Medicamentos tradicionais agravam saúde de pacientes

O recurso a medicamentos tradicionais para o tratamento de malária e controlo da gestação contribui para o agravamento do estado de saúde dos pacientes nas comunidades rurais do distrito de Ngaúma, província do Niassa.

Perante a situação, as autoridades governamentais locais apelam ao envolvimento da sociedade civil e dos líderes comunitários na sensibilização das populações, com vista a desencorajar o recurso indiscriminado a medicamentos tradicionais, sobretudo naqueles dois casos.


A preocupação foi manifestada durante um encontro entre o Governo, representantes das comunidades, organizações da sociedade civil e outras figuras influentes, realizado no âmbito da auscultação das preocupações da população promovida pelo Centro de Aprendizagem da Sociedade Civil.


Durante a reunião, as autoridades de saúde de Ngaúma alertaram para o aumento do número de pacientes que dão entrada nas unidades sanitárias em estado crítico, depois de recorrerem a tratamentos tradicionais.


Segundo a directora dos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social de Ngaúma, Mónica Tomás, parte significativa destes casos envolve pessoas que procuram tratar a malária através de medicamentos tradicionais, acabando por chegar às unidades sanitárias numa fase avançada da doença. A situação abrange, igualmente, mulheres grávidas que recorrem a práticas tradicionais na tentativa de controlar a gestação ou facilitar posteriormente o processo de parto.


“Há situações em que os pacientes chegam em estado crítico e, muitas vezes, já não há muito que se possa fazer”, explicou Mónica Tomás, defendendo o reforço das acções de sensibilização junto das comunidades.


A responsável reconheceu que as autoridades de saúde realizam campanhas de sensibilização para desencorajar práticas que podem colocar em risco a vida dos pacientes, mas considerou fundamental o envolvimento de outros intervenientes.

Neste contexto, apelou à sociedade civil e aos líderes comunitários para reforçarem a mobilização e educação das populações, de modo a incentivar a procura atempada dos serviços de saúde, sobretudo em casos de malária e durante a gravidez.

Fonte: Jornal Notícias

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