e prá­ti­cas ajus­ta­das à rea­li­dade moçam­bi­cana.

Ben­vinda Levi ter­mi­nou a sua inter­ven­ção ape­lando aos dois diri­gen­tes para que exer­çam as suas fun­ções com fir­meza, humil­dade e per­se­ve­rança, con­si­de­rando que a força das ins­ti­tui­ções depende da “cora­gem, com­pe­tên­cia e inte­gri­dade” de quem as dirige. A ceri­mó­nia ter­mi­nou com um brinde à saúde

do Pre­si­dente da Repú­blica, Daniel Fran­cisco Chapo, dos novos diri­gen­tes, das suas famí­lias e dos demais pre­sen­tes.

Fonte: O País

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